sábado, 2 de agosto de 2008

Se teu olho é simples

“A lâmpada que ilumina o corpo é o olho. Se teu olho for transparente, ficarás todo cheio de luz”. (Lc 11,34)

Em todos os próximos que encontras no teu dia, da manhã à noite, vê neles Jesus.

Se o teu olho é simples, quem olha por ele é Deus. E Deus é amor, e o amor quer unir, conquistando.

Quantos, errando, olham as criaturas e as coisas para possuí-las! E esse olhar é egoísmo, ou inveja ou, seja como for, pecado. Ou olham para dentro de si para se possuírem, para possuírem as próprias almas, e esse olhar é apagado, porque perturbado ou entediado.

A alma, porque imagem de Deus, é amor; e o amor, voltado sobre si mesmo, é como a chama que, não alimentada, se apaga.

Olha para fora de ti, não para ti, nem para as coisas, nem para as criaturas: olha para Deus fora de ti para unir-te a Ele.

Ele está no fundo de cada alma que vive e, se morta – ou seja, não está na graça de Deus, é tabernáculo de Deus, que ela espera para alegria e expressão da própria existência.

Olha, portanto, cada irmão amando; e amar é doar. Mas dádiva chama dádiva, e serás por ele amado.

Assim, o amor é amar e ser amado, como na Trindade.

E Deus em ti arrebatará os corações, acendendo nesses corações a Trindade que neles repousa quem sabe, pela graça, mas neles está apagada.

Não acendes a luz em um ambiente – mesmo havendo a corrente elétrica – enquanto não fizeres a ligação dos pólos.

Do mesmo modo é a vida de Deus em nós: deve ser posta em circulação para ser irradiada fora testemunhando Cristo: o único que une o Céu à terra, o irmão ao irmão.

Olha, portanto, cada irmão doando-te a ele para doar-te a Jesus, e Jesus se doará a ti. É lei de amor: “Dai e vos será dado” (Lc 6,38).

Deixa-te invadir pelo irmão – por amor de Jesus –, deixa-te “consumir” pelo irmão – como outra Eucaristia –; coloca-te todo a seu serviço, que é serviço de Deus, e o irmão virá a ti e te amará. E no amor fraterno reside o cumprimento de cada desejo de Deus que é mandamento: “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros” (Jo 13,34).


O amor é um Fogo que compenetra os corações numa perfeita fusão.

Então, encontrarás em ti não mais a ti mesmo, não mais o irmão; encontrarás o Amor, que é Deus vivente em ti.

E o Amor sairá para amar outros irmãos porque, tendo o olhar simplificado, encontrará a si mesmo neles e todos serão um.

E ao teu redor crescerá a Comunidade: como os doze, os setenta e dois, milhares… como ao redor de Jesus.

É o Evangelho que, fascinando – porque Luz em amor – arrebata e arrasta.

No final, quem sabe, morrerás numa cruz, para não seres maior do que o Mestre, mas morrerás por quem te crucifica, e assim o amor terá a última vitória. Mas a sua seiva, difusa nos corações, não morrerá.

Frutificará, fecundando, alegria e paz, e Paraíso aberto.

E a glória de Deus crescerá.

Mas é preciso que tu sejas, aqui na terra, o Amor perfeito.

Chiara Lubich.

Palavra de Vida - agosto de 2008

Para este mês, o comentário da Palavra de Vida foi extraído de uma clássica meditação de Chiara Lubich, “Se teu olho é simples”, que ajuda a compreender e a colocar em prática essa passagem da Escritura segundo a Espiritualidade da Unidade. (cf. Ideal e luz, São Paulo : Brasiliense/Cidade Nova, 2003, p. 122; Atração do tempo moderno, São Paulo : Cidade Nova, 1983, p. 156)



domingo, 13 de julho de 2008

É Amor!

«Um dia, estava S. Agostinho diante do Sacrário a desabafar o coração:

Meu Jesus, amo-Vos, amo-Vos com todas as minhas forças, e porque Vos amo, arrependo-me de haver-Vos ofendido tantas vezes na minha vida passada.

E ouviu uma voz que lhe disse:

– Agostinho, quanto Me amas?

– Senhor, se o sangue das minhas veias fosse azeite, eu quereria que esse azeite se consumisse por vosso amor, como se consome o azeite desta lâmpada, que arde diante do vosso tabernáculo.

– Agostinho, nada mais? – repetiu a voz.

– Senhor, amo-Vos tanto, tanto, que se os meus ossos fossem velas, queria que se derretessem de amor, como se derretem estas velas que alumiam o vosso altar.

– Agostinho, nada mais?

– Senhor, amo-Vos tanto, tanto, que se eu tivesse tantos corações como há de estrelas no céu, e gotas de água no oceano, e areias na praia, e átomos no espaço, com esses corações eu Vos quisera amar.

– Agostinho, nada mais?

Então olhando através das suas lágrimas a porta do sacrário, encontrou a resposta digna da sua inteligência extraordinária e da sua santidade:

– Senhor, como quereis que eu Vos ame mais, se o coração humano já não pode amar mais? Mas Senhor, eu amo-Vos tanto, tanto, que, se Vós fosseis Agostinho e eu fosse Deus, eu deixaria de ser Deus para que Vós o fosseis, e contentar-me-ia com ser o pobre Agostinho!

