quinta-feira, 9 de abril de 2009

5ª feira Santa

"Cristo verdadeiro e único sacerdote, se ofereceu como vítima de salvação e nos mandou perpetuar esta oferenda em sua comemoração".

Tão sublime Sacramento, adoremos neste altar,
Pois o Antigo Testamento deu ao Novo seu lugar.
Venha a Fé, por suplemento os sentidos completar.
Ao eterno Pai cantemos e a Jesus, o Salvador.
Ao Espírito exaultemos na Trindade, Eterno Amor.
Ao Deus Uno, e Trino demos a alegria do louvor.
Amém, Amém.

Agradeçamos a Jesus a instituição da Eucaristia, memorial, atualização do sacrifício da cruz, presença salvífica de Jesus em nosso meio, alimento espiritual e garantia de vida eterna. Rezemos pelos nossos sacerdotes e pelas vocações sacerdotais para que não nos falte santos qualificados e numerosos ministros para anunciar a Palavra de Deus, administrar os sacramentos e servir o povo de Deus.

Na Última Ceia, Jesus lavou os pés de seus apóstolos. Na Quinta-feira Santa acontece a cerimônia do lava-pés para lembrar o gesto de Jesus, que simboliza a humildade.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A Igreja é uma Democracia?

“A Igreja é um projeto nascido no coração do Pai”
(CIC §759).


Algumas pessoas, ás vezes até teólogos, muito enganados, querem fazer da Igreja Católica uma democracia como as demais. Um exemplo disso partiu de alguns católicos austríacos que publicaram em 1998 o Manifesto “Nós somos Igreja”. O Manifesto pedia mudanças na disciplina da Igreja, a abolição do celibato sacerdotal, a ordenação de mulheres, e outras coisas.

Em 20/11/98 em um discurso aos bispos da Áustria no Vaticano, O papa João Paulo II explicou com clareza que:

“Sobre a Verdade Revelada nenhuma «base» pode decidir. A verdade não é o produto de uma «Igreja que vem de baixo», mas um dom que vem «do alto», de Deus. A verdade não é uma criação humana, mas dom do céu. O próprio Senhor a confiou a nós, sucessores dos Apóstolos, a fim de que - revestidos de «um carisma da verdade» (Dei Verbum, 8) - a transmitamos integralmente, a conservemos com zelo e a exponhamos com fidelidade (cf. Lumen gentium, 25)”.

A Igreja não pode ser considerado como uma democracia igual às outras e “as bases” não podem decidir através da maioria ou de pesquisa de opinião, porque a verdade Revelada, confiada à Igreja, é um dom do Alto confiado à hierarquia, e não nascida do povo. Em outras palavras, a Igreja veio do Pai, através do Filho, guiada, assistida e conduzida pelo Espírito Santo. O povo não pode tomar o lugar de Deus na Igreja; por isso não tem sentido a tão propalada “Igreja Popular”. Aliás, sobre isso, é interessantíssimo ler o livro com esse título, de D. Boaventura Kloppenburg, grande bispo emérito de Novo Hamburgo no RS; que teve grande participação no Concílio Vaticano II.

A Igreja não é uma república democrática; “é um mistério”; um sacramento, através do qual Cristo “toca”, pelos sacramentos, cada ser humano para salvá-lo. “Para o Concílio o mistério da Igreja consiste no fato que, através de Cristo, nós temos acesso ao Pai num só Espírito, para participarmos assim da mesma natureza divina (cf. Lumen gentium, 3-4; Dei Verbum, 1)”,disse o Papa.

Falando aos bispos da Áustria, ele se referiu a alguns pontos especiais, disse por exemplo: “mesmo se a maior parte da sociedade decidisse diferentemente, a dignidade de cada ser humano continua inviolável desde o início da vida no seio materno até seu fim natural, desejado por Deus”. E ainda: apesar das contínuas manifestações, como se se tratasse de uma questão disciplinar, “a Igreja não recebeu do Senhor a autoridade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres”. O Papa já tinha declarado isso na Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis (22 maio 1994). Eis o que disse:

“Para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição da Igreja divina, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lc 22, 32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”.

Outro aspecto que o Papa abordou com os bispos da Áustria foi a questão mal interpretada do “Povo de Deus”. Disse:

“A expressão bíblica “povo de Deus” (Iaós tou Theou) foi entendida no sentido de um povo estruturado politicamente (demos) de acordo com as normas válidas para todas as sociedades. E, como a forma de regime mais próxima da sensibilidade atual é a democracia, difundiu-se entre um certo número de fieis a exigência de uma democratização da Igreja. Vozes neste sentido se multiplicaram também em seu país, como além de suas fronteiras”.

