domingo, 27 de dezembro de 2009

Sagrada Família


“Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso.” 
(Lc. 2, 51)

O plano salvífico de Deus incluiu a família. Deus se encarnou e nasceu no seio de uma família. A família fundada no casamento entre um homem e uma mulher e os filhos foi instituída por Deus. É imagem daquela Família Eterna, a Santíssima Trindade. É célula da sociedade. E é justamente a família que vem sendo atacada em nosso mundo moderno. Por ser imagem do Deus Uno e Trino, os inimigos de tudo que o é divino, a atacam e a minam por todos os lados.

Tomemos o Brasil como exemplo. O governo antinatural e anticristão de Lula aprovou o divórcio instantâneo e ás vésperas do Natal (coincidência?) articulou um plano (de “direitos humanos”) a ser implantado que inclui a aprovação do aborto e do casamento entre homossexuais. A desestruturação das famílias traz conseqüências trágicas para a sociedade e para a Igreja. Rezemos pela santificação e restauração das famílias.

(Lucas 2, 41-52)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O Nascimento de Jesus

"O Pai havia tirado todos os esplendores da paternidade divina para que se recolhesse inteiramente na ternura da maternidade humana".

A íngreme estrada era percorrida por outros peregrinos que acorriam a Belém para o recenseamento. Alguns resmungavam, pensando nos negócios interrompidos; outros com impropérios, consideravam aquele censo um ultraje aos livres filhos do Altíssimo por parte dos escravos dos ídolos. Havia também quem, resignado, via em tudo aquilo um castigo de Deus às culpas de Israel. Os que tinham mais bom senso entreviam um desígnio divino naquela imprevista reunificação da descendência de Davi no seu centro de origem e, davam razão a José, que os havia convidado a reconhecer na pobre resolução administrativa o máximo mistério da Providência.

À noite, quando finalmente chegaram à praça do povoado, a encontraram toda iluminada pelos lampiões, principalmente ao redor da entrada da estalagem. José também abriu caminho entre a multidão de peregrinos que gritavam. Junto ao portão, do qual entravam e saiam animais e homens, pediu um lugar para dormir: havia uma mulher, prestes a dar à luz, que precisava de um leito, num lugar apartado. O vigia barbudo o enquadrou da cabeça aos pés e, observando,o seu manto empoeirado, sacudiu a cabeça e respondeu: "Não há lugar para vocês".

Era possível encontrar um lugar num ambiente tão amplo, mas não para um "Zé ninguém", não para uma galiléia prestes a dar à luz. José bateu à porta também de algumas casas, mas em toda parte havia peregrinos chamados ao recenseamento. Para ele, descendente de Davi, e Maria, mãe do Messias, não havia um lugar para dormir na cidade de Davi, na pátria do ungido. Quando até os animais tiveram uma toca, Jesus não encontrará uma pedra onde reclinar a cabeça. Naquele momento, ainda antes de nascer, iniciava a sua renúncia.

José não desanimou. Ao subir pela estrada, havia observado que existiam grutas nas encostas e, por experiência, sabia como se arranjar. Mesmo sofrendo por não poder oferecer algo melhor àquela mulher a quem os arcanjos prestavam homenagem, voltou a descer com ela parte do caminho, distanciando-se um pouco do povoado. Entraram numa gruta onde ouviram um pacífico ruminar de animais. Ele acendeu a tocha que levava consigo e acomodou, com feno, um leito para Maria que já se arrastava...

Assim reclinou-se, em meio aos animais sonolentos, aquela que as gerações iriam chamar de "bem-aventurada", e a quem a Igreja, atônita, daria os títulos de "salvação do mundo", "porta do céu", "dispensadora de riquezas, "hora da criação", "morada da Trindade". Na poesia ela sera invocada também como a "lâmpada dos séculos"; e eis que a mecha do seu lampião se ensopava, soluçando, querendo se apagar, e aquela minúscula luminosidade tornava mais densa a escuridãodo pobre lugar.

O burro de vez em quando, raspava no chão, o vento carregava balidos de ovelhas. José caia de sono, não queria dormir e, de vez em quando, a chamava. Ela estava absorta no silêncio carregado de divino. Um diálogo íntimo discorria entre ela, a mãe, e Deus, o Pai...

E Jesus entrou no mundo: escuridão e vento, solidão e animais. O Criador dos sóis entrou através de um orifício do planeta, como o último filho de uma mulher, para que entre os nascidos ninguém pudesse se lamentar de uma sorte mais infeliz. Mas entrou também como o primeiro filho de uma mulher, recebido com o mais puro amor de mãe.

O Pai havia tirado todos os esplendores da paternidade divina para que se recolhesse inteiramente na ternura da maternidade humana. Naquele instante não teve cantos de anjos e estrondos de trovões, mas a carícia incomparável de Maria, filha predileta do Pai, mãezinha amável do filho.

Revista Mariápolis - Nov/Dez 2003

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Extra! Extra! Um menino nasceu!

E se houvesse um jornal na época do nascimento do Menino Jesus, o que ele noticiaria na primeira página?

O português, Pedro Gil, editor da newsletter O Carteiro, enviou um exemplar de um periódico imaginário sobre o assunto que conta, inclusive, com depoimento do Chefe da Liga Império e Laicidade da época – vê-se que os laicos e loucos não são invenção moderna…

Clique na imagem para ampliar:

Fonte: O Possível e o Extraordinário.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Convite


Recebi o convite abaixo e pediram-me para entregar pra você...
Vamos juntos à festa?

Convite


Maria e José de Nazaré convidam você e sua família para a festa do meu aniversário.

Data: 25 de dezembro
Local:
Seu Coração


Os participantes de minha festa
serão contemplados com um crédito infinito de graças para o ano 2010, podendo sacar diariamente,

sem limite de horário,
a soma de bençãos que necessitarem.
Favor confirmar sua presença
através de oração e da imitação
dos meus gestos.
Agradeço todo o esforço que você fará
na preparação espiritual de minha festa.

Abraços e Bençãos de


Jesus de Nazaré

Entregue aos seus amigos , quanto mais convidados , melhor !!!!
Feliz Natal, e Ano Novo...!!!

domingo, 20 de dezembro de 2009

João Batista

Que mistério novo e admirável! João Batista não nasceu ainda e já fala através dos seus saltos. Ainda não apareceu e já profere anúncios. Ainda não pode gritar e já se faz ouvir através dos seus actos. Ainda não começou a sua vida e já prega a Deus. Ainda não vê a luz e já aponta para o Sol. Ainda não foi dado ao mundo e já se apressa a agir como precursor. O Senhor está ali: ele não é capaz de se conter, não suporta os limites fixados pela natureza, esforça-se por romper a prisão do seio materno e procura dar a conhecer antecipadamente a vinda do Salvador.

São João Crisóstomo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Aproveitemos o tempo do Advento

“É assim que ele anunciava ao povo a boa nova, e dirigia-lhe ainda muitas outras exortações.” (Lc 3, 18)

Alegremo-nos neste terceiro domingo do Advento pela proximidade da vinda do Senhor. São João Batista aparece mais uma vez, anunciando o evangelho e batizando na água em preparação e espera d’Aquele que batiza no fogo do Espírito Santo. João não pede aos que vinham arrependidos para serem batizados para que mudassem de profissão ou estado de vida, mas exortava a todos que fossem caridosos, dividindo o que tinham. Estas admoestações são para nós também; que sejamos santos na nossa vida cotidiana, como solteiros, casados ou celibatários, religiosos ou leigos. Que exerçamos nossa profissão – seja ela qual for – honestamente e que o trabalho seja uma forma de santificação. Aproveitemos o tempo do Advento para olharmos para nossos corações, abandonando todos os pecados e tudo aquilo em que estamos apegados. Estejamos preparados o Cristo Salvador que veio, vem e virá. (Lucas 3, 10-18)


RodrigoCastellani

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Diplomacia Divina

"Se cada diplomata, no exercício de suas funções, for movido em seus atos pela caridade para com o outro país tanto quanto para com a própria pátria, será de tal modo iluminado pela ajuda de Deus, que concorrerá para estabelecer relações entre os países como as que devem existir entre os homens".

Quando alguém chora, devemos chorar com ele. E se sorri, alegrar-nos com ele. Assim, a cruz é dividida e carregada por muitos ombros, a alegria é multiplicada e compartilhada por muitos corações.

