domingo, 30 de dezembro de 2007

Sagrada Família


Ainda no clima do Natal a liturgia nos apresenta a FAMÍLIA SAGRADA onde essa criança cresceu e viveu como exemplo e modelo para todas as famílias.

As leituras bíblicas fornecem indicações práticas para nos ajudar a construir famílias felizes que sejam espaços de encontro, de partilha, de fraternidade, de amor verdadeiro.


A 1ª Leitura, desenvolve e explica o 4º Mandamento. Lembra os deveres dos filhos para com os pais. Essa observância é desejada e abençoada por Deus (Eclo 3,3-7.14-17a).

A 2ª Leitura, mostra o espírito que deve reinar numa família: "Revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, mansidão e paciência, suportando-vos e perdoando-vos mutuamente." (Cl 3,12-21) E acrescenta um recado às Esposas, aos Maridos, aos Filhos e aos Pais.

O Evangelho nos apresenta a FAMÍLIA SAGRADA em três momentos da Infância de Jesus: Belém, Egito, Nazaré. (Mt 2,13-15.19-23)

Nessas migrações, JESUS é conduzido por Deus e protegido pelos seus Pais.

A FAMÍLIA DE NAZARÉ é uma família como qualquer família de ontem, de hoje ou de amanhã, que se defronta com crises, dificuldades e contrariedade, no entanto É uma família unida e solidária. Nela existe verdadeiro Amor e solidariedade. Não hesita enfrentar os perigos do deserto e o desconforto do exílio, quando um de seus membros corre risco.

É uma família que escuta a Palavra de Deus e nessa escuta consegue vencer as contrariedades, superar os riscos e descobrir os caminhos para assegurar a seus membros a vida e o futuro.

JOSÉ aparece atento às indicações de Deus, e aceita a sua vontade. Tudo sacrifica em defesa da vida daquele menino, que Deus lhe confiou.

É uma família que obedece a Deus! Diante das indicações de Deus, não discute nem argumenta; mas cumpre à risca os desígnios de Deus. E é, precisamente, no cumprimento obediente dos projetos de Deus que assegura a esta família um futuro de vida, de tranqüilidade e de paz.

A Sagrada Família, modelo da família cristã. Costuma-se dizer que a Sagrada Família é modelo da família cristã, não tanto em seu contexto sócio cultural e histórico, mas quanto em seus valores fundamentais, especialmente o Amor, que lhe deram coesão, significado e missão de salvação nos planos de Deus.

"a família é a fonte da vida e o berço da fé."
João Paulo II

Família, instituição em crise ou em mudanças? A família está em crise, ou é um modelo já superado? Sem dúvida a família é a célula base da Igreja e da sociedade, mas está passando por uma transformação profunda.

Na Família do Passado, primava a relação vertical: uma instituição fechada, de cunho patriarcal. O PAI detinha a autoridade e era responsável na parte econômica; A MÃE atendia aos afazeres domésticos e cuidava dos Filhos; os filhos submetidos à autoridade paterna. Dava-se muito valor à AUTORIDADE.

A Família Atual, prima as relações horizontais dentro da família. Dá-se preferência ao DIÁLOGO, à co-responsabilidade, à igualdade, ao companheirismo e à amizade entre marido e esposa, entre pais e filhos. Contudo a família sofre hoje muitas influências negativas e muitos fatores de desagregação...

Quais os valores permanentes na família? Comunhão inter-pessoal de Amor e de Vida. O Amor fiel, único, exclusivo e para sempre. Os Filhos não são vistos como propriedade ou bens adquiridos, mas como vida e prolongamento vital de um amor pessoal, que educa e orienta para a liberdade responsável.

Comunidade aberta aos valores do mundo de hoje: A solidariedade, a responsabilidade, a fraternidade e o compromisso com os direitos humanos...

Igreja doméstica: Só assim a família cristã testemunhará a fé, a esperança e a caridade. Uma igreja doméstica que contribui para a santificação do mundo.

E a Nossa Família, como vai? À moda antiga ou atual?


Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa

30.12.2007

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Santos Inocentes

"Os meninos inocentes foram mortos por causa do Cristo. Eles seguem o Cordeiro sem mancha, e cantam: Glória a ti, Senhor"!

Somente a monstruosidade de uma mente assassina, cruel e desumana, poderia conceber o plano executado pelo sanguinário rei Herodes: eliminar todas os meninos nascidos no mesmo período do nascimento de Jesus, para evitar que vivesse o Rei dos judeus. Pois foi isso que esse tirano arquitetou e fez.

Impossível calcular o número de crianças arrancadas dos braços maternos e depois trucidadas. Todos esses pequeninos se tornaram os "Santos Inocentes", cultuados e venerados pelo povo de Deus. Eles tiveram seu sangue derramado em nome de Cristo, sem nem mesmo poderem "confessar" sua crença. Quem narrou para a História foi o Apóstolo Mateus, em seu Evangelho. Os reis magos procuraram Herodes, perguntando onde poderiam encontrar o recém-nascido Rei dos judeus para saudá-lo. O rei consultou então os sacerdotes e sábios do reino, obtendo a resposta de que o Ele teria nascido em Belém de Judá, Palestina.

Herodes, fingindo apoiar os magos em sua missão, pediu-lhes que depois de encontrarem o "tal Rei dos judeus", voltassem e lhe dessem notícias confirmando o fato e o local onde poderia ser encontrado, pois "também queria adorá-lo". Claro que os reis do Oriente não traíram Jesus. Depois de visitá-lo na manjedoura, um Anjo os visitou em sonho avisando que o Menino-Deus corria perigo de vida e que deveriam voltar para suas terras por outro caminho. O encontro com o rei Herodes devia ser evitado.

Eles ouviram e obedeceram. Mas o tirano ao perceber que havia sido enganado, decretou a morte de todos os meninos com menos de dois anos de idade nascidos na região. O decreto foi executado à risca pelos soldados do seu exército.

A festa aos Santos Inocentes acontece desde o século IV. O culto foi confirmado pelo Papa Pio V, agora Santo, para marcar o cumprimento de uma das mais antigas profecias, revelada pelo profeta Jeremias: a de que "Raquel choraria a morte de seus filhos" quando o Messias chegasse. Esses pequeninos inocentes de tenra idade, de alma pura, escreveram a primeira página do álbum de ouro dos mártires cristãos e mereceram a glória eterna segundo a promessa de Jesus. A Igreja preferiu indicar a festa dos Santos Inocentes para o dia 28 de dezembro por ser uma data próxima à Natividade de Jesus, uma vez que tudo aconteceu após visita dos reis magos. A escolha foi proposital, pois quis que os Santinhos Inocentes alegrassem com sua presença a manjedoura do Menino Jesus.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Bem-aventurada Aquela que acreditou

"Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre"

Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor”. (Lucas 1,39-45)


“Bem-aventurada Aquela que acreditou”:

Maria é bem-aventurada, como lhe diz sua prima Isabel, não apenas porque Deus a olhou, mas porque acreditou. A sua fé é o mais belo produto da bondade divina. Mas foi necessário que a arte inefável do Espírito Santo poisasse sobre Ela, para que tanta grandeza de alma se unisse a tanta humildade no segredo do seu coração virginal. A humildade e a grandeza de alma de Maria são, como a sua virgindade e a sua fecundidade, semelhantes a duas estrelas que se iluminam mutuamente, porque em Maria a profundidade da humildade em nada prejudica a generosidade da alma, e reciprocamente. Julgando-se a si mesma de forma tão humilde, Maria nem por isso foi menos generosa na sua fé na promessa que lhe tinha sido feita pelo anjo. Ela que apenas se considerava uma pobre serva, não duvidou de que tivesse sido chamada a este mistério incompreensível, a esta união prodigiosa, a este segredo insondável. E acreditou imediatamente que se tornaria de facto a Mãe de Deus encarnado.