Neste discurso o Papa lembra que há dois vocábulos gregos para designar “povo”, “laós” e “démos”. Todavia os escritos do Novo Testamento usam exclusiva o termo “laós” quando descrevem o povo santo de Deus. De “laós” deriva-se o adjetivo “lailós”, leigo, membro do povo santo de Deus, povo santo que corresponde à “qahal” do Antigo Testamento. Esse povo santo tem sua organização hierárquica instituída pelo próprio Deus, diferente da constituição democrática do “demos” ou do povo civil. (D. Estevão Bettencourt)

Assim, a Igreja não é nem república nem monarquia; é “um mistério”, um sacramento, uma realidade divino-humana, que tem seu princípio de autoridade em Jesus Cristo, e não no povo. Se a Igreja tivesse nascida do povo e fosse mantida por ele, já teria sucumbido há muito tempo como os reinos que passaram pela terra. A Igreja é infalível (cf. Cat. §891/2) e invencível (cf. Mt 16,18) é porque é divina. Cristo se faz representar por ministros que Ele escolhe, tendo à frente o sucessor de Pedro ou o Papa. Entretanto, o Papa governa a Igreja com o colegiado dos Bispos, mas isso não quer dizer nem de longe que a Igreja seja uma mera democracia. É muito mais, é transcendente, por isso não é entendida pelos homens e mulheres mundanos, que a querem “adaptada aos modismos”.

A Igreja usa o voto para decidir muitas coisas, inclusive a eleição do Papa, e muitas outras decisões importantes, mas nada que se refere à Revelação; às verdades básicas da fé, pode ser decidido no voto do clero ou do povo. O nosso Credo tem dois mil anos e jamais será modificado, porque foi Revelado por Deus e não inventado pelo povo. Se dependesse do voto do povo já teria sido despedaçado e sumido.

Da mesma forma o ministério dos Bispos e presbíteros não dispensa a participação dos leigos, ao contrário, cada vez a valoriza mais, como fez o Concilio Vaticano II (L G nº 32); mas o governo da Igreja é diferente dos governos civis, o poder sagrado vem de Jesus Cristo e não do povo. A visão de fé da Igreja supera as normas de qualquer república democrática moderna; a colegialidade que Cristo desejou para a Igreja transcende os esquemas humanos. E isso é a garantia da Igreja ser infalível (em fé em moral) e invencível. Se ela fosse conduzida pelo povo as Promessas do Senhor não poderiam ser cumpridas.

Na Igreja o Papa exerce o poder supremo e incontestável porque isso é vontade de Cristo. A Pedro Ele disse: “tudo o que você ligar na terra eu ligo no céu” (Mt 16,19) e lhe deu “as chaves” da Igreja, “germe do Reino de Deus” (LG 4). Da mesma forma disse aos Apóstolos: “tudo o que vocês ligarem na terra eu ligo no céu“ (Mt 18,18). E mais: “quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita, e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou” (Lc 10,16). /e os enviou em seu Nome: Ide!

Esta é a lógica de Deus para a salvação do mundo: O Pai enviou o Filho, e o Filho enviou a Igreja. A Igreja vem do Alto e não de baixo, como querem alguns. Isto seria a sua total ruína. Aos bispos da Áustria o Papa disse em 1998:

“Ao Sucessor de Pedro foi confiada a missão de confirmar na fé os seus irmãos (Lc 22, 32) e de ser, na Igreja, «o princípio e o fundamento perpétuo e visível da unidade de fé e comunhão» (LG, 18), pela qual, aliás, todos os Bispos, juntamente com ele, são a modo próprio responsáveis”.

“Uma Igreja concebida exclusivamente como comunidade humana não seria capaz de encontrar respostas adequadas à aspiração humana e a uma comunhão capaz de sustentar e dar sentido à vida. As suas palavras e ações não poderiam resistir diante da gravidade das questões que pesam sobre os corações humanos”. “A Igreja como mistério consola-nos e, ao mesmo tempo, encoraja-nos. Ela transcende-nos e, como tal, pode tornar-se embaixadora de Deus”. “Ai da Igreja se estivesse muito empenhada nas questões temporais, e não encontrasse o tempo para se ocupar das temáticas que se referem ao eterno!”

