domingo, 25 de maio de 2008

Dá que pensar...


"O que é uma estrada que não conduz a lado nenhum?


A vida sem Deus"


Raoul Follereau

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Novena ao Espírito Santo Dia 11 de Maio é o dia do Pentecostes, a descida do Espírito Santo. "Se me tendes amor, cumprireis os meus mandamentos, e Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará o Espírito para que esteja sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode conhecer porque não o vê nem o conhece; vós é que o conheceis, porque permanece junto de vós, e está em vós.” (Jo 14,15-17)

1- Vinde, Espírito de Sabedoria! Instruí o meu coração para que eu saiba estimar e amar os bens celestes e antepô-lo a todos os bens da terra. (Glória ao Pai...)


2- Vinde, Espírito de Inteligência! Iluminai a minha mente para que entenda e abrace todos os mistérios e mereça alcançar um pleno conhecimento Vosso, do Pai e do Filho. (Glória ao Pai...)


3- Vinde, Espírito de Conselho! Assisti-me em todos os assuntos desta vida instável, tornai-me dócil às Vossas inspirações e guiai-me sempre pelo direito caminho dos divinos mandamentos. (Glória ao Pai...)


4- Vinde, Espírito de Fortaleza! Fortalecei o meu coração em todas as perturbações e adversidades e dai à minha alma o vigor necessário para resistir a todos os meus inimigos. (Glória ao Pai...)


5- Vinde, Espírito de Ciência! Fazei-me ver a vaidade de todos os bens caducos deste mundo, para que não use deles senão para Vossa maior glória e salvação da minha alma. (Glória ao Pai...)


6- Vinde, Espírito de Piedade! Vinde morar no meu coração e inclinai-o para a verdadeira piedade e santo amor de Deus. (Glória ao Pai...)


7- Vinde, Espírito de Temor de Deus! Repassai a minha carne com o Vosso santo temor, de modo que tenha sempre Deus presente e evite tudo o que possa desagradar aos olhos de Sua divina majestade. (Glória ao Pai...)


Divino Espírito Santo, eu vos ofereço todas as preces da santíssima Virgem e dos apóstolos reunidos no cenáculo, e a estas uno todas as minhas orações, suplicando-Vos que Vos apresseis em vir renovar a face da terra.


- Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado.
- E renovareis a face da terra.


Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos fiéis com a luz do Espírito Santo, dai-nos pelo mesmo Espírito o conhecimento e o amor da justiça e que gozemos sempre da Sua consolação. Amém.


(Rezar três Ave-Marias a Nossa Senhora de Pentecostes com a invocação: "Rainha dos Apóstolos, rogai por nós!")


Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/especial/pentecostes/rez_novena.php

quinta-feira, 17 de abril de 2008

“E o fruto da justiça será a paz"!


“E o fruto da justiça será a paz! A prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras.” (Is 32,17)


“Até que sobre nós se derrame o espírito que vem do alto. Aí, então, o que era deserto virá a ser um bosque e o que era um bosque será uma floresta.” Assim começa o trecho que contém a Palavra de Vida deste mês. Na segunda metade do século VIII antes de Cristo, o profeta Isaías anuncia um futuro de esperança para a humanidade, de certo modo uma nova criação, um novo “bosque” ou “jardim”, onde moram o direito e a justiça, capazes de gerar paz e segurança.


Essa nova era de paz (shalom) será obra do Espírito divino, força vital capaz de renovar a criação; e, ao mesmo tempo, será fruto do respeito pela Aliança, pelo pacto entre Deus e o seu povo e entre os componentes do próprio povo, uma vez que a comunhão com Deus e a comunidade dos homens são realidades inseparáveis.

“E o fruto da justiça será a paz! A prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras.” (Is 32,17)

As palavras de Isaías recordam a necessidade de um esforço responsável e sério em respeitar as normas comuns da convivência civil, que impedem o individualismo egoísta e o arbítrio cego, favorecem a coexistência harmoniosa e o trabalho a serviço do bem comum.
Mas, será possível viver segundo a justiça e praticar o direito? Sim, com a condição de que se reconheçam todas as outras pessoas como irmãos e irmãs e se veja a humanidade como uma família, no espírito da fraternidade universal.

E como é possível enxergá-la assim, sem a presença de um Pai para todos? Ele, por assim dizer, já gravou a fraternidade universal no DNA de cada pessoa. Com efeito, a primeira vontade de um pai é que os filhos se tratem como irmãos e irmãs, que se queiram bem, que se amem.
Por isso o “Filho” por excelência, o Irmão de cada homem, veio e nos deixou como norma da vida social o amor mútuo. E o respeito pelas regras da convivência e o cumprimento do próprio dever são expressões do amor.

O amor é a norma suprema de toda ação; norma essa que promove a verdadeira justiça e traz a paz. As nações precisam de leis cada vez mais correspondentes às necessidades da vida social e internacional, mas sobretudo precisam de homens e mulheres que no seu íntimo saibam “ordenar” a caridade. Essa “ordem” é justiça, e só nessa ordem as leis têm valor.