É a graça de Deus que produz esta maravilha no coração dos eleitos; a humildade não os torna receosos e timoratos, como a generosidade de alma os não torna orgulhosos. Pelo contrário, nos santos, estas duas virtudes reforçam-se uma à outra. A grandeza de alma, não só não abre a porta ao orgulho, como é sobretudo ela que permite avançar no mistério da humildade. Com efeito, os mais generosos ao serviço de Deus são também os mais penetrados pelo temor do Senhor e os mais reconhecidos pelos dons recebidos. Reciprocamente, quando está em jogo a humildade, cobardia alguma se insinua na alma. Quanto menos tem o hábito de presumir das suas próprias forças, mesmo nas coisas mais pequenas, mais a pessoa se confia ao poder de Deus, mesmo nas maiores
.

Sermão para a oitava da Assunção, sobre as doze prerrogativas de Maria São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja

sábado, 15 de dezembro de 2007

Jesus lhes falava de João Batista

"O destino cruel reservado ao Batista revelou a leviandade dos esquemas religiosos e políticos de seu tempo".

Ao descerem do monte, os discípulos perguntaram a Jesus: "Por que os mestres da lei dizem que Elias deve vir primeiro?" Jesus respondeu: "Elias vem e colocará tudo em ordem. Ora, eu vos digo: Elias já veio, mas eles não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles". Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista. Palavra do Senhor! (Mt 17, 10-13)

Questionando uma doutrina

Os mestres da Lei prenunciavam a vinda de Elias como sinal de realização das esperanças messiânicas. Esta doutrina fundava-se na crença de que haveria uma restauração gloriosa de Israel, por obra do Messias. Este triunfalismo foi questionado por Jesus.

A tarefa atribuída ao profeta Elias - "colocar tudo em ordem" - fora desempenhada por João Batista. Sua vida humilde e ascética impediu que os triunfalistas o reconhecessem. Só os simples foram capazes de perceber a importância da pregação do Precursor, e se deixaram batizar por ele, confessando seus pecados, dispostos a se converterem.

O destino cruel reservado ao Batista revelou a leviandade dos esquemas religiosos e políticos de seu tempo. Esperando uma manifestação espalhafatosa de Deus, que a eximisse da responsabilidade de estar sempre vigilante e em discernimento, a liderança religiosa fez-se surda aos apelos de quem exigia dela uma decisão responsável e livre. Desta forma, ela desprezou a oportunidade oferecida por Deus.

O caminho trilhado por Jesus foi idêntico ao do Batista. Despojado de qualquer pretensão mundana, fez-se solidário com os pobres e marginalizados, os deserdados deste mundo. Por isso, quem cultivava a mesma mentalidade triunfalista dos adversários do Batista jamais poderia confessá-lo como Messias. Só quem entendia que a obra de Deus acontece na contramão da mentalidade humana estava em condições de tornar-se discípulo.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Vigia e Orai...


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra. Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do homem". Palavra da Salvação! (Lc 21, 34-36)

VIGIAI E ORAI

O grande perigo das pessoas em relação à escatologia é a dissipação do coração. Os atrativos e prazeres da vida, o acúmulo exagerado de bens materiais, a liberação dos instintos egoístas são todos elementos que corrompem o coração humano, impedindo-o de se preparar para o encontro com o Senhor.

Jesus recomenda vigilância e oração como as formas melhores de nos colocarmos em clima de espera. Vigiar é ser capaz de detectar tudo quanto possa desviar nossa atenção do fim almejado, acabando por nos afastar dos caminhos de Deus. São muitas as formas com que o mau espírito procura atuar, para alcançar o seu fim. Quem cochila, acaba caindo na armadilha para pegar os incautos. Só os vigilantes conseguem safar-se das investidas do maligno.

A oração, por sua vez, coloca-nos em contínua ligação com Deus, de quem recebemos luz e força para permanecer em pé, vigilante à espera do Senhor. Ela predispõe-nos para escutar os apelos divinos e deixar-nos guiar por eles. Sensibiliza-nos para realizar o projeto de Deus. Mantém-nos sempre atentos à prática do bem, como faz o Pai em benefício da humanidade.

Portanto, perseverar na espera requer uma atitude de atenção à história e de comunhão profunda com Deus.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Solenidade de Cristo Rei


Na solenidade de Cristo Rei*, precisamos trazer presente na consciência a convicção de que cabe a nós construir o reino de Cristo - já aqui e agora em nossa existência passageira - para vivê-lo na plenitude da eternidade.

Nos tempos em que estamos vivendo, muitas vezes parecemos experimentar um sentimento de total desesperança tanto nas estruturas como nos homens e mulheres. Muitos de nós temos a impressão de que o ser humano tem a tendência para o mal. Assim, podemos chegar a pensar que nada adianta lutar contra o mal e contra as estruturas injustas e opressoras de nosso tempo. Afinal, dizem alguns, elas sempre vencem: a maldade sempre vencerá a bondade; a injustiça sempre triunfará sobra a justiça. E a paz, ora a paz! Esta está cada vez mais longe.

A liturgia da Solenidade de Cristo Rei, entretanto, aponta para esperança. Cristo venceu o mal e a morte e nos introduziu em seu reino de justiça e paz. O ser humano pode, se deixado a si mesmo, tender para o pecado e para a morte. Mas o Cristo da fé nos fala de seu reino e, em toda a prática da sua vida, nos aponta as formas de torná-lo realidade. O reino de Deus não tem os mesmos valores do reino dos homens - a ganância, o lucro, a violência, a opressão, a corrupção e a guerra. Ao contrário, o reino do qual Cristo é o Rei tem os valores que pulsam no profundo do nosso ser. Nós ansiamos pela paz, pela justiça, pela fraternidade, pela igualdade; nós ansiamos viver num mundo de amor. Sonhamos com um mundo assim!

Na solenidade de Cristo Rei, precisamos trazer presente na consciência a convicção de que cabe a nós construir o reino de Cristo - já aqui e agora em nossa existência passageira - para vivê-lo na plenitude da eternidade. E aos leigos e leigas, cuja festa comemoramos, cabe, por sua vocação batismal, a vivência nas estruturas da sociedade - a começar de sua família, de seu trabalho, até a vida pública, aí incluindo a ação política. A paz e a justiça não são ideais distantes. Ao contrário, podem e devem ser realidade, se todos os cristãos e cristãs - e principlmente os leigos e leigas - fizerem delas o objetivo de sua vida.

Carlos Signorelli
Presidente do CNL

Leigos e leigas são chamados - vocacionados - a viver no tecido humano da sociedade e lá tornar realizade os sinais do reino de Deus.

*Domingo, 25/11/2007, a Igreja encerrou o seu ano litúrgico comemorando a Solenidade de Cristo Rei e o dia dos leigos e leigas.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

A morte, um mistério

A morte permanece para o homem um mistério profundo. Mistério cercado de respeito também pelos que não crêem. Ser cristão muda alguma coisa no modo de considerar e enfrentar a morte? Qual a atitude do cristão diante da pergunta sobre o sentido último da existência humana, que a morte nos põe continuamente? A resposta se encontra na profundeza da nossa fé. Para o cristão, a morte não é o resultado de uma luta trágica que se deva afrontar com frieza e cinismo. A morte do cristão segue as pegadas da morte de Cristo: um cálice amargo, porque fruto do pecado, a beber até o fim, porque é a vontade do Pai, que nos espera de braços abertos do outro lado do limiar; morte que é uma vitória com aparência de derrota; morte que é essencialmente não-morte: vida, glória, ressurreição.