Fazer-se um com o próximo é um caminho, a estrada mestra para fazer-se um com Deus. Estrada mestra porque é nessa caridade que está a fusão dos dois primeiros e principais Mandamentos. Fazer-se um com o próximo, por amor de Jesus, com o amor de Jesus, até que o próximo, docemente ferido pelo amor de Deus em nós, queira fazer-se um conosco em comunhão recíproca de ajudas, de ideais, de projetos, de afetos. Até se estabelecerem entre os dois os elementos essenciais para que o Senhor possa dizer de nós:

“Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou em no meio deles” (Mateus 18,20). Ou seja, até nos garantir, no que depende de nós, a presença de Jesus, e caminhar na vida, sempre, como pequena Igreja em marcha, Igreja, mesmo estando em casa, na escola, na fábrica, no parlamento.

Caminhar na vida como os discípulos de Emaús, com aquele Terceiro entre nós, que dá valor divino a todo o nosso agir. Sendo assim, não somos nós, míseros e limitados, sozinhos e sofredores, que agimos na vida. Conosco caminha o Onipotente. E quem a Ele fica unido, produz muito fruto. De uma célula, outras células; de um tecido, outros tecidos.

Fazer-se um com o próximo naquele completo esquecimento de si existente em quem se lembra do outro, do próximo, sem se dar conta, nem se preocupar com isso. Esta é a diplomacia da caridade que tem da diplomacia comum muitas expressões e manifestações, e que por isso não diz tudo o que poderia dizer, porque o irmão não gostaria, nem seria do agrado de Deus; sabe esperar, sabe falar, atingir a meta. Divina diplomacia do Verbo que se faz carne para nos divinizar.

Ela, porém, tem um timbre essencial e característico, que a distingue daquela de que fala o mundo, para o qual, muitas vezes, diplomático é sinônimo de reticente ou até mesmo de falso.

A diplomacia divina tem isto de grande e de seu, talvez de somente seu: ela é movida pelo bem do outro, portanto, é isenta de qualquer sombra de egoísmo. Tal regra de vida deveria inspirar toda diplomacia. Isto, com Deus, é possível, pois Ele não é o Senhor dos indivíduos, mas Rei das nações e de todas as sociedades.

Se cada diplomata, no exercício de suas funções, for movido em seus atos pela caridade para com o outro país tanto quanto para com a própria pátria, será de tal modo iluminado pela ajuda de Deus, que concorrerá para estabelecer relações entre os países como as que devem existir entre os homens. A caridade é uma luz e guia, e quem é emissário têm todas as graças para ser um bom emissário.

Deus nos ajude e nós nos disponhamos para que e Senhor possa ver do Céu este espetáculo novo: o seu testamento realizado entre os povos.

A nós pode parecer um sonho: para Deus é a norma, a única que garante a paz no mundo e a valorização dos indivíduos na unidade daquela família humana que já conhece Jesus.

Chiara Lubich
(Ideal e Luz, p. 290 e 291)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.

“Como está escrito no livro das palavras do profeta Isaias: Uma voz clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.”
(Lc. 3, 4)

São João Batista, como o novo Elias, anuncia e prepara a vinda do Messias. Pregando o arrependimento e batizando, São João abre o caminho nos corações do povo de Israel para a mensagem de Jesus Cristo. Agora, enquanto esperamos Sua vinda gloriosa, a Igreja continua pregando o evangelho de Cristo a todos os povos para que nos convertamos e aguardemos a nova vinda de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.

Assim como João Batista, a Igreja é a voz que clama no deserto, num mundo cada vez mais secularizado que não quer ouvir ou é indiferente diante da voz de Deus. Mesmo na festa do Natal que se aproxima, grande parte das pessoas não sabem o que se comemora. O consumismo, o materialismo e o laicismo conseguiram descaracterizar o Natal, expulsaram Jesus ou O sufocaram entre luzes, símbolos sem sentidos e presentes. Que endireitemos os caminhos do nosso coração, retirando dele todas as barreiras que impedem a chegada de Jesus.


domingo, 1 de novembro de 2009

Solenidade de todos os Santos


Essa celebração teve origem em Antioquia no Oriente no século IV, e foi introduzida no Ocidente em Roma no século VI.

Várias foram as razões para realizar essa festa: resgatar a lembrança daqueles cujo nomes foram omitidos por falta de documentos e que somente são conhecidos por Deus, alcançar, por sua intercessão, as graças de que necessitamos e ter sempre presente esses modelos de conduta, a fim de imitá-los.

Deus prometeu de fato dar a eterna bem-aventurança aos pobres no espírito, aos mansos, aos que sofrem e aos que têm fome e sede de justiça, aos misericordiosos, aos puros de coração, aos pacíficos, aos perseguidos por causa da justiça e a todos os que recebem o ultraje da calúnia, da maledicência, da ofensa pública e da humilhação. Hoje todos esses Santos que tiveram fé na promessa de Cristo, a despeito das fáceis seduções do mal e das aparentes derrotas do bem, alegram-se e exultam pela grande recompensa dada por um Rei incompreensivelmente misericordioso e gênero, DEUS. Os Santos são amigos eficazes, pois a vontade deles e totalmente semelhante à de Deus, manifestada em Cristo, único Senhor deles e nosso.

Essa celebração presta homenagem também a todos os Santos desconhecidos, sem nome, que pareceram presença inútil no mundo, mas que carregaram em silêncio a marca do Filho do homem, ou seja a cruz. Para Deus, os Santos são amados todos do mesmo modo, pois o que conta não é a irradiação do testemunho dado na terra pelo mais lembrado ou pelo mais escondido deles, mas a fidelidade e o amor que somente Deus conhece.

Esta festa quer homenagear a multidão dos Santos que estão na glória de Deus e são para todos nós motivo de imensa alegria, pois são irmãos e irmãs nossos que souberam viver em Cristo e, pela graça de Deus, alcançaram a plenitude da vida eterna.



ORAÇÃO À TODOS OS SANTOS

Ó Deus, Concedei-nos, pelas preces dos Santos, A quem destes perseverar na imitação de Cristo pobre e humilde, Seguir a nossa vocação com fidelidade. E chegar àquela perfeição que nos propusestes em Vosso Filho. Que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo

Amém.

Veja também aqui


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

É pela vossa perseverança ...


“É pela vossa perseverança que conseguireis salvar a vossa vida!” (Lc 21,19)

“Perseverança”. Essa é a tradução do termo original grego. Mas a palavra grega é rica de conteúdo, pois inclui também a paciência, a constância, a resistência, a confiança.

A perseverança é necessária e indispensável quando sofremos, quando somos tentados, quando tendemos a desanimar, quando nos sentimos atraídos pelas seduções do mundo, quando somos perseguidos.

Penso que também você se tenha encontrado em pelo menos uma dessas situações e tenha experimentado que, sem a perseverança, não teria sido possível resistir. Talvez você tenha cedido algumas vezes. Pode até ser que, justamente neste momento presente, você se encontre em alguma dessas circunstâncias dolorosas.

Pois bem, o que fazer?
Crie coragem e… persevere.
Caso contrário, você não é digno de ser chamado de cristão.

Você sabe: quem deseja seguir a Cristo deve tomar todo dia a própria cruz e – pelo menos com a vontade – deve amar a dor. A vocação cristã é uma vocação à perseverança.
Paulo, o Apóstolo, mostra à comunidade a perseverança dele como sinal de autenticidade cristã.
E não hesita colocá-la no mesmo plano dos milagres.
Se amarmos a cruz e perseverarmos, poderemos seguir a Cristo, que está no Céu, e então nos salvaremos.

“É pela vossa perseverança que conseguireis salvar a vossa vida!”

As pessoas podem ser distinguidas em duas categorias. À primeira pertencem aquelas que recebem o convite para serem verdadeiras cristãs, mas esse convite cai em suas almas como a semente entre as pedras. Muito entusiasmo, como o fogo de palha, mas depois não permanece nada.

Ao passo que as da segunda categoria acolhem o convite, assim como um bom terreno acolhe a semente. A vida cristã germina, cresce, supera dificuldades, resiste às tempestades.
Estas têm a perseverança e… “é pela vossa perseverança que conseguireis salvar a vossa vida!”
É claro que, se você quiser perseverar, não poderá contar apenas com suas próprias forças.
Será necessária a ajuda de Deus.

Paulo fala de Deus como “o Deus da perseverança” (Rm 15,5).
É a Ele, portanto, que você deve pedi-la e é Dele que a receberá.
Porque, se você é cristão, não pode satisfazer-se apenas com o fato de ter sido batizado, ou de fazer, vez por outra, alguma prática de culto e alguma obra de caridade. Você precisa crescer como cristão. E todo crescimento no campo espiritual não pode ocorrer senão em meio às provações, às dores, aos obstáculos, às batalhas.