“E o fruto da justiça será a paz! A prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras.”

Como viveremos, então, a Palavra de Vida durante este mês?
Empenhando-nos ainda mais nos deveres profissionais, na ética, na honestidade, na legalidade.
Reconhecendo os outros como pessoas da mesma família que esperam de nós atenção, respeito, proximidade solidária.

Se você colocar a caridade mútua e contínua (que precede todas as coisas) na base da sua vida, nos seus relacionamentos com o próximo, como a mais completa expressão do seu amor para com Deus, então a sua justiça será realmente agradável a Deus.

“E o fruto da justiça será a paz! A prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras.”

No sul da Itália, um guarda civil com sua família decidiu morar, por opção de solidariedade para com as pessoas menos privilegiadas da cidade, num dos bairros novos que estavam surgindo: ruas sem asfalto, ausência de iluminação pública, de rede de água e de esgoto; serviços de assistência social e transporte público, nem pensar.

“Procuramos criar com todas as famílias e cada habitante do bairro uma relação de conhecimento e de diálogo”, diz ele, “tentando sanar a fratura existente entre os cidadãos e a administração pública. Aos poucos, os cerca de 3.000 habitantes do bairro se tornaram agentes ativos no relacionamento com as instituições públicas, por meio de um comitê criado com esse objetivo.

Chegaram a conseguir da administração regional a aprovação de uma verba significativa para a recuperação do bairro, que agora é um bairro-modelo, tendo criado até atividades de formação para representantes de todos os comitês de bairro da cidade”.

Chiara Lubich


domingo, 30 de março de 2008

Por que procurais o Vivente entre os mortos?

Devemos procurar o Cristo vivo, como as mulheres que, na manha da Páscoa, foram ao seu túmulo. Também a nós os anjos dizem: "Por que procurais o Vivente entre os mortos?" (Lc 24,5). Não, não procurem a Vida entre os mortos, entre os que não possuem amor e estão enterrados no túmulo do próprio egoísmo. O ser humano só pode viver pelo amor. E toda injustiça na Terra, toda miséria, todo medo e todo terror, toda perseguição e opressão, toda guerra e todo crime só existem por falta de amor. Pois, qualquer plano insidioso que os tiranos e ditadores dos nossos tempos possam forjar tem sempre sua causa nos mortos.

Por que procurais o Vivente entre os mortos? Entre aqueles que só vivem para si mesmos, para o seu dinheiro, os seus bens e o seu prazer?

Deixem Cristo ressuscitado governar em vocês, para que sua força transformadora os torne homens novos. Não procurem a vida entre os mortos, entre os egoístas. Sigam as palavras de Jesus: "Um mandamento novo eu vos dou: amai-vos uns aos outros" (Jo 13,34).

Assim se tornarão homens novos, como Pedro, João, as mulheres, os discípulos de Emaús. Eles não tinham mais medo, eles deram seu testemunho, eles possuíam o amor.

Somente quando vocês tiverem o amor, Cristo poderá vir ao seu encontro e dizer: "A paz esteja convosco!" Onde não há amor, a paz também é impossível. Não há outra saída a não ser o amor.

A Lei dum Amor Misericordioso

«O cristão não tem outra Lei senão Cristo. Sua “Lei” é a vida nova que lhe foi conferida em Cristo. A nossa Lei não está escrita em livros, e sim nas profundezas do nosso coração; não pela mão de seres humanos, mas pelo dedo de Deus. O nosso dever agora não é apenas obedecer, e sim viver. Não temos de nos salvar, somos salvos por Cristo. Devemos viver para Deus em Cristo, não só como quem procura a salvação, mas como quem está salvo.

Mas agora, com a ressurreição de Cristo, o poder da Páscoa irrompeu sobre nós. Agora, encontramos em nós uma força que não é nossa e que nos é dada livremente sempre que dela necessitamos, elevando-nos acima da Lei, dando-nos uma nova Lei que se acha escondida em Cristo: a lei do Seu amor misericordioso por nós.» - Thomas Merton

sábado, 29 de março de 2008

Este domingo é a Festa da Divina Misericórdia


"Desejo a confiança. Espero de ti obras de misericórdia, que devem nascer do teu amor por Mim. Importa que ao próximo manifestes misericórdia sempre e em qualquer lugar. Não te podes furtar a isto, tentando arranjar desculpas ou justificares-te.
E indico-te três maneiras de exerceres a misericórdia para com o próximo: a primeira pela acção; a segunda pela palavra; e a terceira pela oração. Nestes três graus assenta a plenitude da Misericórdia, pois constituem uma prova irrefutável do amor por Mim. Mesmo a fé mais forte nada vale sem as obras".

In Diário de Santa Faustina - Palavras de Jesus a Santa Faustina

quinta-feira, 20 de março de 2008

Jesus Misericordioso


Jesus pede-nos para mostrarmos como Ele é Amor e Misericórdia e como está sempre pronto para perdoar. Como Ele disse na Bíblia: "Eu não vim chamar os justos e, sim, os pecadores ao arrependimento" (Mt 9, 13). Por outras palavras, não condena ninguém e quando diz "Isto está errado!" diz logo de seguida "Mas, podes fazer X. Ainda vais a tempo de mudar. Eu ajudo-te. Não te esqueças que Te amo". No fundo quer que digamos "Jesus, eu confio em Ti".