Como se dará tudo isso precisamente não podemos saber; não cabe ao homem medir a imensidade do dom e das promessas de Deus. A despedida dos fiéis é acompanhada da celebração eucarística, memória da morte de Jesus na cruz e penhor da sua ressurreição. O prefácio tem um tom de humana suavidade e divina certeza: "Nele refulge para nós a esperança da feliz ressurreição. E aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Ó Pai, para os que crêem em vós, a vida não é tirada, mas transformada, e desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível".

Face a face com Cristo

A morte do cristão não é um momento no fim do seu caminho terreno, um ponto isolado do resto da vida. A vida terrena é preparação para a do céu, nela estamos como criancinhas no seio materno: nossa vida na terra é um período de formação, de luta, de primeiras opções. Ao morrer, o homem se encontrará diante de tudo o que constituiu o objeto das suas aspirações mais profundas: encontrar-se-á diante de Cristo e será a opção definitiva, construída por todas as opções parciais desta terra.

Cristo espera eternamente com os braços abertos; o homem que optou contra Cristo, será queimado eternamente por aquele mesmo amor que repeliu. O homem que se decide por Cristo encontrará no mesmo amor a plena e infinita alegria.

"Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno"

Podemos fazer alguma coisa pelos mortos? Eles não estão longe de nós; pertencem todos - os mortos no abraço de Deus - à comunidade dos homens e à comunidade da Igreja.

A oração pelos defuntos é uma tradição da Igreja. De fato, subsiste no homem, também quando morre em estado de graça, muita imperfeição, muita coisa a ser mudada, purificada do antigo egoísmo! Tudo isto acontece na morte. Morrer significa morrer também ao mal. Éo batismo de morte com Cristo, no qual encontra acabamento o batismo de água. Esta morte vista pelo outro lado - assim crê a Igreja - pode ser uma purificação, a definitiva e total volta à luz de Deus. Quanto tempo durará? Isto está fora do nosso tempo. Não podemos determinar tempo nem lugar. Mas, partindo do nosso ponto de vista humano, há um tempo durante o qual consideramos alguém como "morto" e o ajudamos com nossa oração. De quantos meses ou anos se trata, ninguém pode dizê-lo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Jesus, eu confio em Vós

Jesus, Eu Confio em Vós



Muitos de vocês já devem conhecer a devoção à Divina Misericórdia. Para quem não conhece, trata-se de uma devoção pedida por Jesus a Santa Faustina e que apela à Confiança em Cristo em todos os momentos e à conversão das pessoas. Jesus veio chamar os pecadores arrependidos, já o diz a Bíblia, e está sempre à nossa espera de braços abertos.



Jesus pediu também a Santa Faustina que pintasse esta imagem para não esquecermos que Ele está sempre com a Sua mão levantada para nos abençoar e para não esquecermos que os dois raios lembram a água e o sangue de purificação e redenção que saíram do tronco de Jesus na sua morte na cruz. Pediu ainda para se rezar o Terço da Divina Misericórdia, de preferência à Hora da Misericórdia (15h), a Novena e a Festa da Misericórdia a seguir à Páscoa. Podem ver mais pormenores em http://espaco-de-paz.awardspace.com/misericordia_divina.html .



Quando falo disto, há quem olhe para mim com aquela cara:"Sim, mais uma devoção. Para quê?" Pois, para muita coisa. Não é apenas uma questão de rezarmos o terço, por exemplo, e ficarmos com menos um peso na consciência. Não! Se rezamos deve ser por Amor a Deus. Mas, a devoção da Divina Misericórdia tem-me trazido, sobretudo, uma maior confiança em Cristo. Sinto mais a Sua Presença, entendo melhor o sofrimento, enfrento melhor as agruras da vida, tenho mais esperança e mais Amor por Cristo.



E porquê? Porque o principal desta devoção é isso: aumentar a nossa confiança, fé, esperança e actos de amor. É, acima de tudo, compreender melhor o sacrifício na cruz de Jesus. Porque uma das coisas que Jesus nos pede ao rezar o terço, a novena, etc, é pensarmos na Sua Dolorosa Paixão. Pensarmos no Seu Amor por nós que para nos defender e nos mostrar que Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida, carregou a cruz até ao Calvário. E ao percebermos e interiorizarmos melhor esta entrega, estamos também a amar Cristo e a consolá-Lo pelas atrocidades que vão sendo cometidas por não sabermos usar a liberdade que nos deu da melhor maneira.

Já agora, ao olharem para a imagem
o que é que vos marca mais?
O que é que vos faz lembrar?

segunda-feira, 15 de outubro de 2007


Uma Hora porDARFUR

Dia 24 de Novembro às 21.30h, o grupo Fé e Missão dos Missionários Combonianos, em comunhão com outros grupos de jovens, organiza uma hora pelo Darfur em VN Famalicão, Coimbra e Santarém.

É uma hora de informação, reflexão e oração para recordar o Drama humanitário que se vive no Darfur. Queres fazer parte desta HORA? Associa-te a nós, onde estiveres!

O que te propomos de fazer nesse dia, nessa hora (ou outro dia e outra hora): -
Passa uma hora (ou só um momento) de oraçãopelo Darfur, no teu quarto, na rua, com os amigos;

- Com o teu grupo de jovens organiza uma hora por Darfurna tua paróquia e convida todas as pessoas a participarem;

O que te podemos oferecer (se o desejares e pedires):
· Esquema de HORA (a modificar ao vosso gosto).
· Material a utilizar (vídeo, PPT, textos explicativos, …)

Entra nesta onda!
OLHA A HORA!
Está na hora de agir!
Basta uma HORA!

Além desta iniciativa, eis outras em que podes participar:
Imprimir e assinar E DAR A ASSINAR (frente e verso)www.pordarfur.org/htmls/EElyypFpZEixFpxrrw.shtml

Assinar on line: Petição à presidência da União Europeiawww.ipetitions.com/petition/porDarfur/

Escrever uma carta:Uma carta apelando por Darfur,apelando à presidência da união Europeia

Ajudar numa escola no Darfur:www.pordarfur.org/htmls/EElAAFVEAyrhsxTJdj.shtmlhttp://www.combonianos.pt/formdonativos.shtmlComo vês há muita coisa a fazer.

É preciso é pôr mãos à obra.
Não feches os olhos! … Vê!
Não cales a voz! … Grita!
Não cruzes os braços! … Age!
Divulga estas iniciativas aos teus contactos e participa!

Para todas as informações e pedidos:Leonel Claro / CVJ – Missionários CombonianosAreeiro - 3030-168CoimbraTel: 239701172 / Mail: jovemissio@gmail.com
E visita:PorDarfurJovens e Missão

PS: Regularmente vamos actualisando a lista dos grupos (ou indivíduos) que aderirem a esta iniciativa na página Uma Hora porDARFUR.

Iniciativa promovida por - Jovens e Missão - .

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Uma SMS pelos cuidados paliativos!




De 6 a 13 de Outubro é a Semana Nacional dos Cuidados Paliativos.

Como forma de angariar fundos para a formação de técnicos, a Associação Nacional de Cuidados Paliativos (http://www.apcp.com.pt/) pede-nos para enviarmos uma SMS para o 4222 a dizer Cuidados Paliativos Sim. O custo da chamada é de 0,60 € e uma parte reverte para a associação.
Como vêem a quantia não é muita, por isso quantos mais SMS, melhor. Divulguem!

Para quem não sabe, os cuidados paliativos são essenciais em doenças terminais ou crónicas e degenerativas. Com estes cuidados, os doentes têm um acompanhamento personalizado, o que ajuda a diminuir o sofrimento físico, mas também psicológico.

Não custa nada. É só uma mensagem e divulgar pelos nossos amigos e familiares.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Ir caminhando...