– Agostinho, isso é o Amor! – foi a resposta divina.»

Fonte: Blogue: "A Capela"

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Regra de ouro

“Tudo, portanto, quanto desejais que os outros vos façam, fazei-o, vós também, a eles. Isto é a Lei e os Profetas.”
(Mt 7,12)

Você já sentiu alguma vez uma sede de infinito? Já sentiu alguma vez em seu coração o desejo ardente de abraçar a imensidão? Ou, então: já percebeu alguma vez em seu íntimo a insatisfação por aquilo que faz, pelo que você é?

Se assim for, ficará feliz por encontrar uma fórmula que lhe dê a plenitude com que tanto você sonha: algo que não deixe remorsos pelos dias que se vão semivazios...
Há uma frase no Evangelho que faz pensar e que, se entendida nem que seja um pouco, faz vibrar de alegria. Nela está condensado o que devemos fazer na vida. Ela resume cada lei que Deus imprimiu no fundo do coração de cada homem. Ouça esta frase:

“Tudo, portanto, quanto desejais que os outros vos façam, fazei-o, vós também, a eles. Isto é a Lei e os Profetas.”

Ela se chama “regra de ouro”.
Foi Cristo quem a trouxe, mas já era universalmente conhecida. O Antigo Testamento a trazia. Sêneca a conhecia, e o chinês Confúcio, no Oriente, a repetia. E outros ainda. Isso mostra o quanto ela importa a Deus: ele quer que todos os homens façam dela a norma de suas vidas.
É linda de ler e ecoa como um slogan. Ouça-a novamente:

“Tudo, portanto, quanto desejais que os outros vos façam, fazei-o, vós também, a eles. Isto é a Lei e os Profetas.”

Amemos assim cada próximo que encontramos no correr do dia. Imaginemos estar na sua situação e tratemo-lo como gostaríamos de ser tratados em seu lugar. A voz de Deus que mora dentro de nós haverá de nos sugerir a expressão de amor adequada a cada circunstância.

Ele está com fome? Estou com fome eu – pensemos. E demos a ele de comer.
Sofre injustiça? Sou eu que a sofro! Está nas trevas e na dúvida? Sou eu que estou. E lhe digamos palavras de conforto, e dividamos com ele suas angústias, e não sosseguemos enquanto ele não se sentir iluminado e aliviado. Nós quereríamos ser tratados assim.
É alguém com deficiência física? Quero amá-lo até quase sentir em meu corpo e em meu coração a sua deficiência, e o amor haverá de me sugerir o recurso certo para fazer que se sinta igual aos outros, aliás, com uma graça a mais, pois nós cristãos sabemos o valor do sofrimento.

E assim com todos, sem discriminação alguma entre simpático e antipático, entre jovem e ancião, entre amigo e inimigo, entre compatriota e estrangeiro, entre bonito e feio... O Evangelho quer realmente dizer todos.

Tenho a impressão de ouvir um murmúrio geral...
Compreendo... Talvez essas minhas palavras pareçam simples, mas quanta mudança elas exigem! Quão longe estão do nosso modo costumeiro de pensar e de agir!
Mas, coragem! Tentemos.

Um dia passado assim vale uma vida. E, à noite, não nos reconheceremos mais a nós mesmos. Uma alegria jamais sentida nos invadirá. Uma força se apoderará de nós. Deus estará conosco, porque está com aqueles que amam. Os dias se seguirão plenos.

Às vezes, pode ser que reduzamos a marcha, que sejamos tentados a desanimar, a largar tudo. E queiramos voltar à vida de antes… Mas não! Coragem! Deus nos dá a graça. Recomecemos sempre. Perseverando, veremos lentamente o mundo mudar à nossa volta.

Entenderemos que o Evangelho é portador da vida mais fascinante, acende a luz no mundo, dá sabor à nossa existência, tem em si o princípio da resolução de todos os problemas. E não teremos paz enquanto não comunicarmos a nossa extraordinária experiência a outros: aos amigos que nos podem entender, aos parentes, a quem quer que nos sintamos impelidos a transmiti-la. A esperança renascerá.

“Tudo, portanto, quanto desejais que os outros vos façam, fazei-o, vós também, a eles. Isto é a Lei e os Profetas.”

Chiara Lubich


terça-feira, 17 de junho de 2008

Permanecer no Amor

Palavra de Vida - junho de 2008. Texto de Chiara Lubich
“Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus permanece nele”. (1Jo 3,24a)

Quem ama gostaria de estar sempre com a pessoa amada. Esse também é o desejo de Deus, que é Amor. Criou-nos para que pudéssemos encontrá-lo e, sendo ele o único capaz de saciar o nosso coração, não teremos alegria plena enquanto não alcançarmos a íntima união com ele. Desceu do céu para estar conosco e para introduzir-nos na sua comunhão.


O apóstolo João, na sua carta, fala de “permanecer” um no outro, Deus em nós e nós em Deus, lembrando a exigência mais profunda manifestada por Jesus na sua última ceia. “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós”, disse o Mestre, explicando com a alegoria da videira e dos seus ramos o quanto é forte e vital a ligação que nos une a ele (Jo 15,1-5).
Mas, como alcançar a união com Deus?
João não hesita. Afirma que basta observar os mandamentos:

“Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus permanece nele”.