Existe quem sabe perseverar de verdade: é aquele que ama. O amor não encontra obstáculos, não conhece dificuldades, não mede sacrifícios. E a perseverança é o amor provado.
Maria é a mulher da perseverança.

Peça a Deus que acenda em você o amor para com Ele e, por consequência, em todas as dificuldades da vida, você viverá a perseverança e, com ela, você salvará a sua vida.

“É pela vossa perseverança que conseguireis salvar a vossa vida!”

Mas não é só isso. A perseverança é contagiosa. Quem é perseverante encoraja também os outros a levar as coisas até o fim.
Vamos almejar as coisas maiores. Temos uma só vida e, ainda por cima, breve. Vamos resistir, dia após dia, enfrentando uma dificuldade após a outra para seguirmos a Cristo… e salvaremos a nossa vida.

Chiara Lubich



Palavra de Vida publicada originalmente em junho de 1979

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O Mistério do Sangue

“Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade, vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós”. (Jo 6,53).

Também para nós cristãos, já habituados à realidade da Igreja e freqüentando regularmente os santos sacramentos, estas palavras são muito fortes. Nós, diferentemente dos fariseus e dos discípulos vacilantes, acreditamos firmemente na presença de Jesus na Eucaristia. Mas inconscientemente, talvez, temos atenuado na nossa psicologia a realidade que ela encerra.

Tem-se procurado exprimir a presença de Jesus com outras palavras, como: o santo sacramento, a Eucaristia, a sagrada espécie, o sagrado banquete, etc., palavras certamente verdadeiras, mas que, sem uma explicação adequada nos levam a fixar a atenção em aspectos marginais ou secundários. Jesus é mais claro quando, ainda antes da última ceia, revela este mistério: “Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue...” Ele nos põe em contato direto com as verdades divinas, sem abstrações nem metáforas.

A sua realidade é dura porque nos arrebata do plano natural, do plano das filosofias, para se apresentar a Si mesmo como mistério de salvação, com a sua carne e com o seu sangue.
Também nós cristãos somos tentados a perguntar como é possível que a carne e o sangue de Cristo produzam em nós a vida. Se a Eucaristia é considerada só como um símbolo, estes problemas não surgem, porque, deste modo, temo-la reduzida às nossas categorias humanas.

Mas a santa Eucaristia não é um símbolo, é uma realidade. A explicação das suas palavras no-la dá Jesus mais adiante ao dizer: “E o espírito que vivifica; a carne não serve para nada” (Jo.6,63). Ou seja, a carne de Jesus tornar-se-á vivificante quando penetrada no Espírito Santo, depois da sua paixão.

A Eucaristia está, por isso, essencialmente ligada ao mistério da crucificação: ela o renova e o torna realidade sempre presente.
E por isso que Jesus nos fala de si, da sua verdadeira carne e do seu verdadeiro sangue, mas enquanto virão a ser imolados sobre a cruz e exaltados com a ressurreição dos mortos, quando o corpo de Jesus tiver sido dotado da capacidade de transformar os fiéis em membros seus.

Por tais motivos Jesus disse: “Quem come a minha carne e bebe do meu sangue fica em mim e eu nele” (Jo 6,56). Começa a vislumbrar de que modo o próprio mistério da Igreja se identifica com o mistério eucarístico. Disse S. João Crisóstomo: “Ao comermos o seu corpo unimo-nos a Ele e tornamo-nos um só corpo de Cristo e uma só carne”. Por estes mesmos motivos, participando da Eucaristia, encontramos a unidade também entre nós, pois tornamo-nos mais plenamente membros do seu corpo. A comunhão com Cristo não pode deixar de realizar uma comunhão espiritual entre os membros.

A Eucaristia é o ponto de convergência de toda a realidade cristã. Disse Santo Tomás: “A eucaristia é a consumação da vida espiritual e o fim de cada sacramento”.

(Pe. Foresi, “Palavras de Vida’)

“Quem não é contra nós, é a nosso favor.”

Jesus funda Sua Igreja sobre o fundamento dos apóstolos sob a liderança de Pedro. A comunhão plena com Jesus Cristo se dá através da Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica. Há aqueles que o conhecem parcialmente ou o desconhecem por completo, mas vivem uma vida conforme a lei natural e buscam a verdade e a Igreja deve alcançá-los.

Esta reprimenda de Jesus em Marcos serve de base a todo tipo de relativismo, inclusive na boca de muitos padres. Jesus não incentivou a bagunça doutrinária que esfacela o cristianismo. Cristo não quer que ninguém se perca e ai daqueles que levarem à perdição das heresias e do pecado um só dos que crêem Nele. Exige de nós todo o esforço e mortificação para que nos mantenhamos na graça de Deus. Mas o mundo de hoje, mergulhados em prazeres, onde cada um faz sua própria moral, não quer ouvir falar nisso. Que Deus nos dê forças para não cairmos em tentação.

domingo, 13 de setembro de 2009

Palavra e Coerência

Pe Ricardo Pinto
"Quem é, de fato, o presbítero, senão um homem convertido e renovado pelo Espírito, que vive da relação pessoal com Cristo, fazendo constantemente próprios os critérios evangélicos?"
(Bento XVI)

O objetivo do Ano Sacerdotal iniciado em junho é também suscitar a reflexão sobre a relação entre a vida do sacerdote e o anúncio da Palavra de Deus. O Evangelho deve percorrer as estradas do mundo, deve responder ao gemido da humanidade e deve ser "luz" na escuridão do mal e da morte, que ganham abrangência cada vez maior. O que ocorre dentro e fora da Igreja é o terreno para a Palavra eterna se tornar contemporânea em qualquer época. Mas é fundamental que exista uma coerência entre o anúncio da Palavra e a vida de quem a anuncia.

Diante dos graves problemas que atingem a sociedade de hoje, o sacerdote é provocado a dar vitalmente a sua resposta. Há pouco tempo, numa audiência geral na Praça de São Pedro, o papa falou sobre isso. Comentando as propostas do Ano Sacerdotal, Bento XVI questionou: "Quem é o presbítero, senão um homem de unidade e de verdade, consciente dos seus próprios limites e, ao mesmo tempo, da extraordinária grandeza da vocação recebida, a de ajudar a estender o Reino de Deus até os extremos confins da terra?"

Essas palavras do papa recordam-me um fato acontecido com um sacerdote. O trecho do Evangelho que ele deveria refletir com a comunidade na missa do domingo traçava a atitude que os anunciadores do Reino de Deus deveriam ter: "Não levar nada pelo caminho, nem pão, nem sacola, nem dinheiro, nem sandália, nem duas túnicas". Durante a semana o sacerdote foi visitar um jovem muito doente. Na ocasião, usou uma estola que tinha um valor emotivo muito grande para ele. No final da celebração, a mãe do jovem, num profundo gesto de fé e agradecimento pede para beijar a estola. Lembrando do "não levar nada para o caminho" o sacerdote entrega a estola a ela como lembrança daquele momento especial. Na reflexão do evangelho do domingo, ele contou esse fato suscitando uma maior vida de partilha em toda a comunidade.

Outra pergunta de Bento XVI na audiência geral reitera a ideia de que o sacerdote deve ser testemunho da Palavra vivida. Ele questiona: "Quem é, de fato, o presbítero, senão um homem convertido e renovado pelo Espíri-to, que vive da relação pessoal com Cristo, fazendo constantemente próprios os critérios evangélicos?"

A coerência entre vida e palavra é indispensável para o testemunho de todos os cristãos. Já no quinto século, São Jerônimo dizia que as ações não podem desmentir as palavras, "para que não suceda que, quando pregues na Igreja, alguém em sua intimidade comente: 'Por que, então, tu não ages assim?" E o santo comenta também que os ouvintes percebem a incoerência do mestre bem alimentado fazendo discursos sobre o jejum.

A Palavra de Deus adquire visibilidade e credibilidade no mundo de hoje, sobretudo, através da vida de quem a anuncia. Toda a Igreja tem se empenhado nos últimos anos para aprofundar essa relação entre o anúncio e a vivência do Evangelho. O tema do último Sínodo dos Bispos, reunido em Roma no ano passado foi, justamente, "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja". E esse será também o assunto central da Assembleia da Con-ferência Nacional dos Bispos do Brasil em 2010. Esses dados fazem crer que o Espírito Santo impulsiona toda a Igreja a redescobrir a importância do testemunho da Palavra vivida e anunciada.