Caminha com simplicidade pela estrada do Senhor e não atormentes o teu espírito. É preciso que odeies os teus defeitos, mas com um ódio tranquilo e nunca aborrecido e inquieto.
Padre Pio, in O Grande Amor de Deus - 365 Dias Com Padre Pio

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Lembram-se da criança de quatro meses que precisa de transplante de medula?Pois... Jesus chamou-a ontem à noite. Já não está entre nós, fisicamente. Rezemos pelos pais. Neste momento precisam de todo o apoio.
E... não deixemos de ser dadores, se pudermos. Há sempre pessoas a precisarem da nossa ajuda.

domingo, 7 de outubro de 2007

O Amor de Jesus

Jesus ama-nos como somos e não como deveríamos ser, já que nenhum de nós é como deveria ser.
A vida do Apóstolo Paulo está ancorada na sua amizade íntima com Jesus. "Para mim o viver é Cristo" (Filipenses 1, 21). Diariamente, Paulo entrega a sua vida a Jesus, confia Nele, louva-O, pede-Lhe aquilo de que precisa, encontra Nele a sua razão de ser e com gratidão aceita o seu amor, sabendo que ele não conhece sombra de mudança.Ele "amou-me e entregou a si mesmo por mim (Gálatas 2, 20). Nunca deixe que estas palavras sejam interpretadas como mera intelectualização de Paulo. O amor de Jesus Cristo era uma realidade ardente e divina para ele, e a sua vida é incompreensível excepto em termos dele. Paulo teria sido soterrado na história como um zelote desconhecido, não fosse o seu amor imenso e intransigente pela pessoa de Jesus. Se algum de nós abordasse Paulo e quisesse discutir a reforma paroquial ou a adoração contemporânea, ele responderia: "Não tenho nenhuma compreensão de igreja ou de religião excepto em termos do homem sagrado, Jesus, que me amou e entregou-se por mim."

Brennan Manning -"A assinatura de Jesus"

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Para que o Carlinhos possa viver!

A Elsa do http://eu-estou-aki.blogspot.com/ deixa-nos este apelo.


Olá, eu sou o Carlos Miguel
e tenho só 4 meses de idade.
Preciso urgentemente da tua ajuda,
pois tenho que fazer umtransplante
de Medula Ósseapara poder viver.

O Carlinhos trava neste momento uma luta com a vida...
encontra-se no Hospital Pediátrico de Coimbra,
é natural da Sertã, Concelho de Proença-a-Nova,
e necessita urgentemente de um transplante de medula óssea.
Todos somos chamados a defender a vida,
por isso aqui fica o apelo:

Vamos todos ajudar o pequenino Carlos!
E para ajudar basta ter entre 18 e 45 anos!
Os pais e amigos estão a apelar à solidariedade de todos,
para que se mobilizem com vista a uma recolha de sangue
para encontrar um dador de medula óssea compativel.

A Câmara Municipal de Proença-a-Nova
está empenhada na divulgação e recolha
de inscrições para dadores.

As inscrições podem ser feitas em:
Câmara Municipal de Proença-a-Nova
Bombeiros Voluntários de Proença-a-Nova
Café Ponto de Encontro (Proença)
Oculista Jacinto ( Sertã)
Creche Jardim Escola S. Casa Misericórdia ( Sertã)
Agrupamento de Escolas (Sertã e Proença-a-Nova)
Casa do Benfica de Proença-a-Nova
Pronto a vestir Texano
E todos os que puderem ajudaresta criança que luta pela vida,
podem fazê-lo enviando mail para:pelavidadocarlinhos@gmail.com
Outras informações, podem contactar - Paulo - 96 706 82 01

segunda-feira, 1 de outubro de 2007




Hoje é o dia da Padroeira das Missões, Santa Teresinha do Menino Jesus. Aqui deixo um poema escrito por ela.





Quereria percorrer a terra

E pregar o Teu nome, Jesus,

Ser Apóstolo em solo infiel

E plantar gloriosa a Tua cruz.


Só o Amor faz agir a Igreja,

Mas se o Amor se viesse a extinguir

Os Apóstolos não anunciariam

Nem os mártires a vida dariam.


Compreendi que o Amor encerra,

Em si mesmo, todas as vocações.

Compreendi que o Amor é tudo,

Que abarca os tempos e os lugares.


Encontrei finalmente o meu lugar

Fostes Vós, ó meu Deus, que mo destes:

No coração da Igreja, miha mãe,

Eu serei Amor!

E assim serei tudo!

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Por Amor ... Uma Carta!

Sim, eu sei que já falei muito do Darfur! Mas, se o faço é porque estamos perante uma tragédia humana que precisa de ter um fim.


Por iniciativa do - Jovens e Missão - e do - Eu estou aki - , convidamo-vos a escrever uma carta pelo Darfur. Esta carta será entregue à Presidência da União Europeia, tal como a petição que está e curso. O lema é "Por Amor... Uma Carta!".


Podem enviar por correio ou por mail. Aqui ficam os contactos.


CVJ – Missionários Combonianos Areeiro3030-168 Coimbra


Mais informações em - http://www.pordarfur.org/

Este povo merece! E precisa muito da nossa ajuda! Vamos escrever?

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Festa da Exaltação da Santa Cruz

14 de setembro, A Igreja celebra a festa da exaltação da Santa Cruz

João, capítulo 3 versículos de 13 a 17.

“Assim como Moisés - diz Jesus - levantou a serpente no deserto, é preciso que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que o contemplar, seja salvo”.

Todos os judeus imaginaram um Messias exaltado, sonharam com um messias que levaria o seu povo aos píncaros da exaltação!

O messias foi realmente exaltado! Ele foi elevado, como Moisés outrora levantou a serpente no deserto, mas, de maneira irônica que só Deus podia inventar.

Foi levantado ao ser pregado numa cruz. Bem alto, à vista de todos, para que todos o pudessem contemplar.

Nos primeiros anos do cristianismo, não era de bom tom falar em cruz ou em crucifixão e os primeiros cristãos não usaram como símbolo o crucifixo. Usaram o peixe ou então a imagem do bom pastor.

Apenas mais tarde em 335 da nossa era, quando Constantino e sua mãe Helena construíram a grande basílica da Anástasis, isto é da ressurreição em Jerusalém, no local do calvário e do Santo Sepulcro, a cruz de instrumento infame, se transformou em instrumento de Glória.

Começou então a aparecer nas coroas e cedros dos reis e imperadores.

Jesus pregado na cruz, é a resposta de Deus a todos os nossos anseios, Jesus pregado na cruz quer ser o sinal sacramento de que Deus nos ama.

É preciso que toquemos com as mãos e de maneira bem concreta a profundidade do amor de Deus para com cada um de nós. Este toque, cada um de nós pode realizar colocando suas mãos hoje no crucificado.

Lá está Jesus permanentemente olhando para nós. De braços abertos, não rejeita ninguém, nem mesmo pessoas inoportunas. Não rejeita nenhum pecador.

A todos quer mostrar o quanto Deus nos ama. A todos quer trazer a salvação de Deus. É isto que nós hoje celebramos na liturgia da festa da exaltação da cruz. Festa do amor incomensurável de Jesus, festa da profundidade de seu mistério para conosco e festa de nossa salvação.
Padre Fernando J. C. Cardoso

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

AIS - Meditação



"Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, por teres ocultado isso aos sábios e aos inteligentes e por tê-lo revelado aos pequenos" (Mt 11,25).

Os "pequenos" são os mesmos "pobres de espírito" que o Senhor chamou de bem-aventurados. Sua pobreza não é considerada do ponto de vista econômico, mas no sentido de que são "pobres" do espírito deste mundo. Eles se recolheram junto de Deus. Estão livres do mundano e abertos ao Reino de Deus. Para eles se abrem os portões da riqueza da alma. Apesar de sua pequenez, são grandes por dentro. Do mirante de Deus, eles contemplam os acontecimentos da Terra, pois Deus lhes revelou o que escondeu dos soberbos. Eles realmente sabem do que se trata. São as sentinelas silenciosas, com uma visão que abraça o mundo inteiro. Por meio de claras decisões espirituais, não deixam apagar suas luzinhas, ainda que em meio à escuridão progressiva dos nossos tempos. Constituem um rebanho pequeno, facilmente despercebido. Seu empenho silencioso na oração e na penitência é quase nada comparado à atividade ruidosa na Igreja e no mundo. Mas Deus não está no barulho e sim, no silêncio.