À Sexta-Feira Santa começa a Novena da Divina Misericórdia. É uma novena muito bonita, com uma mensagem muito bonita e muito importante. A seguir a esta novena, no domingo a seguir à Páscoa, temos a Festa da Divina Misericórdia, da qual falava muito João Paulo II.

A novena é feita especialmente nesta altura, mas, claro, pode ser feita em qualquer altura do ano. Já agora vejam a Via Sacra. É linda! :)

Aqui podes ficar a conhecer a novena e a via sacra (na página a seguir).

http://jesus-misericordioso.com/zgrom_ptbra.htm

Neste link podes conhecer um pouco mais sobre a Divina Misericórdia.
http://www.misericordia.org.br/modules.php?name=Content&pa=showpage&pid=9

Uma Santa Páscoa.

sábado, 15 de março de 2008

Despojamento



Deus quer-nos na dependência generosa do amor, no despojamento radical de nós mesmos, num nada que se tornará tudo. (...)

Quanto mais o coração está desocupado de si, tanto mais é ocupado por Deus (...)

Estar livre de si fará sempre parte da nossa aspiração a amar mais. (...) Conformação da nossa vontade à Vontade de Deus. Caminho de despojamento de nós mesmos, desde o início, como Cristo, ao vir a este mundo: «Pai, eis-Me aqui para fazer a tua vontade.» (Hb 10,7) (...)

Caminho de despojamento, de abandono de nós mesmos por uma entrega consciente, livre e voluntária nas maõs de Deus. Despojamento de tudo o que não é digno de Deus em nós, na nossa vida. (...)

Tudo deve ser purificado para tornar-se transparência de Deus. Porque o despojamento só tem sentido se for para nos revestirmos de Cristo (cf. Cl 3,10) e mergulharmos no seu amor.»

Pe. Constant Tonnelier, em "Quinze dias com São João da Cruz"

domingo, 2 de março de 2008

Vencer-se a si mesmo


O que é "vencer-se a si mesmo"? François Varillon disse: "Trata-se de nos tornarmos homens livres". O que Deus quer é a nossa liberdade. A liberdade é o esquecimento de nós mesmos, ou seja, uma outra forma de designar o amor. Mas adquiri-la não é espontâneo, nem automático. É preciso vencer-se. Antes de dizer: «Esqueci-me de mim» tenho que dizer a mim próprio: «Preciso sair de mim mesmo». Em termos um pouco técnicos: o êxodo precede necessariamente o êxtase, isto é, não posso continuar centrado em mim mesmo, tenho que viver fora de mim, voltado para o outro.(...)

Não poderei entrar em Deus enquanto o mais pequenino átomo de auto-contemplação, de olhar voltado para mim mesmo, não for queimado."

François Varillon S. J. , em "Viver o Evangelho"

Vencer-se a si mesmo

O que é "vencer-se a si mesmo" ? François Varillon disse: "Trata-se de nos tornarmos homens livres. O que Deus quer é a nossa liberdade. A liberdade é o esquecimento de nós mesmos, ou seja, uma outra forma de designar o amor. Mas adquiri-la não é espontâneo, nem automático. É preciso vencer-se. Antes de dizer: «Esqueci-me de mim» tenho que dizer a mim próprio: «Preciso de sair de mim mesmo». Em termos um pouco técnicos: o êxodo precede necessariamente o êxtase, isto é, não posso continuar centrado em mim mesmo, tenho que viver fora de mim, voltado para o outro.(...)

Não poderei entrar em Deus enquanto o mais pequenino átomo de auto-contemplação, de olhar voltado para mim mesmo, não for queimado."

François Varillon S. J. , em "Viver o Evangelho"

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Pensemos nisto....


Não são preciso muitas palavras para dizer o mais importante. Deixo apenas estas duas questões...

Quantas vezes dizemos a Jesus que O amamos?

Quantas vezes Lhe agradecemos por nos amar, apesar das nossas imperfeições?

sábado, 12 de janeiro de 2008

Orai continuamente


“Orai continuamente.”
(1Ts 5,17)

Este ano a “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos” comemora o seu centenário. O “Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos” foi celebrado pela primeira vez de 18 a 25 de janeiro1 de 1908. Sessenta anos mais tarde, em 1968, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos foi preparada em conjunto pela Comissão Fé e Constituição (do Conselho Mundial de Igrejas) e pelo Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (da Igreja Católica). Assim, desde então, todos os anos, cristãos católicos e de diversas outras Igrejas se reúnem para preparar um pequeno livro com sugestões para a celebração da Semana de Oração.