Nesse sentido, a comunidade torna-se ambiente de escuta da Palavra, de diálogo sobre o contexto cultural e de iniciativas que levam os cristãos a sonhar e a construir o mundo como Deus sonhou. A Palavra de Deus é reflexo de processos sociológicos, mas não está condicionada a eles. O seu foco é mostrar a força do amor de Deus manifesta-da em Jesus Cristo.
Deixar Deus falar ao mundo através da coerência com a Palavra continua sendo um desafio para o sacerdote hoje e para as comunidades.


Fonte: Revista Cidade Nova Set/2009 pág. 41
Ricardo Pinto é sacerdote, especialista em Teologia Moral e Espiritualidade





“Em seguida, convocando a multidão juntamente com os sues discípulos, disse-lhes: Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” (Mc 8, 34)

São Pedro, inspirado pelo Pai, reconhece Jesus como o Cristo. Porém, Jesus deixa claro que é o Messias, mas não aquele que os judeus esperavam, que os lideraria contra os romanos dominadores e restauraria o Reino de Israel com toda a sua glória dos tempos de Davi.

Jesus Se apresenta como o Servo sofredor. Não eram os inimigos terrenos que derrotaria, mas o demônio, entregando-Se à morte de cruz. São Pedro não entende e é repreendido por Ele. Jesus, então, oferece a todos a cruz. Aquele que quiser ser seu discípulo deverá imitá-lo, renunciando a sua própria vida, carregando a cruz de cada dia.

Se este convite foi rejeitado por muitos àquela época, quanto mais hoje, onde vivemos num mundo onde a palavra de ordem é viver em prazeres sem medidas. O caminho para o céu, tem que passar pela cruz.

sábado, 12 de setembro de 2009

Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus...


O Evangelho todo é uma revolução. Não existe palavra de Cristo que se assemelhe às palavras dos homens. Veja: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas (as necessidades da vida) vos serão dadas por acréscimo”.

A primeira preocupação do ser humano, em geral, é a busca ansiosa daquilo que é necessário para dar segurança à própria existência. Talvez isso aconteça também com você. Pois bem, Jesus coloca você diante do modo como Ele vê a realidade e lhe propõe o Seu modo característico de agir. Ele pede um comportamento que difere totalmente do usual e que não deve ser adotado apenas uma vez, mas sempre. É o seguinte: procurar primeiro o Reino de Deus.

Quando você orientar todo o seu próprio ser para Deus e fizer de tudo para que Ele reine dentro de você e nos outros (ou seja, para que ele governe a sua vida conforme as leis estabelecidas por Ele), o Pai lhe dará aquilo de que você precisa a cada dia.

Se, no entanto, você se preocupar antes de tudo consigo mesmo, acabará cuidando principalmente das coisas deste mundo, tornando-se vítima delas. Você terminará considerando os bens desta terra como o seu problema de fato, o objetivo de todos os seus esforços. E nascerá no seu íntimo a grave tentação de contar unicamente com as suas forças e de prescindir de Deus.

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo.”

Jesus dá uma reviravolta na situação. Se a sua preocupação primeira for Ele, viver por Ele, então o resto não será mais o problema principal da sua existência, mas um “acréscimo” ou “algo a mais”. Será uma utopia? Será uma frase irrealizável para você, homem moderno, que vive hoje no mundo industrializado, dominado pela concorrência, e que frequentemente passa por crises econômicas?

Gostaria de lembrar-lhe simplesmente que as dificuldades concretas de subsistência para o povo da Galileia não eram menores quando Jesus pronunciou essas palavras.
Não se trata de analisar se é ou não uma utopia. Jesus coloca você diante da orientação fundamental da vida: viver para si ou viver para Deus. Mas vamos entender bem o significado desta frase:

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo”.

Jesus não lhe recomenda o imobilismo, a passividade em relação às coisas terrenas, uma conduta irresponsável ou superficial no trabalho. Jesus quer mudar a preocupação em ocupação, livrando você da ansiedade, do medo, da inquietude. De fato, Ele diz: “Buscai em primeiro lugar o Reino…”. “Em primeiro lugar” significa “acima de tudo”. A busca do Reino de Deus é colocada no primeiro plano e não exclui que o cristão deva ocupar-se também das necessidades de sua vida.

Buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça significa, ainda, ter uma conduta de acordo com as exigências de Deus manifestadas por Jesus no Seu Evangelho.
Somente procurando o Reino de Deus o cristão experimentará a maravilhosa potência do Pai em seu favor.

Conto um episódio. Aconteceu tempos atrás e, no entanto, parece de uma atualidade incrível. De fato, conheço inúmeros jovens que se comportam hoje com a mesma atitude da moça desta história. Chamava-se Elvira. Cursava a Escola Normal. Era pobre, e só poderia prosseguir os estudos se conseguisse manter uma média alta. Possuía uma fé sólida. O seu professor de filosofia era ateu, de modo que não raramente apresentava as verdades sobre Cristo, sobre a Igreja, de maneira alterada, quando não deformada. O coração daquela jovem fervia de indignação.

Não por ela, mas pelo seu amor a Deus, à Verdade e às suas companheiras. Embora consciente de que, contradizendo o professor, corria o risco de ter uma nota baixa, o que Elvira sentia dentro de si era mais forte do que ela mesma. Levantava a mão todas as vezes, pedindo a palavra: “Não é verdade, professor!”. Talvez nem sempre ela possuísse os argumentos para rebater os comentários do professor, mas naquelas palavras “não é verdade” estava toda a sua fé, que é dom da Verdade e, por isso mesmo, faz pensar.

As colegas, que gostavam dela, tentavam convencê-la a não se manifestar, para que ela não fosse prejudicada. Mas não conseguiam. Passaram alguns meses. Chegou a hora da distribuição dos boletins com as notas. A jovem recebe o seu boletim apreensiva. Depois, teve um sobressalto de alegria. Dez! A nota máxima. Elvira tinha procurado acima de tudo fazer com que Deus e a Sua Verdade reinassem, e o resto veio por acréscimo.

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo.”

Se também você procurar o Reino do Pai, haverá de experimentar que Deus é Providência com relação a todas as necessidades da sua vida. E descobrirá a normal extraordinariedade do Evangelho.

Chiara Lubich

Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em maio de 1979.

domingo, 6 de setembro de 2009

“No mesmo instante os ouvidos se lhe abriram, a prisão da língua se lhe desfez e ele falava perfeitamente.” (Mc. 7, 35)

Os milagres de Jesus são sinais dos tempos messiânicos que se inauguram com Sua vinda e que foram anunciados pelos profetas. Mas, muito mais que a cura física da surdez e da mudez, esses milagres tem um significado mais profundo. Jesus quer abrir os ouvidos de toda a humanidade, a partir do povo judeu, para que ouçam o Evangelho e creiam Nele.

Quer que nossa língua se solte e saiamos do silêncio e testemunhemos a vida em Cristo. E é o Espírito Santo que abre nossos ouvidos e nos dá coragem para proclamar o Evangelho. Hoje, vivemos numa sociedade que não quer ouvir a mensagem do Evangelho de Cristo, que estão surdos para Deus e se fecha em si mesma. Se naquela ocasião, Jesus lhes proibem que não contem a ninguém sobre as curas, para que Sua missão não seja comprometida, agora temos a obrigação de anunciar as maravilhas de Jesus.

sábado, 15 de agosto de 2009

A Assunção da Santíssima Virgem Maria

“E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva.” (Lc 1, 46-48)

Hoje celebramos a Assunção da Santíssima Virgem Maria. Aquela que foi escolhida por Deus desde todos os tempos para ser a mãe do Cristo Salvador, Deus feito homem, após sua vida terrena, foi levada ao céu, por Seu Filho, em corpo e alma. A Imaculada não podia ficar entregue à corrupção. Seu Filho, cumpridor de toda a Lei, honrou Sua mãe até o fim, entronizando-a no Reino de Deus, coroando-a como Rainha.

Se um dos primeiros atos de Salomão foi colocar a sua direita, um trono para sua mãe, e sendo ela uma adúltera, foi coroada rainha do Povo de Deus, quanto mais a incomparável Virgem Maria, cujo trono, “Aquele que é maior que Salomão”, não é infinitamente mais digna de tal honra. Ela é a imagem da Igreja gloriosa. Todas as promessas de Deus se cumpriram primeiramente em Maria. É a ela que devemos imitar.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Eu sou o pão vivo descido do céu

“Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.”
(Jo 6, 51)

Diante do discurso de Jesus na sinagoga de Cafarnaum, o povo começa a criticá-Lo, por não compreender a profundidade do ensinamento sobre a Eucaristia. Para crer no grande mistério do Santíssimo Sacramento é preciso crer na encarnação do Verbo. Deus fez-se homem em Jesus Cristo, no seio da Virgem Maria. Os judeus não conseguiram acreditar no Deus encarnado. A toda menção de Sua origem divina, argumentam citando Seus pais e parentes. E fica difícil entender como alguém se considera cristão, crê na encarnação, mas não crê na Eucaristia.