Peçamos que Deus dê à sua Igreja mais pequenos e pobres de espírito, mais pessoas de oração e penitência, mais humildade, mais silêncio.

Padre Werenfried van Straaten
Fundador da Ajuda à Igreja que Sofre

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Concentração pela Paz no Darfur

Voltando a falar-vos do Darfur... Este domingo celebra-se o Dia Internacional do Darfur.Como forma de se chamar a atenção para o drama humanitário que se vive na região, vai haver concentrações na rua em vários países.

Aqui em Portugal, vai haver uma concentração a pedir a Paz pelo Darfur, no domingo, às 18h, no Largo Camões, Baixa-Chiado, Lisboa.

Tragam uma fita ou tira de pano preto. Têm mais informações em http://www.pordarfur.org/htmls/EElluAyykFYoVPNzcE.shtml . O simbolismo desta “venda” preta é o silêncio da comunidade internacional perante uma situação que já é considerada genocídio pela ONU.

Se puderem apareçam!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Gestos de amor pelo Darfur


A campanha pelo e com o Darfur tem dado bons frutos, graças a Deus. São várias as pessoas que se têm empenhado para tirarem do silêncio o sofrimento deste povo.

Este fim-de-semana vai haver duas iniciativas:
- Vigília organizada pelo grupo de jovens da paróquia de Porto Salvo
Na Igreja da Cartuxa (Caxias - Lisboa), no dia 8 de Setembro de 2007, às 21h.

- Campanha da iniciativa da Elsa do blog Eu Estou Aki ( http://eu-estou-aki.blogspot.com/)
No Retaxo, Castelo Branco, nas Festas em honra de Nossa Senhora da Guia.

Muito obrigado a todos os que estão por esta causa. Se alguém quiser realizar alguma actividade de sensibilização, mande-me um mail para mariajoaogracia@hotmail.com.

No final deste post, deixo-vos com um comentário do Padre Feliz da Costa, o missionário comboniano que se encontra no Darfur com os refugiados. Dá que pensar...
"Sei, de teologia certa, que ninguém pode culpar Deus por esta situação... A culpa desta guerra e dos males que se lhe seguem, não haja dúvida, é só nossa, dos interesses políticos e mesquinhos dos homens. E sei também, de teologia ainda mais certa, que «Deus é amor» e não pode senão amar estes seus filhos e filhas".
Padre Feliz da Costa, missionário comboniano em Nyala, no Darfur

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Palavra de Vida


“Procura antes a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a constância, a mansidão.” (1 Tm 6,11)


O que fazer para viver todas essas virtudes no nosso dia-a-dia?

Talvez possa parecer difícil colocá-las em prática, uma por uma. Então, por que não viver o momento presente com o radicalismo do amor? Se alguém vive o presente na vontade de Deus, Deus vive nele; e se Deus está nele, nele está a caridade.
De acordo com as circunstâncias, quem vive o presente é paciente, ou perseverante, manso, pobre de tudo, puro, misericordioso, porque possui o amor na sua expressão mais alta e genuína; ama realmente a Deus com todo o coração, toda a alma, todas as forças; é iluminado interiormente, é guiado pelo Espírito Santo e, portanto, não julga, não pensa mal dos outros, ama o próximo como a si mesmo, tem a força da loucura evangélica de “oferecer a outra face”, de “caminhar por dois quilômetros…”1.


“Procura antes a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a constância, a mansidão.”

Essa exortação é dirigida a Timóteo, fiel colaborador de Paulo, seu companheiro de viagem e amigo, tão confidente que chega a ser como um filho. “Tu, porém, ó homem de Deus” – escreve-lhe o apóstolo depois de ter denunciado a malícia do orgulho, das invejas, das brigas, do amor ao dinheiro – “foge destas coisas”; e o convida a procurar uma vida na qual resplandeçam as virtudes humanas e cristãs.
Nessas palavras ressoa o empenho, assumido no momento do batismo, de renunciar ao mal (“foge...”) e de aderir ao bem (“procura...”). É do Espírito Santo que vem a transformação radical, bem como a capacidade e a força para atuar a exortação de Paulo:


“Procura antes a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a constância, a mansidão.”

A experiência vivida com o primeiro grupo de jovens que, em 1944, originou o Movimento dos Focolares em Trento (Itália), dá uma idéia de como se pode viver a Palavra de Vida; sobretudo a caridade, a paciência, a mansidão.
Principalmente nos primeiros tempos do Movimento não era fácil viver as exigências radicais do amor. Até mesmo entre nós, nos nossos relacionamentos, podia se acumular uma certa poeira, e a unidade podia se enfraquecer. Isso acontecia, por exemplo, quando notávamos os defeitos, as imperfeições dos outros e começávamos a julgar, fazendo com que a corrente de amor mútuo esfriasse.
Para reagir a essa situação, um dia tivemos a idéia de fazer um “pacto” entre nós, e o chamamos de “pacto de misericórdia”.
Todas as manhãs decidimos ver o próximo que iríamos encontrar – no Focolare, na escola, no trabalho etc. – novo, novíssimo, não nos lembrando absolutamente mais dos seus defeitos, mas cobrindo tudo com o amor. Era encontrar cada pessoa com essa anistia completa no nosso coração, com esse perdão universal.
Era um compromisso sério, tomado por todas nós juntas, que nos ajudava a ser, da melhor maneira possível, sempre as primeiras no amor, à semelhança de Deus misericordioso, que perdoa e esquece.

Chiara Lubich

1) Cf. Mt 5,41.

domingo, 26 de agosto de 2007

O desejo de ser santo

Neste final de agosto, mês das vocações, gostaria de dar um testemunho vocacional pessoal. Durante muitos anos, ao longo da minha formação, escutei discursos de sublimação e exaltação à figura do padre: “Mãos santas que tocam no Corpo do Senhor”, “pés sagrados que devem trilhar os caminhos da perfeição”, “lábios impolutos que anunciam o Verbo de Deus” e por aí em diante.

Aos poucos, no entanto, fui me sentindo alvo das tentações comuns ao comum dos mortais e passei a não ver os meus cinco sentidos diferenciados das demais pessoas. Não dava mais para imaginar-me um semi-deus. Foi quando comecei a ler biografias de São Francisco de Assis escritas por gênios literários e estes me devolveram a imagem real do homem que se santifica humanamente, livrando-me do peso de ter de ser santo por dever de ofício. Em toda a vida jamais deixei de aspirar a santidade no sentido de fazer o melhor possível o que me cabia fazer. Estranhamente fui estimulado também pelos maus exemplos no meio do caminho. Lembro-me de quando assisti a uma peça teatral de Ariano Suassuna (O santo e a porca). Aí a figura do padre era tão ridícula que me despertava o propósito de jamais parecer com ele. E assim outras tantas representações até hoje ainda me “servem de mau exemplo”, no sentido de que me apontam as vias que não devo trilhar. Desisti definitivamente de ser candidato à canonização, assumi minha medida humana natural e decifrável, e me senti mais livre para cumprir meu ministério vocacional. No meu itinerário encontrei pessoas realmente santas, canonizáveis, que jamais pensaram em ser padres, menos ainda santas. Apenas quiseram ser boas. E bem que mereciam a honra dos altares.