São muitos os mandamentos que devemos observar para que essa unidade seja alcançada?
Não, porque Jesus os sintetizou num só preceito. João recorda, imediatamente antes de citar a Palavra de Vida escolhida para este mês: “Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que ele nos deu” (1Jo 3,23).

Crer em Jesus e amar-nos como ele nos amou: eis o único mandamento.
Se a existência humana encontra a sua realização na presença de Deus entre nós, então existe apenas um modo para sermos pessoas plenamente realizadas: amar! João está tão convicto dessa realidade que repete sempre no decorrer de toda a carta: “Quem permanece no amor, permanece em Deus, e Deus permanece nele” (1Jo 4,16b); “Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece em nós…” (1Jo 4,12).

A esse respeito a tradição conta que, quando alguém fazia perguntas a João, já bem idoso, sobre os ensinamentos do Senhor, ele repetia sempre as palavras do mandamento novo. Se lhe perguntavam por que não dizia outra coisa, respondia: “Porque é o mandamento do Senhor! Se alguém o pratica, isso basta”.
Pode-se dizer o mesmo de cada Palavra de Vida: ela nos leva inevitavelmente a amar. Não pode ser de outra forma, porque Deus é Amor e cada Palavra sua contém o amor, exprime o amor e, se for vivida, nos transforma em amor.

“Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus permanece nele”.

A Palavra deste mês nos convida a acreditar em Jesus, a aderir com todo o nosso ser à sua Pessoa e ao seu ensinamento: crer que ele é o amor de Deus – como nos ensina ainda João nessa carta – e que por amor deu a vida por nós (1Jo 3,16). Faz-nos acreditar até mesmo quando ele parece estar longe, quando não o sentimos, quando chegam as dificuldades ou o sofrimento…
Encorajados por essa fé, saberemos viver seguindo o seu exemplo e, obedecendo ao seu mandamento, amar-nos como ele nos amou.

Amar inclusive quando o outro não parece mais merecer o amor, mesmo quando temos a impressão de que o nosso amor seja inadequado, inútil, não correspondido. Agindo assim, reavivaremos os relacionamentos entre nós, que se tornarão cada vez mais sinceros, cada vez mais profundos, e a nossa unidade atrairá a permanência de Deus entre nós.

“Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus permanece nele”.

“Meu marido e eu vivíamos apaixonados. Era fácil o relacionamento entre nós nos primeiros anos de casados. Nesse último período, porém, ele anda muito cansado e estressado. No Japão, o trabalho pesa como chumbo nas costas de um homem.

Uma noite, voltando do trabalho, ele sentou-se à mesa para jantar. Aproximei-me para sentar ao seu lado, mas aos gritos mandou que eu saísse: “Você não tem o direito de comer, porque não trabalha!” Passei a noite chorando e prometendo a mim mesma separar-me dele, ir embora. No dia seguinte mil pensamentos me torturavam o tempo todo: “Casei-me com a pessoa errada, não consigo mais viver com ele”.

À tarde falei com as amigas com as quais partilho a minha experiência cristã. Escutaram-me com amor e na comunhão com elas encontrei a força e a coragem necessárias para não desanimar… Então consegui preparar mais uma vez o jantar para o meu marido. Porém, quanto mais se aproximava a hora da sua chegada, mais aumentava o meu receio: como será que ele vai reagir hoje? E sentia como se uma voz interior me dissesse: “Acolha essa dor. Fique firme. Continue amando”. Nesse momento ele abriu a porta. Trazia uma torta para mim. E disse: “Perdoe-me por tudo o que aconteceu ontem.”

Chiara Lubich


segunda-feira, 9 de junho de 2008



Sim, infelizmente, ainda o Darfur...








E, agora, perguntam-me vocês, por que razão coloquei no meu blog o link para o Portal do Governo?

Por que o Darfur ainda está a sofrer. O genocídio continua. As mortes, as violações, a tortura, a fome, a sede ainda são uma constante naquela zona do Sudão. O site Por Darfur apela-nos a escrever uma carta, neste link do Portal do Governo, para que estes nossos irmãos não sejam esquecidos. Já o fizémos uma vez. Mas, pelos vistos, temos de repetir. E vamos repetir até ser necessário. Podes também assinar a petição para os representantes da ONU.

Se fosse um filho nosso? Também não continuávamos a lutar? Se fosse o nosso país? E, claro, não esqueçamos que somos cristãos. Amamos Cristo e queremos seguir a Sua Palavra de Amor. Então, estamos à espera do quê para escrevermos a carta e divulgar esta acção junto dos que conhecemos?

E, claro, rezem muito. Ofereçam comunhões e missas por este povo irmão. O Darfur agradece. Jesus e Maria agradecem-vos.

domingo, 25 de maio de 2008

Dá que pensar...


"O que é uma estrada que não conduz a lado nenhum?