A Palavra escolhida este ano, por um amplo grupo ecumênico dos Estados Unidos, vem da Primeira Carta de são Paulo aos cristãos de Tessalônica, na Grécia. Era uma comunidade pequena, jovem, e Paulo sentia a necessidade de que a unidade entre seus membros fosse cada vez mais firme. Por isso, convidava-os a “conservar a paz”, a ser pacientes para com todos, a não retribuir o mal com o mal, mas a procurar sempre o bem entre eles e para com todos, e também a “orar continuamente”, como que salientando que a vida de unidade na comunidade cristã só é possível quando existe uma vida de oração. O próprio Jesus orou ao Pai pela unidade dos seus: “Que todos sejam um”2.


“Orai continuamente.”

Por que “orar continuamente”? Porque a oração é essencial para a pessoa enquanto ser humano. Fomos criados segundo a imagem de Deus, como interlocutores, como um “tu” de Deus, capazes de estar numa relação de comunhão com Ele. Portanto, a relação de amizade, o diálogo espontâneo, simples e verdadeiro com Ele – isso é oração – é realidade constitutiva do nosso ser, que tornar possível sermos pessoas autênticas, na plena dignidade de filhos e filhas de Deus.

Tendo sido criados como um “tu” de Deus, podemos viver em constante relação com Ele, com o coração cheio de amor derramado pelo Espírito Santo e com aquela confiança que se tem diante do próprio Pai: aquela confiança que nos leva a falar freqüentemente com Ele, a expor-lhe todas as nossas coisas, as nossas preocupações, os nossos projetos; confiança que nos faz esperar com impaciência o momento dedicado à oração – entrecortada durante o dia por outros compromissos de trabalho, de família –, para nos colocarmos em contato profundo com Aquele que nos ama.

Precisamos “orar sempre”, não somente pelas nossas necessidades, mas também para colaborarmos na edificação do Corpo de Cristo e para contribuirmos com a plena e visível comunhão na Igreja de Cristo. Este é um mistério que podemos de certo modo intuir quando pensamos nos vasos comunicantes: ao acrescentarmos água num deles, o nível do líquido sobe em todos eles. O mesmo acontece quando alguém ora. A oração é uma elevação da alma a Deus para adorá-lo e agradecer-lhe. Analogamente, quando uma pessoa se eleva, elevam-se também as outras.


“Orai continuamente.”

Como podemos “orar continuamente”, sobretudo quando nos encontramos no corre-corre da vida de cada dia?
“Orar continuamente” não significa multiplicar os atos de oração, mas orientar a alma e a vida para Deus, viver cumprindo a sua vontade: estudar, trabalhar, sofrer, repousar e até morrer por Ele. A tal ponto que não mais conseguimos viver no dia-a-dia sem termos antes nos colocado de acordo com Ele.
Então, a nossa vida se transforma numa ação sagrada, e o nosso dia se torna uma oração.
Pode nos ajudar o fato de oferecer a Deus cada ação realizada, dizendo: “Por ti, Jesus!”; ou então, nas dificuldades: “O que importa? Amar-te importa!”. Assim, transformaremos tudo num ato de amor.
E a oração será contínua, porque contínuo será o amor.


Chiara Lubich

1) No Hemisfério Norte, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é celebrada de 18 a 25 de janeiro. No Brasil é celebrada entre a Ascensão e Pentecostes (neste ano será de 4 a 11 de maio); 2) Jo 17,21.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Epifania : Manifestação de Deus aos homens


"Vimos e Viemos"

Celebramos hoje a festa da EPIFANIA. É a conclusão do tempo litúrgico do Natal, lembrando a adoração de Jesus pelos Magos, representantes das pessoas do mundo inteiro

A palavra "Epifania" significa: Manifestação de Deus aos homens. A Liturgia desse domingo leva-nos à manifestação de Jesus.

Ele é uma "Luz", que se acende na noite do mundo, ilumina os caminhos dos homens e os conduz ao encontro da Salvação.

A 1ª Leitura anuncia a chegada da Luz salvadora do Senhor, que transfigurará Jerusalém e atrairá a ela todos os povos. (Is 60,1-6) Esta Jerusalém nova representa a Igreja, comunidade dos que aderiram a Jesus e acolheram a Luz salvadora.

A 2ª Leitura apresenta o projeto salvador de Deus, que vai atingir toda a humanidade, juntando judeus e pagãos, numa mesma comunidade de irmãos, a comunidade de Jesus. (Ef 3,2-3a.5-6)

No Evangelho, vemos a concretização da promessa da 1ª leitura. (Mt 2,1-12) Guiados pela Estrela, os Magos vêm ao encontro de Jesus. Representam todos os povos da terra, que atentos aos sinais, procuram com esperança o Messias até encontrar.

A narrativa não é uma reportagem jornalística, mas uma CATEQUESE sobre Jesus e sua Missão.

A ESTRELA inventada por São Mateus, não é um astro no céu, mas a pessoa de Jesus. Ele é a "Luz" anunciada pelos profetas.

Os MAGOS representam todos os povos, que vão ao encontro de Jesus e se deixam guiar pela sua mensagem de paz e de amor.

A Intenção de Mateus era apresentar Jesus como o NOVO MOISÉS...