Em Seus ensinamentos, Jesus deixa claro que este Pão que Ele nos dá é Seu corpo entregue em sacrifício. Portanto, a Santa Missa não é somente um banquete ou ceia, mas é o sacrifício de Cristo no calvário que se faz presente pelo Espírito Santo e pelas palavras do sacerdote. Participemos da Missa com profundo respeito e reverência. Que recebamos o Corpo e o Sangue do Senhor com adoração.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Tendo amado os seus, amou-os até o fim

(Jo 13,1)

Você sabe em que contexto o Evangelho traz essa frase? João o apresenta no momento em que Jesus estava para lavar os pés dos seus discípulos, preparando-se para a sua paixão.
Nas últimas horas de convivência com os seus, Jesus manifesta de maneira suprema e mais explícita o amor que, desde sempre, nutria por eles.

“Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.”

As palavras “até o fim” significam até o fim de sua vida, até o último respiro. Elas porém encerram também a idéia da perfeição. Querem dizer: amou-os completamente, totalmente, com uma intensidade extrema, até a medida máxima.

Os discípulos de Jesus permanecerão no mundo, ao passo que Jesus estará na glória. Vão sentir-se sozinhos, terão de superar muitas provações. Justamente em vista desses momentos, Jesus quer que eles estejam certos do seu amor.

“Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.”

Você não percebe nessa frase o estilo de vida do Cristo, o seu modo de amar? Ele lava os pés dos discípulos. O seu amor o leva a fazer também esse serviço, numa época em que essa tarefa era só dos escravos. Jesus está se preparando para a tragédia do Calvário, a fim de dar aos “seus” e a todos – além de suas extraordinárias palavras, além mesmo de seus milagres, além de todas as suas obras – também a vida. Eles tinham necessidade disso, a maior necessidade de toda pessoa: ser libertada do pecado, ou seja, da morte, e poder entrar no Reino dos Céus. Eles deviam ter paz e alegria na Vida que não tem fim. E Jesus se entrega à morte, com seu grito de abandono do Pai, até o ponto de poder dizer, no fim: “Tudo está consumado”.

“Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.”

Essas palavras revelam a firmeza do amor de um Deus e a ternura do afeto de um irmão.
E também nós, cristãos, podemos amar assim, uma vez que Cristo está em nós.
Agora, porém, não quero tanto propor que você imite Jesus no gesto de morrer pelos outros (quando chegou a hora dele); não quero lhe oferecer, como únicos modelos, o Frei Maximiliano Kolbe, que morreu no lugar de um companheiro de prisão; nem o Padre Damião de Molokai que, tornando-se leproso com os leprosos, morreu com eles e por eles.

Pode ser que, no decorrer dos anos, nunca seja pedido a você que ofereça a sua vida física pelos irmãos. Todavia, o que Deus certamente lhe pede é que ame esses irmãos até as últimas consequências, até o fim, até o ponto de também poder dizer: “Tudo está consumado”.

Foi o que fez a pequena Susete, uma menina italiana de 11 anos. Ela viu a sua amiguinha Georgina, da mesma idade, muito triste. Quis consolá-la, mas não conseguiu. Decidiu, então, ir até o fim e saber o motivo da sua angústia. O pai tinha morrido, e a mãe a deixara sozinha com a avó, indo morar com outro homem. Susete intuiu a tragédia e começou a fazer a própria parte. Apesar de ser pequena, pediu à amiga para falar com a mãe dela. Mas Georgina lhe pediu que fosse primeiro com ela visitar o túmulo do pai. Susete a acompanhou com grande amor e, lá, ouviu Georgina implorar, em lágrimas, que ele viesse buscá-la.

Isso cortou o coração de Susete. Havia no cemitério uma capelinha meio em ruínas. Elas entraram. Só restava um pequeno sacrário e um crucifixo. Susete disse: “Veja, nesse mundo tudo vai acabar, mas aquele crucifixo e aquele sacrário vão ficar!” Georgina, enxugando as lágrimas, respondeu: “É mesmo, você tem razão!” Depois, com delicadeza, Susete tomou Georgina pela mão e foram juntas à casa da mãe da garota.

Chegando lá, com firmeza, Susete lhe disse: “Não quero me intrometer na sua vida, mas a senhora deixou sua filha sem o afeto materno de que ela precisa. E tem mais: a senhora nunca vai ficar em paz enquanto não se arrepender e não levar Georgina para casa”.

No dia seguinte, na escola, Susete ficou ao lado de Georgina, com amor. Mas, na saída, uma surpresa: um carro veio buscar Georgina, e sua mãe estava ao volante. A partir daquele dia, o carro voltou sempre, porque Georgina já estava vivendo com sua a mãe, que abandonou, de uma vez por todas, a relação com aquele homem. Realmente, dessa pequena e grande iniciativa, pode-se dizer de Susete: “Tudo está consumado”. Ela fez bem cada coisa. Foi até o fim. E conseguiu.

Pense um pouco: quantas vezes você começou a cuidar de alguém e, depois, o abandonou, tranquilizando a sua consciência com mil e uma desculpas?
Quantas ações você começou com entusiasmo e, depois, não continuou, diante das dificuldades que pareciam superiores às suas forças? A lição que Jesus dá hoje a você é esta:

“Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”.

Faça o mesmo.
E se um dia, Deus, lhe pedir realmente a vida, você não hesitará. Os mártires iam para a morte cantando. O prêmio será a maior das glórias, pois Jesus disse que ninguém no mundo tem maior amor do que aquele que derrama o próprio sangue pelos seus amigos.

Chiara Lubich
Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em abril de 1979.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O Milagre da multiplicação

"Jesus, percebendo que queriam arrebatá-lo e fazê-lo rei, tornou a retirar-se sozinho para o monte.”
(Jo. 6, 15)


Jesus faz o milagre da multiplicação dos pães, alimentando, com apenas cinco pães e dois peixes, uma multidão de mais de cinco mil pessoas que O seguia e ouvia Seus ensinamentos. Estas pessoas não tinham onde comer e nem comprar o alimento. Jesus, contando com a generosidade de um menino que lhe doou os pães e os peixes, pôde alimentá-las e ainda sobraram doze cestos cheios.

Diante deste maravilhoso milagre, a multidão queria coroá-lo rei, o que Ele rejeita imediatamente. Aquelas pessoas não haviam compreendido o significado profundo de tal milagre. Não era o fato de tê-los alimentado que contava. Jesus, no dia seguinte, faz Seu discurso sobre o Pão da Vida, a Eucaristia. Ele mesmo daria Sua carne e Seu sangue como alimento, o verdadeiro alimento que não mantém a vida do corpo, mas dá a vida eterna. É

Seu corpo, único pão, que se multiplica nos altares de Sua Igreja e alimenta Seu povo. A sobra de doze cestos cheios significa exatamente isto: seus doze apóstolos foram encarregados de distribuir os pães e em seus doze cestos sobraram aquele pão que era destinado a alimentar outras pessoas que não estavam ali. Estas pessoas somos nós que recebemos o Pão das mãos dos sucessores dos apóstolos, os bispos e seus colaboradores, os padres.

A incompreensão do povo que presenciou este milagre continua quando quer coroar Jesus como rei. De fato, Jesus é rei, mas Seu Reino não é deste mundo e queriam que fosse seu rei somente porque se saciaram. O Reino de Deus é mais do que bem-estar. Aliás, Jesus nunca prometeu isto para quem quer segui-Lo. Hoje, vemos muitos líderes que surgem em duas áreas, atraindo o povo prometendo exatamente isto. Uma das áreas é na religião. Proliferam-se igrejas e pastores prometendo bem-estar, vida confortável.

Há casos, como nas áreas mais pobres ou como aconteceu na Guatemala após a passagem de um furacão, que estes pastores e missionários evangélicos, mostram e oferecem alimento aos necessitados para que se convertam à suas igrejas. Isto contraria a caridade que deve ser desinteressada. A caridade pode atrair as pessoas que reconhecem em quem a pratica, a bondade de Deus. Boas obras – se é que tais atitudes podem ser consideradas boas – jamais podem ser moeda de troca. Jesus nunca coagiu ninguém a se converter, nem antes nem depois de um milagre.