A vida sem Deus"


Raoul Follereau

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Novena ao Espírito Santo Dia 11 de Maio é o dia do Pentecostes, a descida do Espírito Santo. "Se me tendes amor, cumprireis os meus mandamentos, e Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará o Espírito para que esteja sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode conhecer porque não o vê nem o conhece; vós é que o conheceis, porque permanece junto de vós, e está em vós.” (Jo 14,15-17)

1- Vinde, Espírito de Sabedoria! Instruí o meu coração para que eu saiba estimar e amar os bens celestes e antepô-lo a todos os bens da terra. (Glória ao Pai...)


2- Vinde, Espírito de Inteligência! Iluminai a minha mente para que entenda e abrace todos os mistérios e mereça alcançar um pleno conhecimento Vosso, do Pai e do Filho. (Glória ao Pai...)


3- Vinde, Espírito de Conselho! Assisti-me em todos os assuntos desta vida instável, tornai-me dócil às Vossas inspirações e guiai-me sempre pelo direito caminho dos divinos mandamentos. (Glória ao Pai...)


4- Vinde, Espírito de Fortaleza! Fortalecei o meu coração em todas as perturbações e adversidades e dai à minha alma o vigor necessário para resistir a todos os meus inimigos. (Glória ao Pai...)


5- Vinde, Espírito de Ciência! Fazei-me ver a vaidade de todos os bens caducos deste mundo, para que não use deles senão para Vossa maior glória e salvação da minha alma. (Glória ao Pai...)


6- Vinde, Espírito de Piedade! Vinde morar no meu coração e inclinai-o para a verdadeira piedade e santo amor de Deus. (Glória ao Pai...)


7- Vinde, Espírito de Temor de Deus! Repassai a minha carne com o Vosso santo temor, de modo que tenha sempre Deus presente e evite tudo o que possa desagradar aos olhos de Sua divina majestade. (Glória ao Pai...)


Divino Espírito Santo, eu vos ofereço todas as preces da santíssima Virgem e dos apóstolos reunidos no cenáculo, e a estas uno todas as minhas orações, suplicando-Vos que Vos apresseis em vir renovar a face da terra.


- Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado.
- E renovareis a face da terra.


Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos fiéis com a luz do Espírito Santo, dai-nos pelo mesmo Espírito o conhecimento e o amor da justiça e que gozemos sempre da Sua consolação. Amém.


(Rezar três Ave-Marias a Nossa Senhora de Pentecostes com a invocação: "Rainha dos Apóstolos, rogai por nós!")


Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/especial/pentecostes/rez_novena.php

quinta-feira, 17 de abril de 2008

“E o fruto da justiça será a paz"!


“E o fruto da justiça será a paz! A prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras.” (Is 32,17)


“Até que sobre nós se derrame o espírito que vem do alto. Aí, então, o que era deserto virá a ser um bosque e o que era um bosque será uma floresta.” Assim começa o trecho que contém a Palavra de Vida deste mês. Na segunda metade do século VIII antes de Cristo, o profeta Isaías anuncia um futuro de esperança para a humanidade, de certo modo uma nova criação, um novo “bosque” ou “jardim”, onde moram o direito e a justiça, capazes de gerar paz e segurança.


Essa nova era de paz (shalom) será obra do Espírito divino, força vital capaz de renovar a criação; e, ao mesmo tempo, será fruto do respeito pela Aliança, pelo pacto entre Deus e o seu povo e entre os componentes do próprio povo, uma vez que a comunhão com Deus e a comunidade dos homens são realidades inseparáveis.

“E o fruto da justiça será a paz! A prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras.” (Is 32,17)

As palavras de Isaías recordam a necessidade de um esforço responsável e sério em respeitar as normas comuns da convivência civil, que impedem o individualismo egoísta e o arbítrio cego, favorecem a coexistência harmoniosa e o trabalho a serviço do bem comum.
Mas, será possível viver segundo a justiça e praticar o direito? Sim, com a condição de que se reconheçam todas as outras pessoas como irmãos e irmãs e se veja a humanidade como uma família, no espírito da fraternidade universal.

E como é possível enxergá-la assim, sem a presença de um Pai para todos? Ele, por assim dizer, já gravou a fraternidade universal no DNA de cada pessoa. Com efeito, a primeira vontade de um pai é que os filhos se tratem como irmãos e irmãs, que se queiram bem, que se amem.
Por isso o “Filho” por excelência, o Irmão de cada homem, veio e nos deixou como norma da vida social o amor mútuo. E o respeito pelas regras da convivência e o cumprimento do próprio dever são expressões do amor.

O amor é a norma suprema de toda ação; norma essa que promove a verdadeira justiça e traz a paz. As nações precisam de leis cada vez mais correspondentes às necessidades da vida social e internacional, mas sobretudo precisam de homens e mulheres que no seu íntimo saibam “ordenar” a caridade. Essa “ordem” é justiça, e só nessa ordem as leis têm valor.

“E o fruto da justiça será a paz! A prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras.”

Como viveremos, então, a Palavra de Vida durante este mês?
Empenhando-nos ainda mais nos deveres profissionais, na ética, na honestidade, na legalidade.
Reconhecendo os outros como pessoas da mesma família que esperam de nós atenção, respeito, proximidade solidária.

Se você colocar a caridade mútua e contínua (que precede todas as coisas) na base da sua vida, nos seus relacionamentos com o próximo, como a mais completa expressão do seu amor para com Deus, então a sua justiça será realmente agradável a Deus.