Graças a Deus a Igreja nasceu de Deus e é por Ele mantida; não queiramos mudar isso. O Catecismo diz que “A Igreja é um projeto nascido no coração do Pai” (§759).

Prof. Felipe Aquino –
Editora Cleofas

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Vigiai, pois não sabeis quando virá o Senhor


Já observou que geralmente você não vive, mas vai levando a vida na espera de um “depois” que lhe traria a “felicidade”?

Na verdade, um “depois-feliz” realmente chegará, mas não será aquele que você espera.
Um instinto divino faz você esperar por alguém ou por alguma coisa que possa satisfazê-lo. Talvez, então, você pense nos dias de festa, ou no tempo livre, ou num encontro especial… Essas coisas, porém, não o deixam satisfeito, ou, pelo menos, não plenamente. E volta a monotonia de uma existência vivida sem convicção, sempre na expectativa de alguma coisa.

A verdade é que, entre os fatores que compõem a sua vida, existe um do qual ninguém pode escapar: é o encontro frente a frente com Deus que vem. É essa a “felicidade” pela qual você inconscientemente anseia, pois você existe para ser feliz. E a felicidade plena somente Deus lhe pode dar.
E Jesus, conhecendo o quanto é difícil – para você e para mim – encontrar o caminho que conduz a ela, nos adverte:

“Vigiai, portanto, pois não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.”

Vigiai. Estai atentos. Permanecei acordados.
Porque, se no mundo há muitas coisas que podem ou não acontecer, existe uma sobre a qual não resta a menor dúvida: um dia também você vai morrer. E isso para o cristão significa apresentar-se diante de Cristo que vem.

Pode ser que você seja como a maioria das pessoas, que esquecem a morte deliberadamente, de propósito. Você tem medo daquele momento e vive como se ele nunca fosse chegar. Diz com a sua vida terrena, com o apego cada vez maior a ela: a morte me amedronta, portanto não existe. Mas esse momento chegará. Porque Cristo vem com certeza.


“Vigiai, portanto, pois não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.”

Com essas palavras, Jesus quer referir-se à sua vinda no último dia. Assim como Ele subiu ao céu em meio aos apóstolos, da mesma maneira haverá de voltar.

Todavia, essas palavras querem exprimir também a vinda do Senhor no fim da vida de cada pessoa. Afinal, quando o homem morre, para ele o mundo terminou.
E uma vez que você não sabe se Cristo virá hoje, esta noite, amanhã, ou daqui a um ano ou mais, é preciso vigiar. Exatamente como aqueles que ficam acordados, por saberem que os ladrões virão saquear sua casa, mas desconhecem a hora.

E, se Jesus vem, quer dizer que esta vida é passageira. Por isso, ao invés de menosprezá-la você deve dar-lhe a máxima importância, deve preparar-se para esse encontro com uma vida digna. (…)

“Vigiai, portanto, pois não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.”
Sem dúvida, é preciso que também você vigie. A sua vida não é apenas uma sucessão pacífica de ações. É também uma luta. E as mais variadas tentações, como a da vaidade, a do apego ao dinheiro, a da violência, as de caráter sexual, são os seus primeiros inimigos.

Se você vigiar sempre, não se deixará apanhar de surpresa. Mas somente quem ama vigia bem. Vigiar é próprio do amor. Quando se ama uma pessoa, o coração vigia sempre, e cada minuto transcorrido à sua espera é vivido em função dela.

É assim que se comporta uma esposa amorosa nas tarefas diárias ou quando prepara alguma coisa para o marido ausente: faz tudo em função do seu esposo. E quando ele chega, na saudação exultante com que ela o recebe, está presente toda a riqueza do trabalho do dia.

É assim que se comporta uma mãe, quando faz seu pequeno descanso enquanto assiste o filhinho doente. Ela dorme, mas o seu coração vigia.
É assim que se comporta quem ama Jesus. Faz tudo em função dele, encontra-o nas simples manifestações da sua vontade em cada momento, e o encontrará solenemente no dia em que Ele vier.

É o dia 3 de novembro de 1974.
Conclui-se, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, um encontro espiritual de 250 pessoas, sobretudo moças, muitas das quais provenientes da cidade de Pelotas.

O primeiro ônibus, com 45 pessoas, está partindo: muitos cantos, muita alegria. A certa altura da viagem, algumas jovens rezam juntas os mistérios dolorosos do terço e pedem a Nossa Senhora que as ajude a ser fiéis a Deus, até a morte.