Outra área que tais líderes aparecem, é na política. O populismo que avança, principalmente nos países da América Latina, é uma prova disto. Aqueles governos que prometem ou dão dinheiro em forma de bolsa disso, bolsa daquilo, de maneira puramente assistencialista, são os mais populares. São estes presidentes que são aclamados “reis”. E usam esta popularidade para manipular o povo, chantageá-lo – caso saiam do governo, a mamata acaba – para se perpetuarem no poder. E, por detrás destes governos, há ações imorais e anticristãs.

Devemos combater a fome no mundo e, sem dúvida, a Igreja é a principal instituição que a faz. Deus nos deu alimento suficiente para alimentar satisfatoriamente toda a população do planeta. As técnicas agrícolas inovadoras que aumentaram e baratearam a produção de alimentos contrariaram todas as previsões catastróficas que apontavam para uma carestia em níveis nunca vistos.

O que nos falta é distribuir este alimento, não desperdiçá-lo e os mais ricos colaborarem com tecnologia e planos de desenvolvimento agrícola nas áreas mais pobres do planeta. Ou seja, o que nos falta é conversão, é deixarmo-nos guiar pela caridade de Cristo aumentada em nós pela eucaristia. E lembremos sempre que "não só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus". E que Palavra é essa senão Aquela que se fez carne por nós?


domingo, 12 de julho de 2009

Se não vos receberem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés

Marcos 6, 7-13

“Se em algum lugar não vos receberem nem vos escutarem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés em testemunho contra eles.” (Mc. 6, 11)

Jesus envia os apóstolos em missão. Eles devem pregar o Evangelho e os milagres são sinais que os acompanham. Este envio missionário continua em toda a Igreja no decorrer da História. Anunciar Jesus Cristo é a tarefa primordial da Igreja. Os milagres que porventura acontece ou as obras de caridade que a acompanha são apenas sinais do amor de Deus e jamais devem constituir seu objetivo e muito menos uma forma de chantagem ou coação para angariar adeptos como vemos acontecer em nossos dias.

Sigamos esta ordem de Cristo; nosso dever é anunciar o evangelho, com toda a sua verdade, sem açucará-lo ou destorcê-lo para ficar mais atraente com promessas de vida fácil e confortável. Que os ouvintes do Evangelho possam ter a liberdade de consciência em aceitá-lo ou não. Se rejeitarem, o problema não é nosso.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

“Vendei vossos bens e dai o dinheiro em esmola".

“Vendei vossos bens e dai o dinheiro em esmola. Fazei para vós bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói.”
(Lc 12,33)

Você é jovem e sente a exigência de uma vida ideal, sem meias medidas, radical? Ouça o que diz Jesus. Ninguém nesse mundo lhe pede tanto como Ele. Você está tendo a oportunidade de demonstrar sua fé e sua generosidade, seu heroísmo.

Você é adulto e anseia por uma existência séria, comprometida, embora sem perder a segurança? Ou então já é idoso e deseja viver seus últimos anos confiando-se a alguém que não engana, sem preocupações desgastantes? Também para você é válida essa frase de Jesus.

De fato, no Evangelho ela é precedia por uma série de recomendações em que Jesus nos convida a não nos preocuparmos com o que deveremos comer e vestir, exatamente como as aves do céu, que não semeiam, e os lírios dos campos, que não tecem. Você deve, portanto, eliminar do seu coração toda e qualquer agitação com as coisas terrenas, porque o amor do Pai por você é bem maior do que pelas aves e pelas flores, e Ele mesmo cuida de você.

É por isso que lhe diz:

“Vendei vossos bens e dai o dinheiro em esmola. Fazei para vós bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói”.
O Evangelho, no seu conjunto e em cada uma de suas palavras, é um pedido aos homens de tudo aquilo que são e que têm.

Antes da vinda de Cristo, Deus não pedia tanto assim. O Antigo Testamento considerava a riqueza terrena como um bem, uma bênção de Deus. E, se ele prescrevia dar esmola aos necessitados, era para obter a benevolência do Todo-poderoso.

Mais tarde, no judaísmo, a idéia da recompensa na outra vida já se tornara mais comum. De fato, um rei respondeu da seguinte maneira a alguém que o acusava de esbanjar os seus bens: “Meus antepassados acumularam tesouros para essa terra, enquanto que eu acumulei tesouros para o céu”.

Ora, a originalidade da frase de Jesus está no fato de que Ele pede a você o dom total, pede-lhe tudo. Quer que você seja um filho livre, sem preocupações em relação ao mundo, um filho que se apoia somente nele.

Ele sabe que a riqueza é um obstáculo enorme para você, pois ela ocupa o seu coração, enquanto Ele quer ter todo esse espaço disponível para si.

Daí, portanto, a recomendação:

“Vendei vossos bens e dai o dinheiro em esmola. Fazei para vós bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói”.

E se você não pode se desfazer materialmente dos bens, devido a obrigações para com outras pessoas, ou porque a sua posição o obriga a se apresentar de modo mais requintado, isso não o dispensa de se desapegar espiritualmente dos bens e de ser um simples administrador deles. Assim, ao mesmo tempo que lida com a riqueza, você ama os outros e, administrando-a em função deles, prepara um tesouro que a traça não corrói e o ladrão não rouba.

Mas, você tem certeza de que deve ficar com todos os seus bens? Ouça a voz de Deus que fala no seu íntimo; peça conselho, se não souber decidir. Você verá quantas coisas supérfluas encontrará entre os seus bens. Não fique com elas. Dê, dê para quem não possui. Coloque em prática a frase de Jesus: “Vendei... e dai”. Assim você encherá as “bolsas que não se estragam”.

É lógico que, para viver no mundo, é necessário interessar-se também pelo dinheiro, também pelas coisas materiais. Mas Deus quer que você se ocupe e não que se preocupe. Ocupe-se daquele mínimo que é indispensável para viver de acordo com a sua situação, conforme as suas condições. Quanto ao mais:

“Vendei vossos bens e dai o dinheiro em esmola. Fazei para vós bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói”.
O papa Paulo VI era realmente pobre . Uma demonstração disso foi o modo como ele desejou ser sepultado: num pobre caixão, “na terra nua”. Pouco antes de morrer havia dito a seu irmão: “Faz tempo que eu preparei as malas para aquela viagem tão exigente”.

Pois bem, é isso que você deve fazer: preparar as malas.
Nos tempos de Jesus talvez as malas se chamassem de bolsas. Prepare-as dia após dia. Procure enchê-las o mais que puder com aquilo que pode ser útil para os outros. Você só tem realmente aquilo que dá. Lembre-se de quanta fome existe no mundo. Quanto sofrimento. Quantas necessidades…

Ponha nessas malas também todo gesto de amor, toda obra em favor dos irmãos.
Faça essas ações por Ele. Diga-Lhe, do fundo do coração: por Ti. E faça-as bem, com perfeição. Elas estão destinadas ao céu, permanecerão para a eternidade.

Chiara Lubich

Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em março de 1979.

domingo, 5 de julho de 2009

“Jesus disse-lhes: um profeta só é desprezado na sua pátria.

“Mas Jesus disse-lhes: um profeta só é desprezado na sua pátria. Entre seus parentes e na sua própria casa.” (Mc. 6, 4)

O povo judeu se opôs fortemente a mensagem de Jesus principalmente em Nazaré, cidade na qual cresceu e viveu Sua vida comum onde trabalhava e vivia com a família. Por isso, quando começa Sua vida pública, pregando o Evangelho e fazendo milagres, seus conterrâneos e até mesmo parentes não acreditaram Nele.

Isto acontece conosco também. Muitas vezes, quando alguém que esteve em pecado público e se converte, passa a testemunhar o amor de Deus acaba sendo visto com desconfiança, como se fosse hipócrita, somente porque conhecíamos sua vida anterior. Mas também pode ocorrer o contrário. Muitos hipócritas que querem demonstrar santidade aonde vivem, são grandes pecadores quando estão entre desconhecidos.

Sejamos como Jesus que sempre demonstrou exatamente aquilo que é, sem se preocupar com a opiniões ou aceitação dos outros.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

“E Eu te declaro: Tu és Pedro...

...e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja.”
(Mt. 16, 18)


Jesus, ao perguntar a seus discípulos quem Ele era, Simão, primeiro entre os apóstolos, declara, inspirado pelo Pai, que Ele é o Cristo. Jesus, por sua vez, declara que Simão é a pedra sobre a qual edificará a Sua Igreja. Deste modo, Jesus une Pedro a Si, constituindo-o cabeça visível de Sua Igreja, pastor de Seu rebanho para assegurar a unidade da Igreja, não simbolicamente, mas com os poderes necessários para isto, representado pelas chaves do Reino.