“E o fruto da justiça será a paz! A prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras.”

No sul da Itália, um guarda civil com sua família decidiu morar, por opção de solidariedade para com as pessoas menos privilegiadas da cidade, num dos bairros novos que estavam surgindo: ruas sem asfalto, ausência de iluminação pública, de rede de água e de esgoto; serviços de assistência social e transporte público, nem pensar.

“Procuramos criar com todas as famílias e cada habitante do bairro uma relação de conhecimento e de diálogo”, diz ele, “tentando sanar a fratura existente entre os cidadãos e a administração pública. Aos poucos, os cerca de 3.000 habitantes do bairro se tornaram agentes ativos no relacionamento com as instituições públicas, por meio de um comitê criado com esse objetivo.

Chegaram a conseguir da administração regional a aprovação de uma verba significativa para a recuperação do bairro, que agora é um bairro-modelo, tendo criado até atividades de formação para representantes de todos os comitês de bairro da cidade”.

Chiara Lubich


domingo, 30 de março de 2008

Por que procurais o Vivente entre os mortos?

Devemos procurar o Cristo vivo, como as mulheres que, na manha da Páscoa, foram ao seu túmulo. Também a nós os anjos dizem: "Por que procurais o Vivente entre os mortos?" (Lc 24,5). Não, não procurem a Vida entre os mortos, entre os que não possuem amor e estão enterrados no túmulo do próprio egoísmo. O ser humano só pode viver pelo amor. E toda injustiça na Terra, toda miséria, todo medo e todo terror, toda perseguição e opressão, toda guerra e todo crime só existem por falta de amor. Pois, qualquer plano insidioso que os tiranos e ditadores dos nossos tempos possam forjar tem sempre sua causa nos mortos.

Por que procurais o Vivente entre os mortos? Entre aqueles que só vivem para si mesmos, para o seu dinheiro, os seus bens e o seu prazer?

Deixem Cristo ressuscitado governar em vocês, para que sua força transformadora os torne homens novos. Não procurem a vida entre os mortos, entre os egoístas. Sigam as palavras de Jesus: "Um mandamento novo eu vos dou: amai-vos uns aos outros" (Jo 13,34).

Assim se tornarão homens novos, como Pedro, João, as mulheres, os discípulos de Emaús. Eles não tinham mais medo, eles deram seu testemunho, eles possuíam o amor.

Somente quando vocês tiverem o amor, Cristo poderá vir ao seu encontro e dizer: "A paz esteja convosco!" Onde não há amor, a paz também é impossível. Não há outra saída a não ser o amor.

A Lei dum Amor Misericordioso

«O cristão não tem outra Lei senão Cristo. Sua “Lei” é a vida nova que lhe foi conferida em Cristo. A nossa Lei não está escrita em livros, e sim nas profundezas do nosso coração; não pela mão de seres humanos, mas pelo dedo de Deus. O nosso dever agora não é apenas obedecer, e sim viver. Não temos de nos salvar, somos salvos por Cristo. Devemos viver para Deus em Cristo, não só como quem procura a salvação, mas como quem está salvo.

Mas agora, com a ressurreição de Cristo, o poder da Páscoa irrompeu sobre nós. Agora, encontramos em nós uma força que não é nossa e que nos é dada livremente sempre que dela necessitamos, elevando-nos acima da Lei, dando-nos uma nova Lei que se acha escondida em Cristo: a lei do Seu amor misericordioso por nós.» - Thomas Merton

sábado, 29 de março de 2008

Este domingo é a Festa da Divina Misericórdia


"Desejo a confiança. Espero de ti obras de misericórdia, que devem nascer do teu amor por Mim. Importa que ao próximo manifestes misericórdia sempre e em qualquer lugar. Não te podes furtar a isto, tentando arranjar desculpas ou justificares-te.
E indico-te três maneiras de exerceres a misericórdia para com o próximo: a primeira pela acção; a segunda pela palavra; e a terceira pela oração. Nestes três graus assenta a plenitude da Misericórdia, pois constituem uma prova irrefutável do amor por Mim. Mesmo a fé mais forte nada vale sem as obras".

In Diário de Santa Faustina - Palavras de Jesus a Santa Faustina

quinta-feira, 20 de março de 2008

Jesus Misericordioso


Jesus pede-nos para mostrarmos como Ele é Amor e Misericórdia e como está sempre pronto para perdoar. Como Ele disse na Bíblia: "Eu não vim chamar os justos e, sim, os pecadores ao arrependimento" (Mt 9, 13). Por outras palavras, não condena ninguém e quando diz "Isto está errado!" diz logo de seguida "Mas, podes fazer X. Ainda vais a tempo de mudar. Eu ajudo-te. Não te esqueças que Te amo". No fundo quer que digamos "Jesus, eu confio em Ti".

À Sexta-Feira Santa começa a Novena da Divina Misericórdia. É uma novena muito bonita, com uma mensagem muito bonita e muito importante. A seguir a esta novena, no domingo a seguir à Páscoa, temos a Festa da Divina Misericórdia, da qual falava muito João Paulo II.