Numa curva, por causa de um defeito mecânico, o ônibus sai da pista e rola num precipício de uns cinquenta metros de profundidade. Morrem seis moças.
Uma das sobreviventes diz: “Vi a morte de perto, mas não senti medo, porque Deus estava ali presente”.

E uma outra: “Quando percebi que podia locomover-me entre as ferragens, olhei para o céu estrelado e, ajoelhada entre os corpos das minhas amigas, rezei. Deus estava ali conosco...”. O pai de uma das vítimas contou que a filha costumava dizer: “Morrer é uma coisa bacana, papai, a gente vai se encontrar com Jesus”.


“Vigiai, portanto, pois não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.”

As jovens de Pelotas, porque amavam, vigiavam e, quando o Senhor veio, elas foram ao seu encontro com alegria.

Chiara Lubich

Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em dezembro de 1978

segunda-feira, 23 de março de 2009

Quem Nele crer não perece...


Ninguém pode duvidar do amor de Deus para conosco. Ainda quando éramos pecadores, Deus nos deu o Seu Filho gerado desde toda a eternidade para que possamos ser salvos por Sua morte e ressurreição. Deus nos amou primeiro e, para que sejamos salvos de nossos pecados, exige que aceitemos este convite ao amor, crendo em Jesus Cristo, Seu Filho, como nosso Senhor e Salvador.

Jesus nos diz que aqueles que não creem Nele, não podem se salvar. Não é uma falha em Sua misericórdia. Deus respeita a liberdade humana e nada pode diante daqueles que livremente rejeitam a salvação. Infelizmente a cada dia vemos aumentar a rejeição a Cristo e à Sua Igreja numa crescente cristianofobia que, inclusive, já ceifou vidas de cristãos em pleno século XXI. A humanidade mergulha a cada dia nas trevas e a chama de luz.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Cada Palavra é Amor


Se penetras no Evangelho - e esta é uma bela aventura para ti - te encontras, de repente, como se estivesses na crista de uma montanha. Portanto, já no alto, já em Deus, mesmo se, olhando para o lado, percebes que a montanha não é uma montanha, mas uma cadeia de montanhas, e a vida para ti é caminhar pelo divisor de águas até o fim.

Cada Palavra de Deus é o mínimo e o máximo que Ele te pede. Por isso, quando lês: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 19,19), tens a medida máxima da lei fraterna.

VIVAMOS A PALAVRA que é o amor verdadeiro e o Verdadeiro amor.

domingo, 8 de março de 2009

A Transfiguração de Jesus

2º domingo da quaresma
1ª leitura: Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18; 2ª leitura: Rm 8,31b-34; Sl 115; Evangelho:
Marcos 9, 2-10

“Formou-se então uma nuvem que os encobriu com sua sombra; e da nuvem veio uma voz: Este é meu Filho muito amado; ouvi-O.” (Mc 9, 7)


Em caminho para Jerusalém, onde ia sofrer Sua Paixão e morte, Jesus leva três de seus discípulos, Pedro, Tiago e João ao monte Tabor e no alto do monte, revela-lhes Sua glória. Jesus queria ensinar a seus discípulos – àqueles e a nós – que não há glória sem cruz, ou melhor, a Sua crucificação já é Sua glorificação. No evangelho de S. João, Jesus deixa isto claro. Em Jesus, o amor de Deus se revela. Deus, não podendo nos dar mais, deu-Se a Si mesmo. E este amor revela-se em sua plenitude no sacrifício da cruz. Portanto, ouçamos o que Jesus tem a nos dizer, a nos ensinar. Nesta sociedade hedonista e imediatista em que vivemos, onde vale tudo para banir o sofrimento, sigamos o exemplo de nosso Mestre, tomemos nossa cruz que a cada dia nos é apresentada. A cruz é o caminho para a glorificação.


quarta-feira, 4 de março de 2009

Tempo Quaresmal

Primeiro Domingo da Quaresma
Primeira leitura - Gn 9,8-15
Segunda leitura - 1Pd 3,18-22
Salmo - Sl 24
Evangelho - Mc 1,12-15


Após o batismo, Jesus, impelido pelo Espírito Santo, foi ao deserto, onde passou quarenta dias em jejum e oração preparando-Se para Seu ministério. Mesmo sendo o Filho de Deus, não foi poupado das tentações – ainda que exteriores – do demônio. Como homem, venceu as tentações na obediência que faltou a Adão.

