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terça-feira, 20 de julho de 2010

No mundo de hoje o que diria Jesus?

Sabemos que Deus, ser espiritual por excelência, é amor. Portanto, o amor é o elemento espiritual mais desejado: aquele amor que Deus, ao fazer-se homem, trouxe à terra.
Imaginemos ver passar diante dos nossos olhos algumas cenas sintomáticas do mundo de hoje. (…) E nos perguntemos: o que diria Jesus se aparecesse no meio delas? Estamos certos de que hoje, como no seu tempo, falaria novamente de amor. «Amai-vos — diria — como eu vos amei». Somente juntos, na concórdia e no perdão, é que podemos construir um futuro sólido.

Como em uma seqüência de projeções que se dissolvem uma na outra, imaginemos transferir-nos para outros lugares, como um país da América Latina, por exemplo. De um lado, arranha-céus, muitas vezes como modernas catedrais erigidas ao deus-consumo, e, do outro, barracos, favelas e miséria: miséria física e moral; e doenças de toda espécie.

O que diria Jesus diante desta visão desoladora? «Eu vos tinha dito que vos amásseis. Não o fizestes e eis as conseqüências.»

E se outros quadros, como numa colagem, nos oferecessem visões de cidades, conhecidas como as mais ricas do mundo, ou com as mais avançadas tecnologias e, simultaneamente, panoramas de ambientes desérticos com homens, mulheres e crianças morrendo de fome. Que diria Jesus se aparecesse bem ali no meio? «Amai-vos.» Ou se víssemos imagens de lutas raciais com flagelos e violações de direitos humanos… Ou intermináveis conflitos armados…

Que diria Jesus diante de tantos dramas? «Eu vos tinha dito que é preciso querer-se bem. Amai-vos como eu vos amei.» Sim, diria isso diante destas e das mais graves situações do mundo atual.

(…) E o que Jesus diz é de uma importância enorme, porque este «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei» é a chave principal para a solução de todo problema, é a resposta fundamental para todo mal que atinge o homem.

(…) Jesus definiu o mandamento do amor como “meu” e “novo”: é um mandamento tipicamente seu, visto que lhe deu um conteúdo único e novíssimo. «Amai-vos — disse Ele — como eu vos amei». E Ele deu a vida por nós.

Por conseguinte, o que está em jogo neste amor é a vida. E um amor para com os irmãos, disposto a dar a vida, é o que Ele pede também de nós.

Para Jesus não é suficiente a amizade ou a benevolência para com os outros; não lhe basta a filantropia, nem a mera solidariedade. O amor que ele pede não se resume na não-violência. É algo ativo, ativíssimo. Exige que não se viva mais em função de si mesmo, para viver pelos outros. E isso requer sacrifício, esforço. Exige que todos se transformem de pessoas covardes e egoístas, concentradas nos seus próprios interesses e nas suas próprias coisas, em pequenos heróis da vida cotidiana: pessoas que dia após dia estão a serviço dos irmãos, prontos a dar até mesmo a vida por eles.

E este é o chamado da vocação de vocês, se não quiserem ver seus ideais dissiparem-se em meras utopias.
Vocês devem amar desse modo, viver o amor mútuo desse modo, começando a dar testemunho deste amor antes de propô-lo aos outros.

Testemunhas, modelos, para que o mundo veja como vocês se amam e possa repetir aquilo que foi dito a respeito dos primeiros cristãos: «Vede como se amam e estão prontos a morrer uns pelos outros».
Deste modo teremos colocado bases sólidas; estará plantada a raiz da árvore que queremos ver florescer.
De fato, este amor recíproco entre vocês terá conseqüências de um valor — diríamos — infinito, porque onde existe o amor, lá está Deus; e como disse Jesus: «Onde dois ou três estão reunidos em meu nome (ou seja, no seu amor), ali estou eu no meio deles».

Vocês terão então Cristo entre vocês, o próprio Cristo, o Onipotente; e dele vocês podem esperar tudo.
Será Ele mesmo a trabalhar com vocês porque Ele de certa forma voltará ao mundo, a todos os lugares onde vocês estiverem, através do amor recíproco, da unidade vivida entre vocês.
Ele os iluminará a respeito de tudo o que deve ser feito, será o seu guia e sustento; Ele será a força, o ardor, a alegria de vocês.