O ungido de Deus, recusado pelos judeus e aceito pelos pagãos, que formarão o novo Israel, o novo povo de Deus: a Igreja.

S. Mateus resume: "Vimos e Viemos"

ATITUDES diante da estrela:

- ADORAÇÃO: os Magos viram a "estrela", deixaram tudo e puseram-se a caminho. Diante dele, reconheceram a Luz do mundo, se ajoelharam e o adoraram.

- INDIFERENÇA: Os Sacerdotes o conheciam bem nas Escrituras. Sabiam até o lugar onde deveria nascer, mas não perceberam o sinal da chegada, nem se preocuparam de ir ao seu encontro. Estavam muito seguros de sua sabedoria... e por isso não tiveram a alegria de encontrar e adorar o Salvador.

- REJEIÇÃO: Herodes tentou até apagar esta Luz. Isto simboliza os grandes”, que temem a sua chegada. Poderia roubar-lhe o trono. Todos viram: um menino recém-nascido,mas as opções foram diferentes...

Com quem nos assemelhamos?

- Com os MAGOS, atentos aos sinais, capazes de ler os acontecimentos da vida e do mundo à luz de Deus?

- Com os SACERDOTES, orgulhosos do saber, mas acomodados?

- Com HERODES, que procura matar o menino?

O itinerário seguido pelos magos reflete o processo que os pagãos seguiram para encontrar Jesus:

- Estão atentos aos sinais (estrela);

- percebem que Jesus traz a Salvação;

- põem-se a caminho para o encontrar;

- perguntam aos judeus, que conhecem as Escrituras, o que fazer;

- encontram Jesus e o adoram...

Um caminho a seguir à procura de Deus...

Nesse relato, descobrimos as etapas do nosso caminho à procura de Jesus:

- Sensibilidade em distinguir os sinais de Deus…

- Generosidade de aceitar...


"Os magos viram a estrela e vieram adorá-lo".

Os magos não perderam a esperança:

- na incompreensão dos contemporâneos…

- nas dificuldades da longa caminhada…

- na maldade de Herodes…

- no ambiente rústico do presépio do Rei dos judeus...

Se olharmos o mundo e os homens com os olhos da fé… tudo será uma perene EPIFANIA...

Os magos não vão de mãos vazias!

Ofereceram as suas riquezas: ouro, incenso e mirra...

- O que temos nós a oferecer?


Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa CS
06.01.2008

domingo, 30 de dezembro de 2007

Sagrada Família


Ainda no clima do Natal a liturgia nos apresenta a FAMÍLIA SAGRADA onde essa criança cresceu e viveu como exemplo e modelo para todas as famílias.

As leituras bíblicas fornecem indicações práticas para nos ajudar a construir famílias felizes que sejam espaços de encontro, de partilha, de fraternidade, de amor verdadeiro.


A 1ª Leitura, desenvolve e explica o 4º Mandamento. Lembra os deveres dos filhos para com os pais. Essa observância é desejada e abençoada por Deus (Eclo 3,3-7.14-17a).

A 2ª Leitura, mostra o espírito que deve reinar numa família: "Revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, mansidão e paciência, suportando-vos e perdoando-vos mutuamente." (Cl 3,12-21) E acrescenta um recado às Esposas, aos Maridos, aos Filhos e aos Pais.

O Evangelho nos apresenta a FAMÍLIA SAGRADA em três momentos da Infância de Jesus: Belém, Egito, Nazaré. (Mt 2,13-15.19-23)

Nessas migrações, JESUS é conduzido por Deus e protegido pelos seus Pais.

A FAMÍLIA DE NAZARÉ é uma família como qualquer família de ontem, de hoje ou de amanhã, que se defronta com crises, dificuldades e contrariedade, no entanto É uma família unida e solidária. Nela existe verdadeiro Amor e solidariedade. Não hesita enfrentar os perigos do deserto e o desconforto do exílio, quando um de seus membros corre risco.

É uma família que escuta a Palavra de Deus e nessa escuta consegue vencer as contrariedades, superar os riscos e descobrir os caminhos para assegurar a seus membros a vida e o futuro.

JOSÉ aparece atento às indicações de Deus, e aceita a sua vontade. Tudo sacrifica em defesa da vida daquele menino, que Deus lhe confiou.

É uma família que obedece a Deus! Diante das indicações de Deus, não discute nem argumenta; mas cumpre à risca os desígnios de Deus. E é, precisamente, no cumprimento obediente dos projetos de Deus que assegura a esta família um futuro de vida, de tranqüilidade e de paz.

A Sagrada Família, modelo da família cristã. Costuma-se dizer que a Sagrada Família é modelo da família cristã, não tanto em seu contexto sócio cultural e histórico, mas quanto em seus valores fundamentais, especialmente o Amor, que lhe deram coesão, significado e missão de salvação nos planos de Deus.

"a família é a fonte da vida e o berço da fé."
João Paulo II

Família, instituição em crise ou em mudanças? A família está em crise, ou é um modelo já superado? Sem dúvida a família é a célula base da Igreja e da sociedade, mas está passando por uma transformação profunda.