A novena é feita especialmente nesta altura, mas, claro, pode ser feita em qualquer altura do ano. Já agora vejam a Via Sacra. É linda! :)

Aqui podes ficar a conhecer a novena e a via sacra (na página a seguir).

http://jesus-misericordioso.com/zgrom_ptbra.htm

Neste link podes conhecer um pouco mais sobre a Divina Misericórdia.
http://www.misericordia.org.br/modules.php?name=Content&pa=showpage&pid=9

Uma Santa Páscoa.

sábado, 15 de março de 2008

Despojamento



Deus quer-nos na dependência generosa do amor, no despojamento radical de nós mesmos, num nada que se tornará tudo. (...)

Quanto mais o coração está desocupado de si, tanto mais é ocupado por Deus (...)

Estar livre de si fará sempre parte da nossa aspiração a amar mais. (...) Conformação da nossa vontade à Vontade de Deus. Caminho de despojamento de nós mesmos, desde o início, como Cristo, ao vir a este mundo: «Pai, eis-Me aqui para fazer a tua vontade.» (Hb 10,7) (...)

Caminho de despojamento, de abandono de nós mesmos por uma entrega consciente, livre e voluntária nas maõs de Deus. Despojamento de tudo o que não é digno de Deus em nós, na nossa vida. (...)

Tudo deve ser purificado para tornar-se transparência de Deus. Porque o despojamento só tem sentido se for para nos revestirmos de Cristo (cf. Cl 3,10) e mergulharmos no seu amor

Pe. Constant Tonnelier, em "Quinze dias com São João da Cruz"

domingo, 2 de março de 2008

Vencer-se a si mesmo


O que é "vencer-se a si mesmo"? François Varillon disse: "Trata-se de nos tornarmos homens livres". O que Deus quer é a nossa liberdade. A liberdade é o esquecimento de nós mesmos, ou seja, uma outra forma de designar o amor. Mas adquiri-la não é espontâneo, nem automático. É preciso vencer-se. Antes de dizer: «Esqueci-me de mim» tenho que dizer a mim próprio: «Preciso sair de mim mesmo». Em termos um pouco técnicos: o êxodo precede necessariamente o êxtase, isto é, não posso continuar centrado em mim mesmo, tenho que viver fora de mim, voltado para o outro.(...)

Não poderei entrar em Deus enquanto o mais pequenino átomo de auto-contemplação, de olhar voltado para mim mesmo, não for queimado."

François Varillon S. J. , em "Viver o Evangelho"

Vencer-se a si mesmo

O que é "vencer-se a si mesmo" ? François Varillon disse: "Trata-se de nos tornarmos homens livres. O que Deus quer é a nossa liberdade. A liberdade é o esquecimento de nós mesmos, ou seja, uma outra forma de designar o amor. Mas adquiri-la não é espontâneo, nem automático. É preciso vencer-se. Antes de dizer: «Esqueci-me de mim» tenho que dizer a mim próprio: «Preciso de sair de mim mesmo». Em termos um pouco técnicos: o êxodo precede necessariamente o êxtase, isto é, não posso continuar centrado em mim mesmo, tenho que viver fora de mim, voltado para o outro.(...)

Não poderei entrar em Deus enquanto o mais pequenino átomo de auto-contemplação, de olhar voltado para mim mesmo, não for queimado."

François Varillon S. J. , em "Viver o Evangelho"

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Pensemos nisto....


Não são preciso muitas palavras para dizer o mais importante. Deixo apenas estas duas questões...

Quantas vezes dizemos a Jesus que O amamos?

Quantas vezes Lhe agradecemos por nos amar, apesar das nossas imperfeições?

sábado, 12 de janeiro de 2008

Orai continuamente


“Orai continuamente.”
(1Ts 5,17)

Este ano a “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos” comemora o seu centenário. O “Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos” foi celebrado pela primeira vez de 18 a 25 de janeiro1 de 1908. Sessenta anos mais tarde, em 1968, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos foi preparada em conjunto pela Comissão Fé e Constituição (do Conselho Mundial de Igrejas) e pelo Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (da Igreja Católica). Assim, desde então, todos os anos, cristãos católicos e de diversas outras Igrejas se reúnem para preparar um pequeno livro com sugestões para a celebração da Semana de Oração.

A Palavra escolhida este ano, por um amplo grupo ecumênico dos Estados Unidos, vem da Primeira Carta de são Paulo aos cristãos de Tessalônica, na Grécia. Era uma comunidade pequena, jovem, e Paulo sentia a necessidade de que a unidade entre seus membros fosse cada vez mais firme. Por isso, convidava-os a “conservar a paz”, a ser pacientes para com todos, a não retribuir o mal com o mal, mas a procurar sempre o bem entre eles e para com todos, e também a “orar continuamente”, como que salientando que a vida de unidade na comunidade cristã só é possível quando existe uma vida de oração. O próprio Jesus orou ao Pai pela unidade dos seus: “Que todos sejam um”2.


“Orai continuamente.”

Por que “orar continuamente”? Porque a oração é essencial para a pessoa enquanto ser humano. Fomos criados segundo a imagem de Deus, como interlocutores, como um “tu” de Deus, capazes de estar numa relação de comunhão com Ele. Portanto, a relação de amizade, o diálogo espontâneo, simples e verdadeiro com Ele – isso é oração – é realidade constitutiva do nosso ser, que tornar possível sermos pessoas autênticas, na plena dignidade de filhos e filhas de Deus.