É com a fé de Pedro que toda a Igreja deve concordar. Pedro é mais que um nome, é uma missão que continua ao longo de toda a História, em seus sucessores, o Papa, bispos de Roma, cidade a qual Pedro foi crucificado de cabeça para baixo – martirizado juntamente com São Paulo, decapitado – por amor a Cristo. Devemos, portanto, mantermo-nos em comunhão plena com o Papa para que haja uma só fé e uma só Igreja.

sábado, 20 de junho de 2009

Jesus repreendeu o vento e disse ao mar: Silêncio!

E Ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Silêncio! Cala-te! E cessou o vento e seguiu-se grande bonança?”
(Mc. 4, 39)


Neste trecho do evangelho vemos as duas naturezas de Cristo, a humana e a divina. A humana fica aparente quando o evangelista nos conta que Jesus dormia, mostrando que, como homem igual a nós, exceto no pecado, também Se cansava. Jesus é despertado pelos apóstolos que estavam com medo da tempestade que os ameaça de naufrágio. Jesus desperta e põe fim à tempestade.

Demonstrando o poder que tem sobre os fenômenos da natureza, Cristo nos mostra Sua natureza divina. A barca de Pedro é a Igreja que navega nesse mundo em meio a tantas tempestades que abatem sobre ela. Mas tenhamos confiança, Jesus Cristo está conosco “todos os dias, até o fim do mundo”. Muitas vezes nos parece que Deus está indiferente ao nosso sofrimento, mas tenhamos fé, plena confiança que Ele está na condução da História e do mundo.

domingo, 14 de junho de 2009

As várias Parábolas que Jesus conta

“O Reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra.”
(Mc. 4, 26)

São várias parábolas que Jesus conta comparando a pregação ou próprio Reino de Deus com uma semente e seu processo de germinação. Nesta parábola do grão que germina sozinho, Jesus quer ensinar que o dever de cada cristão é semear a Palavra de Deus. O efeito que esta gera nos corações não é responsabilidade nossa. Depende da abertura de cada um para a graça de Deus.

Vemos que, muitas vezes, há uma preocupação exagerada quanto ao número de fiéis na Igreja e, para mantê-lo, acabam enveredando para o proselitismo, onde a verdade é relativizada, a liturgia deformada, apenas para atrair o maior número de pessoas possível. Deus nos ama, mas não precisa de nós. A Igreja nos acolhe, mas nós necessitamos dela, não o contrário.

Cristo nunca agiu assim. Na pregação sobre o Pão da Vida, quando muitos o abandonaram porque não acreditaram em Suas palavras, em vez de correr atrás dos que iam embora, exigiu uma profissão de fé de seus apóstolos. Que sigamos este exemplo. Anunciemos o Evangelho como um todo, sem adocicá-lo ou mutilá-lo.

Que a doutrina católica seja exposta em toda a sua verdade. Quem quiser aceitá-la que se aninhe nos galhos de nossa Santa Mãe Igreja. Quem não quiser, que se vá ou fique fora.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Eu sou a videira e vós, os ramos


“Eu sou a videira e vós, os ramos. Aquele que permanece em mim, como eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim, nada podeis fazer.”
(Jo 15,5)

Você já imaginou um ramo separado da videira? Não tem futuro, não tem mais nenhuma esperança, não tem fecundidade e o seu fim não pode ser outro senão secar e ser queimado.
Pense a que morte espiritual você está destinado, como cristão, se não permanecer unido a Cristo. É assustador! É a esterilidade completa, mesmo que você trabalhe o dia inteiro ou que se considere útil à humanidade, mesmo que os amigos o elogiem e que os seus bens terrenos aumentem, ou até que faça sacrifícios consideráveis. Tudo isso pode ter um sentido para você aqui na terra, mas não tem nenhum significado para Cristo e para a vida eterna. E é essa a vida que mais importa.

“Eu sou a videira e vós, os ramos. Aquele que permanece em mim, como eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim, nada podeis fazer.”

De que modo você pode permanecer em Cristo e Cristo permanecer em você? Antes de mais nada é preciso que você acredite em Cristo. Contudo, isso não basta. A sua fé deve influir na realidade concreta de sua vida. Ou seja, você deve viver em conformidade com essa fé, colocando em prática as palavras de Jesus.

Ainda assim, Cristo não sentirá sua união com ele, se você não se esforçar para estar inserido na sua comunidade eclesial, na sua Igreja local.

“Eu sou a videira e vós, os ramos. Aquele que permanece em mim, como eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim, nada podeis fazer.”

“Aquele que permanece em mim, como eu nele”. Percebeu como Cristo fala de uma unidade sua com ele, mas também de uma unidade dele com você? Se você está unido a ele, ele está em você, está presente no íntimo do seu coração. E daí nasce um relacionamento e um diálogo de amor mútuo, uma colaboração entre Jesus e você, discípulo dele.

E eis a consequência: dar muito fruto, exatamente como um ramo bem unido à videira que produz saborosos cachos de uva.

“Muito fruto” significa que você será dotado de uma verdadeira fecundidade apostólica, ou seja, da capacidade de abrir os olhos de muitas pessoas para as palavras incomparáveis e revolucionárias de Cristo, e estará em condições de dar a essas pessoas a força de se nortear por elas.

“Muito fruto” significa ainda que você saberá suscitar, ou mesmo desenvolver, obras pequenas ou grandes para atender às mais variadas necessidades do mundo, de acordo com os dons que Deus lhe deu.

“Eu sou a videira e vós, os ramos. Aquele que permanece em mim, como eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim, nada podeis fazer.”

Todavia, “muito fruto” não significa apenas o bem espiritual ou material dos outros, mas também o seu bem pessoal.
Também o crescimento interior, também a sua santificação pessoal depende da sua união com Cristo.

Santificar-se. Nos tempos em que vivemos, talvez essa expressão lhe parecerá um anacronismo, uma coisa inútil, ou uma utopia.

Mas não é assim. O tempo presente passa e, com ele, passam também as visões parciais, errôneas, contingentes. Permanece a verdade. Dois mil anos atrás, Paulo, o Apóstolo, dizia claramente que a santificação é vontade de Deus para todos os cristãos. O Concílio Vaticano II disse que todo o povo de Deus é chamado à santidade.
Trata-se de opiniões abalizadas.
Portanto, procure colher, na sua vida, também o “muito fruto” da santificação, que será possível somente se você estiver unido a Cristo.

“Eu sou a videira e vós, os ramos. Aquele que permanece em mim, como eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim, nada podeis fazer.”

Você notou que Jesus não lhe pede diretamente o fruto, mas que o considera uma consequência do fato de “permanecer” unido a ele?
Pode ser que também você caia no erro em que se encontram muitos cristãos: ativismo, ativismo, obras, obras para o bem dos outros, sem terem o tempo de verificar se estão em tudo e por tudo unidos a Cristo.

É um erro. Tem-se a ilusão de produzir frutos, mas não são esses os que Cristo em você, Cristo com você poderia produzir. Para produzir o fruto duradouro, o que tem a marca de Deus, é preciso permanecer unido a Cristo. E, quanto mais você permanecer unido a ele, mais frutos produzirá.

De fato, se você conhece pessoas que vivem dessa maneira, vê que elas, talvez com um simples sorriso, com uma palavra, com o habitual comportamento cotidiano, com sua atitude diante das diversas situações da vida, tocam os corações, levando-os até mesmo a encontrar Deus.

E foi o que aconteceu com os santos. Nós também não devemos desanimar. Também os cristãos comuns podem produzir fruto. Veja, por exemplo, esse fato:

Estamos em Portugal. Maria do Socorro entrou na faculdade, após terminar o ensino médio. O ambiente é difícil. Muitos de seus colegas lutam, conforme a própria ideologia, e cada um quer levar consigo os estudantes que ainda não assumiram nenhuma posição política.

Socorro sabe muito bem qual é o seu caminho, embora seja difícil explicá-lo: seguir Jesus e permanecer unida a ele. É tachada de sem posição e sem ideais pelos seus colegas, que não conhecem nada de suas convicções. Algumas vezes, ela sente respeito humano, sobretudo quando entra na igreja. Mas não se desencoraja, porque sabe que deve permanecer unida a Jesus.