Na Família do Passado, primava a relação vertical: uma instituição fechada, de cunho patriarcal. O PAI detinha a autoridade e era responsável na parte econômica; A MÃE atendia aos afazeres domésticos e cuidava dos Filhos; os filhos submetidos à autoridade paterna. Dava-se muito valor à AUTORIDADE.

A Família Atual, prima as relações horizontais dentro da família. Dá-se preferência ao DIÁLOGO, à co-responsabilidade, à igualdade, ao companheirismo e à amizade entre marido e esposa, entre pais e filhos. Contudo a família sofre hoje muitas influências negativas e muitos fatores de desagregação...

Quais os valores permanentes na família? Comunhão inter-pessoal de Amor e de Vida. O Amor fiel, único, exclusivo e para sempre. Os Filhos não são vistos como propriedade ou bens adquiridos, mas como vida e prolongamento vital de um amor pessoal, que educa e orienta para a liberdade responsável.

Comunidade aberta aos valores do mundo de hoje: A solidariedade, a responsabilidade, a fraternidade e o compromisso com os direitos humanos...

Igreja doméstica: Só assim a família cristã testemunhará a fé, a esperança e a caridade. Uma igreja doméstica que contribui para a santificação do mundo.

E a Nossa Família, como vai? À moda antiga ou atual?


Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa

30.12.2007

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Santos Inocentes

"Os meninos inocentes foram mortos por causa do Cristo. Eles seguem o Cordeiro sem mancha, e cantam: Glória a ti, Senhor"!

Somente a monstruosidade de uma mente assassina, cruel e desumana, poderia conceber o plano executado pelo sanguinário rei Herodes: eliminar todas os meninos nascidos no mesmo período do nascimento de Jesus, para evitar que vivesse o Rei dos judeus. Pois foi isso que esse tirano arquitetou e fez.

Impossível calcular o número de crianças arrancadas dos braços maternos e depois trucidadas. Todos esses pequeninos se tornaram os "Santos Inocentes", cultuados e venerados pelo povo de Deus. Eles tiveram seu sangue derramado em nome de Cristo, sem nem mesmo poderem "confessar" sua crença. Quem narrou para a História foi o Apóstolo Mateus, em seu Evangelho. Os reis magos procuraram Herodes, perguntando onde poderiam encontrar o recém-nascido Rei dos judeus para saudá-lo. O rei consultou então os sacerdotes e sábios do reino, obtendo a resposta de que o Ele teria nascido em Belém de Judá, Palestina.

Herodes, fingindo apoiar os magos em sua missão, pediu-lhes que depois de encontrarem o "tal Rei dos judeus", voltassem e lhe dessem notícias confirmando o fato e o local onde poderia ser encontrado, pois "também queria adorá-lo". Claro que os reis do Oriente não traíram Jesus. Depois de visitá-lo na manjedoura, um Anjo os visitou em sonho avisando que o Menino-Deus corria perigo de vida e que deveriam voltar para suas terras por outro caminho. O encontro com o rei Herodes devia ser evitado.

Eles ouviram e obedeceram. Mas o tirano ao perceber que havia sido enganado, decretou a morte de todos os meninos com menos de dois anos de idade nascidos na região. O decreto foi executado à risca pelos soldados do seu exército.

A festa aos Santos Inocentes acontece desde o século IV. O culto foi confirmado pelo Papa Pio V, agora Santo, para marcar o cumprimento de uma das mais antigas profecias, revelada pelo profeta Jeremias: a de que "Raquel choraria a morte de seus filhos" quando o Messias chegasse. Esses pequeninos inocentes de tenra idade, de alma pura, escreveram a primeira página do álbum de ouro dos mártires cristãos e mereceram a glória eterna segundo a promessa de Jesus. A Igreja preferiu indicar a festa dos Santos Inocentes para o dia 28 de dezembro por ser uma data próxima à Natividade de Jesus, uma vez que tudo aconteceu após visita dos reis magos. A escolha foi proposital, pois quis que os Santinhos Inocentes alegrassem com sua presença a manjedoura do Menino Jesus.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Bem-aventurada Aquela que acreditou

"Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre"

Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor”. (Lucas 1,39-45)


“Bem-aventurada Aquela que acreditou”:

Maria é bem-aventurada, como lhe diz sua prima Isabel, não apenas porque Deus a olhou, mas porque acreditou. A sua fé é o mais belo produto da bondade divina. Mas foi necessário que a arte inefável do Espírito Santo poisasse sobre Ela, para que tanta grandeza de alma se unisse a tanta humildade no segredo do seu coração virginal. A humildade e a grandeza de alma de Maria são, como a sua virgindade e a sua fecundidade, semelhantes a duas estrelas que se iluminam mutuamente, porque em Maria a profundidade da humildade em nada prejudica a generosidade da alma, e reciprocamente. Julgando-se a si mesma de forma tão humilde, Maria nem por isso foi menos generosa na sua fé na promessa que lhe tinha sido feita pelo anjo. Ela que apenas se considerava uma pobre serva, não duvidou de que tivesse sido chamada a este mistério incompreensível, a esta união prodigiosa, a este segredo insondável. E acreditou imediatamente que se tornaria de facto a Mãe de Deus encarnado.