Tendo sido criados como um “tu” de Deus, podemos viver em constante relação com Ele, com o coração cheio de amor derramado pelo Espírito Santo e com aquela confiança que se tem diante do próprio Pai: aquela confiança que nos leva a falar freqüentemente com Ele, a expor-lhe todas as nossas coisas, as nossas preocupações, os nossos projetos; confiança que nos faz esperar com impaciência o momento dedicado à oração – entrecortada durante o dia por outros compromissos de trabalho, de família –, para nos colocarmos em contato profundo com Aquele que nos ama.

Precisamos “orar sempre”, não somente pelas nossas necessidades, mas também para colaborarmos na edificação do Corpo de Cristo e para contribuirmos com a plena e visível comunhão na Igreja de Cristo. Este é um mistério que podemos de certo modo intuir quando pensamos nos vasos comunicantes: ao acrescentarmos água num deles, o nível do líquido sobe em todos eles. O mesmo acontece quando alguém ora. A oração é uma elevação da alma a Deus para adorá-lo e agradecer-lhe. Analogamente, quando uma pessoa se eleva, elevam-se também as outras.


“Orai continuamente.”

Como podemos “orar continuamente”, sobretudo quando nos encontramos no corre-corre da vida de cada dia?
“Orar continuamente” não significa multiplicar os atos de oração, mas orientar a alma e a vida para Deus, viver cumprindo a sua vontade: estudar, trabalhar, sofrer, repousar e até morrer por Ele. A tal ponto que não mais conseguimos viver no dia-a-dia sem termos antes nos colocado de acordo com Ele.
Então, a nossa vida se transforma numa ação sagrada, e o nosso dia se torna uma oração.
Pode nos ajudar o fato de oferecer a Deus cada ação realizada, dizendo: “Por ti, Jesus!”; ou então, nas dificuldades: “O que importa? Amar-te importa!”. Assim, transformaremos tudo num ato de amor.
E a oração será contínua, porque contínuo será o amor.


Chiara Lubich

1) No Hemisfério Norte, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é celebrada de 18 a 25 de janeiro. No Brasil é celebrada entre a Ascensão e Pentecostes (neste ano será de 4 a 11 de maio); 2) Jo 17,21.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Epifania : Manifestação de Deus aos homens


"Vimos e Viemos"

Celebramos hoje a festa da EPIFANIA. É a conclusão do tempo litúrgico do Natal, lembrando a adoração de Jesus pelos Magos, representantes das pessoas do mundo inteiro

A palavra "Epifania" significa: Manifestação de Deus aos homens. A Liturgia desse domingo leva-nos à manifestação de Jesus.

Ele é uma "Luz", que se acende na noite do mundo, ilumina os caminhos dos homens e os conduz ao encontro da Salvação.

A 1ª Leitura anuncia a chegada da Luz salvadora do Senhor, que transfigurará Jerusalém e atrairá a ela todos os povos. (Is 60,1-6) Esta Jerusalém nova representa a Igreja, comunidade dos que aderiram a Jesus e acolheram a Luz salvadora.

A 2ª Leitura apresenta o projeto salvador de Deus, que vai atingir toda a humanidade, juntando judeus e pagãos, numa mesma comunidade de irmãos, a comunidade de Jesus. (Ef 3,2-3a.5-6)

No Evangelho, vemos a concretização da promessa da 1ª leitura. (Mt 2,1-12) Guiados pela Estrela, os Magos vêm ao encontro de Jesus. Representam todos os povos da terra, que atentos aos sinais, procuram com esperança o Messias até encontrar.

A narrativa não é uma reportagem jornalística, mas uma CATEQUESE sobre Jesus e sua Missão.

A ESTRELA inventada por São Mateus, não é um astro no céu, mas a pessoa de Jesus. Ele é a "Luz" anunciada pelos profetas.

Os MAGOS representam todos os povos, que vão ao encontro de Jesus e se deixam guiar pela sua mensagem de paz e de amor.

A Intenção de Mateus era apresentar Jesus como o NOVO MOISÉS...

O ungido de Deus, recusado pelos judeus e aceito pelos pagãos, que formarão o novo Israel, o novo povo de Deus: a Igreja.

S. Mateus resume: "Vimos e Viemos"

ATITUDES diante da estrela:

- ADORAÇÃO: os Magos viram a "estrela", deixaram tudo e puseram-se a caminho. Diante dele, reconheceram a Luz do mundo, se ajoelharam e o adoraram.

- INDIFERENÇA: Os Sacerdotes o conheciam bem nas Escrituras. Sabiam até o lugar onde deveria nascer, mas não perceberam o sinal da chegada, nem se preocuparam de ir ao seu encontro. Estavam muito seguros de sua sabedoria... e por isso não tiveram a alegria de encontrar e adorar o Salvador.

- REJEIÇÃO: Herodes tentou até apagar esta Luz. Isto simboliza os grandes”, que temem a sua chegada. Poderia roubar-lhe o trono. Todos viram: um menino recém-nascido,mas as opções foram diferentes...

Com quem nos assemelhamos?

- Com os MAGOS, atentos aos sinais, capazes de ler os acontecimentos da vida e do mundo à luz de Deus?