Agradeço a Deus a qualidade primorosa dos meus formadores, ela salvou-me de qualquer deformação. Uma tendência natural de resistir a toda mediocridade, bem como à rotina e ao conformismo levou-me a experiências provocativas e estas me apontaram um horizonte para além do que me destinavam as normas estabelecidas pela educação no seminário. A formação clássica me deu segurança ao pensamento, a disciplina, aos sentimentos, enquanto o gosto pela leitura, o otimismo congênito e o modelo cristão familiar foram moldando, plasmando e lapidando o meu ser padre, em consonância com o que eu costumava rezar no noviciado: “Faz, Senhor, que eu seja um sacerdote segundo teu coração.” Se há uma coisa que deu certo no mundo, confesso, apesar dos meus pecados, foi a minha vocação.

Frei Aloisio Fragoso, frade franciscano.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Esperança para o Darfur

“Mas como é que isto ainda é possível em pleno século XXI?” As pessoas que visitaram a exposição sobre o Darfur no Multifestival Gaudeo que decorreu entre 9 e 12 Agosto, em Fátima, deixavam no ar esta questão. De facto, como é que depois de tantas guerras, de tantos erros cometidos ao longo dos séculos, ainda há quem mate porque o outro não é da sua etnia? Infelizmente é o que está a acontecer no Darfur, Sudão. Pior, trata-se de um genocídio que é silenciado. Em Portugal ainda há muitas pessoas que não sabem “o que é” o Dafur, onde fica, o que se passa lá...

No final da exposição todos faziam a mesma perguta: “E agora o que posso fazer?”



Há três passos:



- Assinar a petição para entregar às autoridades potuguesas em http://www.pordarfur.org/ e divugá-la;



- Assinar a petição para entregar à embaixada da China (tem muita influência no Sudão) em http://www.amnistia-internacional.pt/ e divulgá-la;



- Rezar muito por estes nossos irmãos em Cristo.

São três passos que são três gotas. Mas, se não fossem estas gotas, como dizia Madre Teresa de Calcutá, o que seria do oceano?

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Bom Deus

BOM DEUS,
a certeza de que és Amor não-desistente
é a fonte da minha maior
fortaleza e firmeza.
Por seres Amor superabundante
e infinito poder de Perdoar,
confio em Ti sem limites
e não tenho medos!
Lembro-me sempre do Apóstolo Paulo:
"O que nos poderá separar
do Amor de Deus revelado em Cristo?!"(Rom 8, 35)
E ficava sempre sem resposta,
porque és o Deus das Vitórias
na Vida daqueles que em Ti confiam.
E és um Deus Infalível!
Sim, nunca falhas
nos projectos em que te comprometes.
Obrigado
por fazeres da minha Vida Teu projecto
a ser amado e cuidado…

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Caminhar na Luz

"Eu sou a luz do mundo.

Quem me segue não andará

nas trevas, mas terá a

luz da vida"(Jo 8,12).


Jesus

Luz Divina que dissipa as trevas!

Dá-me força para que eu percorra

o meu caminho enquanto é dia.

Não deixes apagar-se a luz

dos meus olhos sem que eu tenha

cumprido a missão que me deste!

Ensina-me a aproveitar bem

cada dia e cada hora, pois o

tempo passa veloz e não volta

mais.

Abençoa a minha passagem pela

terra, pois é em teu nome,

Senhor,

que anuncio o Reino dos Céus.

Por onde passar,

que eu leve a tua luz,

ensine o teu amor

e semeie a tua paz.

(Autor: Pe. Luiz Cechinato)

***

Deus abençoe o seu dia!

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Festa da Transfiguração do Senhor

Hoje a Igreja celebra a festa da Transfiguração do Senhor.
(Lc 9, 28-36)

“Mostra-me o Teu rosto, mostra-me a Tua face”. É o desejo de todo Israelita piedoso do Antigo Testamento. Moisés e Elias são dois personagens, daquela época, que se esforçaram por contemplar a Face de Deus.

Nós somos convidados a deixar de contemplar por um instante o rosto dos apresentadores de televisão e dos artistas com os quais estamos acostumados a conviver diariamente, para nos concentrar na visão do Rosto de Cristo que brilha através da Sua Páscoa da Ressurreição. “Deus de Deus, Luz da Luz”, afirma-nos o credo Nicenoconstantinapolitano, Jesus Cristo é Luz da luz. A sua Face é Luz da luz. Ela é o reflexo da Luz incriada, o próprio Pai.

Esta visão se deu no alto de um monte; foi no alto da montanha que o céu procurou naquele dia se unir à Terra. Três foram os Apóstolos escolhidos para contemplar antecipadamente o que é sonho e esperança de todo Cristão: a Face de Deus, que brilha através da luminosidade da Face de Cristo. Nós temos o direito de alimentar esse desejo; ele nada mais é do que o desejo do Céu. Porque, o que é o Céu, se não a contemplação sempre mais profunda de Deus em Jesus Cristo?

Mas Deus adverte no Evangelho de Mateus e no sermão da Montanha: “Bem aventurados os puros de coração, porque verão a Deus”. Se você alimenta a esperança de um dia ver a Face de Deus, se você se sacrifica por causa dessa esperança, se evita o mal e faz o bem, se evita o que ofende a Deus, e não pode estar presente diante de Sua Face, então a sua esperança um dia se tornará realidade.

Seria insanidade, veleidade, esperarmos contemplar a Face do Nosso Deus, se nunca nos procuramos em ser semelhante a Ele, se nunca tivemos a preocupação de sermos puros de coração.

Sim, neste dia, em que com a Igreja celebramos a festa da Transfiguração, celebremos a festa da nossa esperança, celebremos a festa do fim que nos espera. Mas preparemos desde já o nosso coração para sermos admitidos à Sua Visão.

Padre Fernando J. C. Cardoso

Arquidiocese de São Paulo

domingo, 5 de agosto de 2007

Jesus amava mais as pessoas que a lei


JESUS AMAVA MAIS AS PESSOAS QUE A LEI...

-Fazia o que a Lei proibia ao Sábado, e dizia que era “o sábado para o homem”, e não o oposto… (Mt 12, 9-14; Mc 2, 27-28; Jo 5, 18)
- No relato da mulher adúltera, só ele se preocupa com a mulher, enquanto os outros se preocupam com “a Lei”… (Jo 8, 1-11)
- Em Mateus, resume toda a Lei ao mandamento do amor… (Mt 22, 34-40)
- Em João, dá um “mandamento novo”… (Jo 13, 34; 15, 12-17)
- Coloca o Homem no centro, e o amor como critério, mesmo em relação ao puro/impuro: acusado de não fazer as lavagens rituais, diz que “não é o que vem de fora que torna puro ou impuro (lei) mas o que vem de dentro (amor)”… (Mc 7, 1-23)

Jesus revela um Deus que não é legislador. Não tem no centro do Seu olhar uma Lei que quer que todos cumpram sob pena de castigo. No centro do Seu olhar, como menina dos seus olhos, está o Homem “criado à sua imagem e semelhança”; e o critério do Seu olhar e agir para connosco é só o Amor.
O Deus que não é senão Amor, não sabe senão Amar!!!Deus que é Amor – e não é senão Amor! – anima-nos às obras do Amor, e não propõe nada senão o que o Amor inspira e modela. “AMA E FAZ O QUE QUISERES!” Não há para Deus outro critério nem “medida” senão o Amor: “Vinde benditos de meu Pai… porque amastes!” (Mt 25, 34-45).