É a graça de Deus que produz esta maravilha no coração dos eleitos; a humildade não os torna receosos e timoratos, como a generosidade de alma os não torna orgulhosos. Pelo contrário, nos santos, estas duas virtudes reforçam-se uma à outra. A grandeza de alma, não só não abre a porta ao orgulho, como é sobretudo ela que permite avançar no mistério da humildade. Com efeito, os mais generosos ao serviço de Deus são também os mais penetrados pelo temor do Senhor e os mais reconhecidos pelos dons recebidos. Reciprocamente, quando está em jogo a humildade, cobardia alguma se insinua na alma. Quanto menos tem o hábito de presumir das suas próprias forças, mesmo nas coisas mais pequenas, mais a pessoa se confia ao poder de Deus, mesmo nas maiores
.

Sermão para a oitava da Assunção, sobre as doze prerrogativas de Maria São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja

sábado, 15 de dezembro de 2007

Jesus lhes falava de João Batista

"O destino cruel reservado ao Batista revelou a leviandade dos esquemas religiosos e políticos de seu tempo".

Ao descerem do monte, os discípulos perguntaram a Jesus: "Por que os mestres da lei dizem que Elias deve vir primeiro?" Jesus respondeu: "Elias vem e colocará tudo em ordem. Ora, eu vos digo: Elias já veio, mas eles não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles". Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista. Palavra do Senhor! (Mt 17, 10-13)

Questionando uma doutrina

Os mestres da Lei prenunciavam a vinda de Elias como sinal de realização das esperanças messiânicas. Esta doutrina fundava-se na crença de que haveria uma restauração gloriosa de Israel, por obra do Messias. Este triunfalismo foi questionado por Jesus.

A tarefa atribuída ao profeta Elias - "colocar tudo em ordem" - fora desempenhada por João Batista. Sua vida humilde e ascética impediu que os triunfalistas o reconhecessem. Só os simples foram capazes de perceber a importância da pregação do Precursor, e se deixaram batizar por ele, confessando seus pecados, dispostos a se converterem.

O destino cruel reservado ao Batista revelou a leviandade dos esquemas religiosos e políticos de seu tempo. Esperando uma manifestação espalhafatosa de Deus, que a eximisse da responsabilidade de estar sempre vigilante e em discernimento, a liderança religiosa fez-se surda aos apelos de quem exigia dela uma decisão responsável e livre. Desta forma, ela desprezou a oportunidade oferecida por Deus.

O caminho trilhado por Jesus foi idêntico ao do Batista. Despojado de qualquer pretensão mundana, fez-se solidário com os pobres e marginalizados, os deserdados deste mundo. Por isso, quem cultivava a mesma mentalidade triunfalista dos adversários do Batista jamais poderia confessá-lo como Messias. Só quem entendia que a obra de Deus acontece na contramão da mentalidade humana estava em condições de tornar-se discípulo.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Vigia e Orai...


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra. Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do homem". Palavra da Salvação! (Lc 21, 34-36)

VIGIAI E ORAI

O grande perigo das pessoas em relação à escatologia é a dissipação do coração. Os atrativos e prazeres da vida, o acúmulo exagerado de bens materiais, a liberação dos instintos egoístas são todos elementos que corrompem o coração humano, impedindo-o de se preparar para o encontro com o Senhor.

Jesus recomenda vigilância e oração como as formas melhores de nos colocarmos em clima de espera. Vigiar é ser capaz de detectar tudo quanto possa desviar nossa atenção do fim almejado, acabando por nos afastar dos caminhos de Deus. São muitas as formas com que o mau espírito procura atuar, para alcançar o seu fim. Quem cochila, acaba caindo na armadilha para pegar os incautos. Só os vigilantes conseguem safar-se das investidas do maligno.

A oração, por sua vez, coloca-nos em contínua ligação com Deus, de quem recebemos luz e força para permanecer em pé, vigilante à espera do Senhor. Ela predispõe-nos para escutar os apelos divinos e deixar-nos guiar por eles. Sensibiliza-nos para realizar o projeto de Deus. Mantém-nos sempre atentos à prática do bem, como faz o Pai em benefício da humanidade.

Portanto, perseverar na espera requer uma atitude de atenção à história e de comunhão profunda com Deus.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Solenidade de Cristo Rei


Na solenidade de Cristo Rei*, precisamos trazer presente na consciência a convicção de que cabe a nós construir o reino de Cristo - já aqui e agora em nossa existência passageira - para vivê-lo na plenitude da eternidade.