- Com os SACERDOTES, orgulhosos do saber, mas acomodados?

- Com HERODES, que procura matar o menino?

O itinerário seguido pelos magos reflete o processo que os pagãos seguiram para encontrar Jesus:

- Estão atentos aos sinais (estrela);

- percebem que Jesus traz a Salvação;

- põem-se a caminho para o encontrar;

- perguntam aos judeus, que conhecem as Escrituras, o que fazer;

- encontram Jesus e o adoram...

Um caminho a seguir à procura de Deus...

Nesse relato, descobrimos as etapas do nosso caminho à procura de Jesus:

- Sensibilidade em distinguir os sinais de Deus…

- Generosidade de aceitar...


"Os magos viram a estrela e vieram adorá-lo".

Os magos não perderam a esperança:

- na incompreensão dos contemporâneos…

- nas dificuldades da longa caminhada…

- na maldade de Herodes…

- no ambiente rústico do presépio do Rei dos judeus...

Se olharmos o mundo e os homens com os olhos da fé… tudo será uma perene EPIFANIA...

Os magos não vão de mãos vazias!

Ofereceram as suas riquezas: ouro, incenso e mirra...

- O que temos nós a oferecer?


Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa CS
06.01.2008

domingo, 30 de dezembro de 2007

Sagrada Família


Ainda no clima do Natal a liturgia nos apresenta a FAMÍLIA SAGRADA onde essa criança cresceu e viveu como exemplo e modelo para todas as famílias.

As leituras bíblicas fornecem indicações práticas para nos ajudar a construir famílias felizes que sejam espaços de encontro, de partilha, de fraternidade, de amor verdadeiro.


A 1ª Leitura, desenvolve e explica o 4º Mandamento. Lembra os deveres dos filhos para com os pais. Essa observância é desejada e abençoada por Deus (Eclo 3,3-7.14-17a).

A 2ª Leitura, mostra o espírito que deve reinar numa família: "Revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, mansidão e paciência, suportando-vos e perdoando-vos mutuamente." (Cl 3,12-21) E acrescenta um recado às Esposas, aos Maridos, aos Filhos e aos Pais.

O Evangelho nos apresenta a FAMÍLIA SAGRADA em três momentos da Infância de Jesus: Belém, Egito, Nazaré. (Mt 2,13-15.19-23)

Nessas migrações, JESUS é conduzido por Deus e protegido pelos seus Pais.

A FAMÍLIA DE NAZARÉ é uma família como qualquer família de ontem, de hoje ou de amanhã, que se defronta com crises, dificuldades e contrariedade, no entanto É uma família unida e solidária. Nela existe verdadeiro Amor e solidariedade. Não hesita enfrentar os perigos do deserto e o desconforto do exílio, quando um de seus membros corre risco.

É uma família que escuta a Palavra de Deus e nessa escuta consegue vencer as contrariedades, superar os riscos e descobrir os caminhos para assegurar a seus membros a vida e o futuro.

JOSÉ aparece atento às indicações de Deus, e aceita a sua vontade. Tudo sacrifica em defesa da vida daquele menino, que Deus lhe confiou.

É uma família que obedece a Deus! Diante das indicações de Deus, não discute nem argumenta; mas cumpre à risca os desígnios de Deus. E é, precisamente, no cumprimento obediente dos projetos de Deus que assegura a esta família um futuro de vida, de tranqüilidade e de paz.

A Sagrada Família, modelo da família cristã. Costuma-se dizer que a Sagrada Família é modelo da família cristã, não tanto em seu contexto sócio cultural e histórico, mas quanto em seus valores fundamentais, especialmente o Amor, que lhe deram coesão, significado e missão de salvação nos planos de Deus.

"a família é a fonte da vida e o berço da fé."
João Paulo II

Família, instituição em crise ou em mudanças? A família está em crise, ou é um modelo já superado? Sem dúvida a família é a célula base da Igreja e da sociedade, mas está passando por uma transformação profunda.

Na Família do Passado, primava a relação vertical: uma instituição fechada, de cunho patriarcal. O PAI detinha a autoridade e era responsável na parte econômica; A MÃE atendia aos afazeres domésticos e cuidava dos Filhos; os filhos submetidos à autoridade paterna. Dava-se muito valor à AUTORIDADE.

A Família Atual, prima as relações horizontais dentro da família. Dá-se preferência ao DIÁLOGO, à co-responsabilidade, à igualdade, ao companheirismo e à amizade entre marido e esposa, entre pais e filhos. Contudo a família sofre hoje muitas influências negativas e muitos fatores de desagregação...

Quais os valores permanentes na família? Comunhão inter-pessoal de Amor e de Vida. O Amor fiel, único, exclusivo e para sempre. Os Filhos não são vistos como propriedade ou bens adquiridos, mas como vida e prolongamento vital de um amor pessoal, que educa e orienta para a liberdade responsável.

Comunidade aberta aos valores do mundo de hoje: A solidariedade, a responsabilidade, a fraternidade e o compromisso com os direitos humanos...

Igreja doméstica: Só assim a família cristã testemunhará a fé, a esperança e a caridade. Uma igreja doméstica que contribui para a santificação do mundo.

E a Nossa Família, como vai? À moda antiga ou atual?


Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa

30.12.2007