Onde está uma Lei como medida ou critério? É o Amor o “peso na balança” de Deus. Concluímos daqui que vivemos sem Lei? Não! Concluímos, isso sim, que a Lei da nossa vida é o amor, e as leis válidas para cumprir são aquelas que o amor dá à luz. É o amor, consagrado pelo Espírito Santo e pela Palavra de Deus, que dá à luz a “Nova Lei” dos filhos de Deus, Lei que não é uma legislação, “de fora para dentro”, escravizante, mas é um jeito próprio de ser e agir segundo o coração de Deus, animado pela mesma escuta da Palavra actuada pelo Espírito.
Esta sim, é a “Lei da Nova Aliança”: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amo”. A “LEI DA NOVA ALIANÇA” NÃO É UMA LEGISLAÇÃO, mas uma configuração do Coração com o próprio Coração de Jesus, de modo a que, conduzidos e animados interiormente pelo mesmo Espírito Santo, nos construamos à “imagem e semelhança de Deus” e construamos o Seu Reino, que é um Mundo Novo em que os Homens sejam cada vez mais irmãos e menos adversários, o mundo em que, finalmente “Caim deixe de matar Abel”…

A "Lei da Nova Aliança" não é uma "nova legislação", mas uma nova Lógica, a Lógica do Espírito Santo! Por isso, Lucas, ao escrever o livro dos Actos dos Apóstolos, coloca simbolicamente o dom do Espírito Santo como princípio de uma Nova Humanidade reconciliada entre si na comunhão de todas as línguas, a acontecer no dia do Pentecostes (comemoração do dom da Lei Antiga, no monte Sinai, por Moisés), como sinal da "Nova Lei", já "não escrita em tábuas de pedra, mas inscrita em corações de carne" (Jer 31, 31), já não uma imposição de fora, mas uma experiência de Amor que nos transforma radicalmente.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

«O Espírito da Verdade vos conduzirá na verdade plena»


O Evangelho fascina com as suas palavras, que são verdade. Nele fala Aquele que disse: “Eu sou a Verdade”. Diante de nós, Ele abre de par em par o mistério infinito de Deus e nos faz conhecer o seu projeto de amor pela humanidade: Ele dá a Verdade.Mas a Verdade tem a profundidade infinita do mistério. Como podemos compreendê-la e vivê-la na sua plenitude? O próprio Jesus sabe que não somos capazes de suportar o “peso” da Verdade. Por isso, durante a sua última ceia com os discípulos, antes de voltar ao Pai, promete enviar-nos o Espírito Santo, para que seja Ele a explicar-nos as suas palavras e a nos fazer vivê-las.


«O Espírito da Verdade vos conduzirá na verdade plena»


A comunidade dos fiéis conhece a verdade porque vive de Jesus.Ao mesmo tempo está caminhando rumo à “plenitude da verdade”, guiada com segurança pelo Espírito.A história da Igreja pode ser lida como a história da compreensão gradual e cada vez mais profunda do mistério de Jesus e da sua Palavra. O Espírito Santo a conduz ao longo desse caminho, dos modos mais variados: com a contemplação e o estudo dos fiéis, com os carismas dos santos, com o Magistério da Igreja.O Espírito fala também no coração de cada fiel – é lá que Ele mora – fazendo-o escutar a sua “voz”. Vez por vez, Ele sugere perdoar, servir, doar, amar. Ensina a distinguir o bem do mal. Lembra e faz viver as Palavras de Vida que o Evangelho semeia em nós, mês por mês.


«O Espírito da Verdade vos conduzirá na verdade plena»


Como viveremos esta Palavra de Vida? Escutando aquela “voz” que fala em nós, na docilidade ao Espírito Santo, que guia, exorta, impulsiona.Chiara Lubich esclarece que “o cristão deve caminhar sob o impulso do Espírito, a fim de que Ele mesmo, com a sua potência criadora, possa operar no coração do fiel para levá-lo à santificação, divinização e ressurreição”.
Para compreendermos melhor essa “voz” interior, de certo modo amplificando-a, Chiara convida a vivermos em unidade entre nós, para aprendermos a escutar a voz do Espírito não apenas dentro de nós, “mas também a voz d’Ele presente entre nós, unidos no Ressuscitado”. Quando Jesus está entre nós, o Espírito “aperfeiçoa a escuta da sua voz em cada um de nós. Pela presença de Jesus em nosso meio, a voz do Espírito é como um alto-falante da sua voz em nós”.

“O nosso parecer sobre o melhor modo de amar o Espírito Santo, de honrá-Lo, de tê-Lo conosco no nosso coração, sempre foi o de escutar a sua voz, que pode iluminar-nos em todos os momentos da nossa vida (…). E, escutando ‘essa’ voz, pudemos constatar, com grande surpresa, que se caminha para a perfeição: os defeitos, aos poucos, desaparecem e as virtudes se tornam mais evidentes”.


«O Espírito da Verdade vos conduzirá na verdade plena»


Essa Palavra de Vida, que é uma frase da liturgia da Festa da Santíssima Trindade, nos convida a invocar o Espírito Santo:



“Ó Espírito Santo, não te pedimos outra coisa senão Deus por Deus. (…)Permite que vivamos a vida que nos resta (...) exclusivamente, sempre e a todo momento, em função de ti somente, o único a quem queremos amar e servir. Deus! Deus, puro espírito, a quem a nossa humanidade pode servir de cálice vazio para d’Ele se preencher… Deus, que deve transparecer em nosso espírito, em nosso coração, em nosso rosto, em nossas palavras, em nossos gestos, em nosso silêncio, em nosso viver, em nosso morrer, em nosso aparecer, depois do nosso desaparecer da terra, onde podemos e devemos deixar só um rastro luminoso da sua presença, d’Ele presente em nós, entre as matérias e as misérias do mundo, que vive ou desmorona no louvor ou na vaidade de todas as coisas, para submissão ou remoção de tudo a fim de dar lugar ao Tudo, ao Único, ao Amor.”


Aos cuidados de Fabio Ciardi e Gabriella Fallacara

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Pelo e Com o Darfur!
Só estive em Fátima no dia 28, quando foi o encontro da Família Comboniana. Por motivos de trabalho, não consegui ir à caminhada. Foi um dia em cheio. Para além do encontro da família, tivémos o envio de vários missionários, leigos e consagrados, para outros países. Rezemos por eles!

Peço também que rezem pelo Padre Feliz da Costa que está no Darfur com os refugiados. No encontro, que decorreu no Paulo VI, tivémos uma exposição (que irá a outras localidades), onde falámos às pessoas sobre o drama do Darfur. Para além de imagens da zona, tínhamos dois desenhos de crinças do Darfur. Como sabem, o desenho é utilizado na psicologia para ajudar a enfrentar os traumas. Ao mesmo tempo, testemunham as injustiças que são cometidas.


Um dos desenhos mostrava uma aldeia a ser incendiada. É o que mais acontece, infelizmente. Chega-se ao ponto de se pintar aviões com as cores da ONU para se bombardear aldeias. As pessoas pensam que vão receber comida e recebem a morte. Não é exagero. A própria ONU fez um comunicado a avisar para esta situação. O outro desenho impressionou-me particularmente. Via-se nitidamente que eram mulheres a serem violadas pelas guerrilhas. Em frente das crianças...


O Holocausto e tantas outras catástrofes humanas aconteceram porque o mundo se calou. Não nos calemos agora! A Plataforma África, que inclui várias instituições, como os missionários combonianos, tem uma petição a circular que será entregue às autoridades para fazerem pressão junto do Governo do Sudão. Ainda não está online, mas estará dentro em breve.


Até lá podem assinar a petição que será entregue ao embaixador da China e que está no site da Aministia Internacional, que também faz parte da Plataforma África. Em Timor e noutras ocasiões conseguimos fazer alguma coisa. Tentemos agora com o Darfur. A globalização não serve apenas para navegarmos na Internet e falar com pessoas de vários países. Também é uma forma de sabermos o que se passa e de ajudarmos quem mais precisa.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Um grito de amor


Se existe uma realidade misteriosa na nossa vida, essa é o sofrimento. E bem que gostaríamos de evitá-lo; no entanto, mais cedo ou mais tarde ele acaba chegando: uma simples dor de cabeça que parece estragar as mais corriqueiras ações do dia-a-dia, ou o desgosto por um filho que enveredou por um mau caminho; o fracasso no trabalho, ou o acidente que leva embora um amigo ou alguém da família; a humilhação pelo insucesso numa prova, ou a nossa angústia por causa das guerras, do terrorismo, dos desastres ambientais….