Nos tempos em que estamos vivendo, muitas vezes parecemos experimentar um sentimento de total desesperança tanto nas estruturas como nos homens e mulheres. Muitos de nós temos a impressão de que o ser humano tem a tendência para o mal. Assim, podemos chegar a pensar que nada adianta lutar contra o mal e contra as estruturas injustas e opressoras de nosso tempo. Afinal, dizem alguns, elas sempre vencem: a maldade sempre vencerá a bondade; a injustiça sempre triunfará sobra a justiça. E a paz, ora a paz! Esta está cada vez mais longe.

A liturgia da Solenidade de Cristo Rei, entretanto, aponta para esperança. Cristo venceu o mal e a morte e nos introduziu em seu reino de justiça e paz. O ser humano pode, se deixado a si mesmo, tender para o pecado e para a morte. Mas o Cristo da fé nos fala de seu reino e, em toda a prática da sua vida, nos aponta as formas de torná-lo realidade. O reino de Deus não tem os mesmos valores do reino dos homens - a ganância, o lucro, a violência, a opressão, a corrupção e a guerra. Ao contrário, o reino do qual Cristo é o Rei tem os valores que pulsam no profundo do nosso ser. Nós ansiamos pela paz, pela justiça, pela fraternidade, pela igualdade; nós ansiamos viver num mundo de amor. Sonhamos com um mundo assim!

Na solenidade de Cristo Rei, precisamos trazer presente na consciência a convicção de que cabe a nós construir o reino de Cristo - já aqui e agora em nossa existência passageira - para vivê-lo na plenitude da eternidade. E aos leigos e leigas, cuja festa comemoramos, cabe, por sua vocação batismal, a vivência nas estruturas da sociedade - a começar de sua família, de seu trabalho, até a vida pública, aí incluindo a ação política. A paz e a justiça não são ideais distantes. Ao contrário, podem e devem ser realidade, se todos os cristãos e cristãs - e principlmente os leigos e leigas - fizerem delas o objetivo de sua vida.

Carlos Signorelli
Presidente do CNL

Leigos e leigas são chamados - vocacionados - a viver no tecido humano da sociedade e lá tornar realizade os sinais do reino de Deus.

*Domingo, 25/11/2007, a Igreja encerrou o seu ano litúrgico comemorando a Solenidade de Cristo Rei e o dia dos leigos e leigas.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

A morte, um mistério

A morte permanece para o homem um mistério profundo. Mistério cercado de respeito também pelos que não crêem. Ser cristão muda alguma coisa no modo de considerar e enfrentar a morte? Qual a atitude do cristão diante da pergunta sobre o sentido último da existência humana, que a morte nos põe continuamente? A resposta se encontra na profundeza da nossa fé. Para o cristão, a morte não é o resultado de uma luta trágica que se deva afrontar com frieza e cinismo. A morte do cristão segue as pegadas da morte de Cristo: um cálice amargo, porque fruto do pecado, a beber até o fim, porque é a vontade do Pai, que nos espera de braços abertos do outro lado do limiar; morte que é uma vitória com aparência de derrota; morte que é essencialmente não-morte: vida, glória, ressurreição.

Como se dará tudo isso precisamente não podemos saber; não cabe ao homem medir a imensidade do dom e das promessas de Deus. A despedida dos fiéis é acompanhada da celebração eucarística, memória da morte de Jesus na cruz e penhor da sua ressurreição. O prefácio tem um tom de humana suavidade e divina certeza: "Nele refulge para nós a esperança da feliz ressurreição. E aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Ó Pai, para os que crêem em vós, a vida não é tirada, mas transformada, e desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível".

Face a face com Cristo

A morte do cristão não é um momento no fim do seu caminho terreno, um ponto isolado do resto da vida. A vida terrena é preparação para a do céu, nela estamos como criancinhas no seio materno: nossa vida na terra é um período de formação, de luta, de primeiras opções. Ao morrer, o homem se encontrará diante de tudo o que constituiu o objeto das suas aspirações mais profundas: encontrar-se-á diante de Cristo e será a opção definitiva, construída por todas as opções parciais desta terra.

Cristo espera eternamente com os braços abertos; o homem que optou contra Cristo, será queimado eternamente por aquele mesmo amor que repeliu. O homem que se decide por Cristo encontrará no mesmo amor a plena e infinita alegria.

"Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno"

Podemos fazer alguma coisa pelos mortos? Eles não estão longe de nós; pertencem todos - os mortos no abraço de Deus - à comunidade dos homens e à comunidade da Igreja.

A oração pelos defuntos é uma tradição da Igreja. De fato, subsiste no homem, também quando morre em estado de graça, muita imperfeição, muita coisa a ser mudada, purificada do antigo egoísmo! Tudo isto acontece na morte. Morrer significa morrer também ao mal. Éo batismo de morte com Cristo, no qual encontra acabamento o batismo de água. Esta morte vista pelo outro lado - assim crê a Igreja - pode ser uma purificação, a definitiva e total volta à luz de Deus. Quanto tempo durará? Isto está fora do nosso tempo. Não podemos determinar tempo nem lugar. Mas, partindo do nosso ponto de vista humano, há um tempo durante o qual consideramos alguém como "morto" e o ajudamos com nossa oração. De quantos meses ou anos se trata, ninguém pode dizê-lo.