Aproxima-se o Natal. Socorro percebe que alguns dos colegas não podem ir festejar essa data com os familiares, pois moram muito longe, e então propõe aos demais colegas que ofereçam juntos um presente aos que não podem viajar. Surpreendetemente, todos aceitam a proposta.
Algum tempo depois acontecem as eleições para representante de curso e, para sua grande surpresa, justamente Socorro é eleita. Mas a surpresa é ainda maior quando lhe dizem: “É lógico que a eleita tenha sido você! É a única que tem uma posição bem definida, que sabe o que quer e o que fazer para realizá-la”. Alguns de seus colegas se interessaram pelo seu ideal e decidem viver da mesma forma.

Um bom fruto da perseverança de Maria do Socorro em permanecer unida a Jesus.

Chiara Lubich

domingo, 31 de maio de 2009

Recebei o Espírito Santo


“Depois dessas palavras, sobrou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados. Ser-lhe-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes. Ser-lhe-ão retidos.”
(Jo 20, 22-23)

Já no domingo da ressurreição, Jesus Cristo, aparecendo aos apóstolos dá a eles o Espírito Santo soprando sobre eles. Este sopro alude ao sopro de Deus na criação de Adão, dando-lhe a vida. Jesus restitui nossa vida da alma na graça de Deus, derramando sobre nós o Seu Espírito. O Espírito Santo vem em Pentecostes e assim nasce a Igreja, permanecendo perenemente nela e esta continuará a missão de Cristo levando a remissão dos pecados a todos os povos.

Se em Babel, a humanidade orgulhosa que tentava chegar ao céu por forças próprias é dividida pelas diferentes línguas, na Igreja, nesta construção divina, pessoas de todas as raças, nações, povos e línguas serão reunidas numa só família. Abramos nosso coração para que o Espírito Santo que recebemos no batismo e na crisma nos santifique a cada dia

sábado, 30 de maio de 2009

A FLOR DE MARACUJÁ



A palavra maracujá é de origem tupi e significa alimento em forma de cuia. Os índios já a conheciam muito antes dos colonizadores chegarem ao Brasil.

Os jesuítas foram os responsáveis pelo seu descobrimento e catalogação, bem como a divulgação do seu sabor e propriedades calmantes.

Todavia ainda não haviam vislumbrado o que o maracujá, a fruta da paixão, tem de mais belo, a sua flor.

Missionários espanhóis do século XVI viram a flor do maracujá e ficaram em êxtase. Acharam que sua estrutura representava a Paixão de Cristo. As pétalas e sépalas representavam os apóstolos, as anteras simbolizavam as chagas de Cristo, os três estigmas faziam referência aos três pregos na cruz, e os filamentos a coroa de espinhos....As flores seriam manchadas de roxo em virtude do sangue de Cristo.

A flor do maracujá é mesmo mágica, foi cantada em verso e prosa ao redor do mundo. Quando a vi pela primeira vez tive uma sensação de tristeza e alegria ao mesmo tempo, algo que me provou que sentimentos opostos podem sim conviver num mesmo corpo. (André Luiz Aquino)

O nosso Catulo da Paixão Cearense, cantou em versos, na ingenuidade da linguagem sertaneja, toda a beleza e sim-plicidade dessa mística religiosa, como veremos a seguir:

A FLOR DO MARACUJÁ
Catulo da Paixão Cearense

Encontrando-me com um sertanejo,
perto de um pé de maracujá,
eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo...
Porque razão nasce roxa
A flor do maracujá?

Ah, pois então eu lhi conto,
a istória que ouvi contá...
A razão pru que nasci roxa,
a frô do maracujá.

Maracujá já foi branco,
eu posso inté lhe ajurá...
Mais branco qui caridadi,
mais branco do que o lua...

Quando a frô brotava nele,
lá pros cunfim do sertão,
maracujá inté parecia
um ninho de argodão

Mais um dia, há muito tempo,
num meis que inté num mi alembro,
si foi maio, si foi junho,
si foi janero ou dezembro...

Nosso sinhô Jesus Cristo,
foi condenado a morrê...
Numa cruis crucificado,
longe daqui como o quê...

Pregaro Cristo a martelo...
E ao vê tamanha crueza,
a natureza inteirinha,
Poisse a chorá di tristeza...

Chorava us campu,
as foia, as ribera...
Sabiá também chorava
Nus gaio da laranjera...

E havia junto da cruis,
um pé de maracujá...
Carregadinho di frô,
aos pé de nosso Sinhô...

I o sangui de Jesus Cristo,
sangui pisado di dô,
nus pé du maracujá,
tingia todas frô...

Eis aqui seu moço,
a istoria que eu vi contá,
a razão pruque nasce roxa...
A frô do maracujá
.

LOR DO MARACUJÁ
Catulo da Paixão Cearense


sexta-feira, 22 de maio de 2009

Administradores da graça de Deus


Edite, uma jovem cega de nascença, vive numa instituição para deficientes visuais. Ali, o capelão, paralítico, não consegue mais celebrar a Missa e por esse motivo foi proposto retirar Jesus Eucaristia da casa. Edite pede que o bispo autorize a permanência da Eucaristia porque, essa é a única luz em suas trevas. E ela consegue não só essa permissão mas também a licença para distribuir ela mesma a comunhão para o próprio sacerdote e para as outras companheiras que vivem com ela.

Sempre querendo ser útil, Edite consegue ainda dispor de um programa diário de várias horas numa rádio local. Ela se utiliza desse meio para oferecer aquilo que tem de melhor – conselhos, pensamentos, esclarecimentos de ordem moral – a fim de encorajar com a sua experiência as pessoas que sofrem. Edite… e poderíamos contar ainda outras tantas coisas a seu respeito. Ela é cega e foi o sofrimento que a iluminou.

Mas teríamos ainda muitos outros exemplos de outras pessoais para citar! O bem existe mas não faz estardalhaço.

Edite vive concretamente como cristã. Ela sabe que recebeu dons, como cada um de nós, e os coloca a serviço dos outros.

Sim, porque a palavra “dom” (ou “carisma” como se costuma dizer, usando a palavra de origem grega) não exprime somente as graças com as quais Deus favorece aqueles que devem governar a Igreja. Nem tampouco se refere somente àqueles dons extraordinários que ele julga oportuno mandar diretamente a algum fiel, para o bem de todos, quando pensa ser necessário remediar situações extraordinárias na Igreja ou evitar perigos graves, para os quais não são suficientes as instituições eclesiásticas.

Esses dons podem ser a sabedoria, a ciência, o dom dos milagres, ou o de falar línguas, o carisma de suscitar uma nova espiritualidade na Igreja e outros mais.

Os dons ou carismas não são apenas esses, mas também outros, mais simples, que muitas pessoas possuem e que se manifestam através do bem que realizam. O Espírito Santo trabalha.
Além disso, podem ser chamados de dons ou carismas também os talentos naturais. Todo mundo, portanto, os possui. Também você.

Como usá-los, então? Você deve pensar em como fazê-los render.
Eles lhe foram dados não só para você, mas, justamente, para o bem de todos.

“Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um coloque à disposição dos outros o dom que recebeu” .

É imensa a variedade dos dons. Cada um de nós possui o seu e, portanto, tem a sua função específica na comunidade.

Vejamos, então, qual é o seu caso?

Você tem algum diploma? Nunca pensou em colocar à disposição algumas horas da semana para ensinar a quem precisa de ajuda, ou não tem os meios para estudar?
Você é particularmente generoso? Nunca pensou em mobilizar forças sociais ainda sadias em benefício de pessoas pobres e marginalizadas, despertando assim no coração de muita gente o senso da dignidade humana?

Você tem um jeito todo especial para consolar as pessoas? Ou então para cuidar da casa, para cozinhar, para confeccionar de modo econômico roupas úteis ou para fazer trabalhos manuais? Olhe ao seu redor e veja quem precisa de você.

Para mim é doloroso ver que existe gente que se ocupa em descobrir e ensinar maneiras de preencher o tempo livre. Nós, cristãos, não teremos tempo livre enquanto houver na terra um doente, um faminto, um encarcerado, um ignorante, um desorientado, um triste, um drogado, um órfão, uma viúva...

E você também não acha que a oração é um dom formidável a ser utilizado, uma vez que em cada momento você pode dirigir-se a Deus, presente em toda parte?

“Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um coloque à disposição dos outros o dom que recebeu”

Você já imaginou uma Igreja em que todos os cristãos, desde as crianças até os adultos, fizessem todo o possível para colocar à disposição dos outros os seus dons?

O amor mútuo haveria de adquirir uma tamanha consistência, uma tão grande amplitude e relevo, que poderia levar os outros a reconhecer nisso quem são os discípulos de Cristo.
E então, se é esse o resultado, por que não fazer de tudo para alcançá-lo?

Chiara Lubich