Diante da dor nós nos sentimos impotentes. Até alguém que está próximo a nós, e nos quer bem, freqüentemente é incapaz de nos ajudar a superá-la; mesmo assim, às vezes nos basta que alguém se disponha a dividir a dor conosco, embora em silêncio.Foi isso que Jesus fez: ele veio para estar perto de cada homem, de cada mulher, até compartilhar tudo o que é nosso. Ainda mais: ele tomou sobre si todas as nossas dores e se fez dor conosco, até o ponto de gritar:


"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?"


Eram as três da tarde quando Jesus lançou este grito ao céu. Fazia três longas horas que Ele estava suspenso na cruz, pregado pelas mãos e pés. Tinha vivido a sua breve vida num contínuo ato de doação a todos: tinha curado os doentes e ressuscitado os mortos, tinha multiplicado os pães e perdoado os pecados, tinha pronunciado palavras de sabedoria e de vida.Mais ainda: na cruz, dá o perdão aos carrascos, abre o Paraíso ao ladrão e, enfim, nos doa o seu corpo e o seu sangue, depois de tê-los dado a nós na Eucaristia. E por fim grita:


"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?"


Mas Jesus não se deixa vencer pela dor; como que por uma alquimia divina, Ele transforma a dor em amor, em vida. Com efeito, justamente enquanto parece sentir a infinita distância do Pai, Ele, com um esforço desmedido e inimaginável, acredita no seu amor e volta a se abandonar totalmente Nele: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (cf. Lc 23,46).


Jesus restabelece a unidade entre o Céu e a terra, abre-nos as portas do Reino dos céus e nos torna plenamente filhos de Deus e irmãos entre nós.É o mistério de morte e de vida, que celebramos nestes dias de Páscoa, dias de ressurreição.É o mesmo mistério que a primeira discípula de Jesus, Maria, experimentou em plenitude. Também ela, aos pés da cruz, foi chamada a “perder” o que tinha de mais precioso: o seu Filho Deus. Mas naquele momento, justamente porque aceita o plano de Deus, ela se torna Mãe de muitos filhos, nossa Mãe.


"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?"


Por meio da sua dor infinita, que é o preço da nossa redenção, Jesus se faz solidário conosco em tudo, toma sobre si o nosso cansaço, as nossas ilusões, os desnorteamentos, os fracassos, e nos ensina a viver.


Se é verdade que ele assumiu todas as dores, as divisões, os traumas da humanidade, então é verdade também que, lá onde vejo um sofrimento, em mim ou nos meus irmãos e irmãs, posso reconhecer Jesus. Cada dor física, moral, espiritual me faz lembrar Dele, é uma presença sua, um semblante seu.


Posso dizer: “Neste sofrimento eu te amo, Jesus abandonado. És tu que, assumindo como tua a minha dor, vens me visitar. Então eu te quero, te abraço”!


Depois,se estivermos atentos em amar, em corresponder à sua graça, em querer aquilo que Deus quer de nós no momento seguinte, em viver a nossa vida por Ele, experimentaremos que, na maioria das vezes, a dor desaparece. E isto porque o amor atrai os dons do Espírito: alegria, luz, paz. E resplandece em nós o Ressuscitado.

Chiara Lubich



segunda-feira, 23 de julho de 2007

Caminhar até Fátima... com e pelo Darfur
Zinat Abdu, 3 anos, diz que a casa onde vive agora é muito pobre comparada com aquela em que vivia em Bulbul e que no campo de refugiados de Kalma não tem ovelhas nem cabras para guardar e brincar… nem leite.


Ramadan estava prestes a casar com Leila quando vieram os janjaweed (milícia)… Destruíram, queimaram e levaram-lhe a querida noiva que nunca mais chegou a ver. Depois de dois anos Leila ainda estará viva? Talvez escrava?


Samia Ramadan, 5 anos. Chora e pergunta todos os dias pelos irmãos que foram mortos pelos janjaweed em Buram.


Estas são três histórias, reais, de irmãos nossos que estão no Darfur. São testemunhos enviados pelo Padre Feliz, missionário comboniano, que se encontra no terreno.É por estas vozes e por muitas mais que o Centro Vocacional Juvenil (CVJ) dos Missionários Combonianos, organiza de 24 a 28 de Julho uma caminhada jovem a Fátima de oração com e pelo Darfur. Todas as orações, todos os pedidos, todas as partilhas têm como ponto central o sofrimento deste povo.


Rezemos com eles. Rezemos pelos que sofrem, pelos que tentam ajudar e pelos que fazem sofrer e estão cegos pela ganância e pela fome de poder e vingança.

domingo, 22 de julho de 2007

Evangelho do dia

Evangelho, Lucas 10, 38-42


Naquele tempo, Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor e escutava a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: "Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!" O Senhor, porém, lhe respondeu: "Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada".

Cristo, hóspede

Jesus não se comporta como hóspede comum, também quando é recebido por amigos de longa data, como Marta e Maria (evangelho), ele exige atenção especial à sua mensagem e à sua pessoa. Acolher Cristo hóspede é principalmente “ouvi-lo”, pôr-se em atitude de receptividade, mais do que de dar. É ouvindo-o que se entra em comunhão com ele e se é transformado (Maria). Quem se preocupa mais com as coisas a dar (Marta) do que com a pessoa com quem se comunica, fica distante.

Jesus se manifesta sempre como "o forasteiro", que tira toda segurança e quer a renúncia total, que lança bases sólidas na linha do amor ligado ao reconhecimento dos outros como diferentes de si.

Este forasteiro veio aos seus, e os seus não o receberam (Jo 1,11). Aquele que morre na cruz é o "forasteiro" por excelência, rejeitado por todos; tão forasteiro que, depois da sua ressurreição, os peregrinos de Emaús não reconhecem no caminho, mas só quando lhe oferecem hospitalidade (Lc 24, 28-32)

A hospitalidade cristã, como acolhimento da presença transtornadora "do outro" na própria vida (Mt 25,35-36) e sobretudo como aceitação do "outro por nós" mesmo sendo nosso inimigo, é sinal privilegiado da fidelidade ao mandamento novo, sem fronteiras. Hospedar o outro é hospedar Cristo. Vaticano II lembra que "sobretudo nos nossos tempos, temos a imperiosa obrigação de nos tornarmos próximos de qualquer homem, indistintamente; se ele se nos apresenta, devemos servi-lo ativamente, quer seja um velho abandonado por todos, ou um operário estrangeiro injustamente desprezado, ou um exilado, ou uma criança nascida de união ilegítima sofrendo imerecidamente por uma falta que não cometeu, seja um faminto que interpela a nossa consciência recordando a voz do Senhor: 'Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos a mim é que o fizestes"' (GS 27). Entre as obras de apostolado familiar indica: "adotar como filhos crianças abandonadas, acolher com bondade os estrangeiros" (AA 11, e).

Quando o evangelho nos houver revelado tudo o que implica o acolhimento do outro, a hospitalidade descobrirá sua verdadeira face. No evangelho, Jesus se mostra como hóspede. Mais de uma vez é convidado à casa dos publicanos e pecadore, (Lc 19,5-10), pelos quais é acolhido com solicitude e desinteressadamente. A sua presença entre eles é o sinal vivo do amor que Deus lhes tem, um convite à conversão. Comer juntos é sinal de comunhão. Para comer com Cristo é preciso, na verdade, converter-se.