Por meio dele o mundo que os rodeia se converterá à concórdia, e toda divisão será sanada. Foi Ele quem disse: «Que sejam um a fim de que o mundo creia».

Vocês assumiram um compromisso grandioso. Não pode ser outro, senão Ele, o líder nessa luta. Portanto, amor entre vocês e amor semeado em muitos cantos da terra, entre as pessoas, entre os grupos, entre as nações, com todos os meios, para que se torne realidade a “invasão de amor” da qual sempre falamos, e tome consistência — também mediante a contribuição de vocês — a civilização do amor que todos desejamos.

É isto que vocês são chamados a viver. E haverão de ver grandes coisas.
(…) Sigam em frente sem hesitação. A vida que vocês devem irradiar não deve conhecer meias medidas, é generosa. Não a desperdicem!

Todos, de mãos dadas, tenham certeza: a vitória será nossa.

Chiara Lubich

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Quando alguém passa ao nosso lado

Quando alguém passa ao nosso lado durante o dia, no trabalho ou na escola, nossa tarefa consiste sempre e unicamente em amar.

Mas devemos amar como Jesus.

Para tanto, é necessário ouvir sempre a sua voz que nos fala através da consciência, para que, ao amarmos, não erremos por excesso ou por falta. 0 Evangelho nos adverte, por exemplo, de que não se deve dar as coisas santas aos cães; e nós, mesmo podendo e devendo nos julgar inferiores a todos, porque só Deus sabe as graças que nos proporcionou e que não aproveitamos suficientemente, devemos estar vigilantes para não falarmos de "coisas santas , num ambiente não preparado para recebê‑las.

Aconteceria, como diz o Evangelho, que seriam desprezadas, "calcadas", e nós, ridicularizados, "despedaçados".

Ao mesmo tempo, devemos lembrar que o próprio Evangelho ensina também a amar o próximo como a si mesmo e portanto, a comunicar os bens espirituais que possamos ter e a luz que Deus nos dá, a quem estiver disposto a recebê‑los.

No primeiro caso, devemos testemunhar Jesus somente com a nossa vida, no segundo, também com a palavra. Um erro, por excesso, pode ser o que cometem certos cristãos que procuram apresentar a vida evangélica do lado aventuroso, poético, romântico, tentando atrair as pessoas com uma pseudomensagem evangélica que estimula a fantasia e o amor próprio, fazendo sentir‑se portadores de uma suposta missão.

Não se pode excluir da vida evangélica o que ela possui de mais esplêndido: a normalidade de uma vida sobrenatural límpida, harmoniosa, nem artificial, nem excessiva, mas simples como a natureza.

Maria, mãe do Criador e mãe de todas as criaturas, viveu entre seus contemporâneos que eram também filhos seus; no entanto, nada se conhece do seu apostolado entre eles. Ela fez só a vontade de Deus: amava a Jesus e assistia aos apóstolos.

E creio que ninguém melhor do que ela viveu o Evangelho.

Um erro de omissão pode ser notado nos cristãos exageradamente ligados a seus deveres e que vêem unicamente nestes a vontade de Deus, fechando‑se então, à manifestação da vontade de Deus através das circunstâncias. Terminam, por isso, não amando quem lhes passa ao lado. Estas pessoas vivem em pouca intimidade com Deus, porque não ouvem a sua voz em cada momento presente do dia. Não obstante pensem estar cumprindo justamente seus melhores deveres, na verdade estão apegados também a si mesmas. Não conhecem a poesia do Evangelho, a divina aventura que ele encerra, porque não sabem ver a linha traçada pela providencial mão de Deus que ilumina a vida de cada homem, mesmo o mais simples e desconhecido.

Enquanto os que pecam por excesso podem parecer exaltados, estes são sombrios e enfadonhos. A presença deles é inexpressiva e afasta os outros.

0 verdadeiro cristão é uma pessoa em quem vive sempre Cristo e dele todos se aproximam com amor e temor, porque irradia, como Jesus, o amor e a verdade: oVerdadeiro cristão é luz no mundo.

Chiara Lubich