Este foi tentado num jardim, onde desfrutava de todas as delícias. Aquele foi tentado no deserto, onde passou fome. No jardim, após a desobediência de Adão, os anjos barram sua passagem. No deserto, os anjos servem a Jesus. Sejamos como nosso Mestre. Que nessa quaresma, nos dediquemos mais à oração e à penitência. Que reflitamos sobre nossas vidas, como está nossa relação com Deus e ouvindo Seu chamado à conversão, que O sigamos.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A Boa Notícia de Jesus Cristo

“Aproximando-se Ele, tomou-a pela mão e levantou-a;
imediatamente a febre a deixou e ela pôs-se a servi-los.”
(Mc 1, 31)


Jesus cura a sogra de Pedro e esta imediatamente se levanta e começa a servi-los. Não serve somente ao Cristo, mas a Pedro e aos apóstolos, ou seja, à Igreja. Não existe verdadeiro serviço a Cristo sem a Igreja. Sabemos que é um sábado e, pela lei, ficava proibido que a sogra de Pedro fizesse algum trabalho. Mas a experiência que tem com Jesus faz com que conheça o significado real do dia do Senhor como dia de serviço a Deus.

Quem serve a Jesus assim como os sacerdotes do Templo, mesmo que em dia de sábado não transgride a Lei. Outros doentes foram curados naquele dia, provavelmente eles ou seus parentes ouviram Jesus pregar na sinagoga, porém, diferentemente da sogra de Pedro, estes continuavam presos na antiga lei, vieram somente ao término do sábado. Após as curas não consta que O serviram. Somos iguais a estes ou ela?

sábado, 7 de fevereiro de 2009

«Se alguém vem ter Comigo e não Me prefere...

«Se alguém vem ter Comigo e não Me prefere a seu pai, mãe, esposa, filhos, irmãos, irmãs, e até à própria vida, não pode ser Meu discípulo».
[Lc 14, 26]

Que vos parece? São palavras tremendamente exigentes, radicais, inéditas! No entanto, aquele Jesus que declarou indissolúvel o matrimónio e deu o mandamento de amar a todos, e, portanto, de amar especialmente os pais, aquele mesmo Jesus pede agora que se ponham em segundo lugar todos os afectos belos da Terra, sempre que forem um impedimento ao amor directo, imediato a Ele. Só Deus podia pedir tanto. Na verdade, Jesus desenraíza as pessoas do seu modo natural de viver e quere-as ligadas, antes de mais, a Ele, para realizar na Terra a fraternidade universal.

Por isso, onde quer que encontre um obstáculo ao seu projeto, Deus “corta”, e no Evangelho Jesus fala de «espada», espiritual, claro.
E chama «mortos» àqueles que não O souberem amar mais do que à mãe, à esposa, à vida. Lembram-se daquele homem que pediu para sepultar o pai antes de O seguir? Foi a ele que Jesus respondeu: «Deixa que os mortos sepultem os seus mortos»1.

Perante uma tão grande exigência, podemos sentir um arrepio de medo, ou pensar que estas palavras de Jesus só eram compreensíveis naquela época, ou por aqueles que O seguissem de um modo especial.
Mas não é assim. Esta frase é válida para todas as épocas, e também para os dias de hoje. E vale para todos os cristãos, também para nós.

Nos tempos que correm podem surgir muitas ocasiões para pôr em prática o convite de Cristo.
Vives numa família onde há alguém que contesta o cristianismo? Jesus quer que tu o testemunhes com a vida e, no momento oportuno, com a palavra, mesmo à custa de seres ridicularizado ou caluniado.

És mãe e o teu marido convida-te a interromper a gravidez? Obedece a Deus, e não aos homens.
Um irmão teu quer que te juntes a um grupo com fins pouco claros, ou mesmo reprováveis? Não te deixes envolver. Há alguém da tua família que te convida a arranjar dinheiro pouco limpo? Mantém a tua honestidade. Toda a tua família quer arrastar-te para uma vida mundana? Não vás, para que Cristo não se afaste de ti.

«Se alguém vem ter Comigo e não Me prefere a seu pai, mãe, esposa, filhos, irmãos, irmãs, e até à própria vida, não pode ser Meu discípulo».

Pertencias a uma família descrente e a tua conversão a Cristo causou a divisão? Não te assustes. É um efeito do Evangelho.
Oferece a Deus o sofrimento que sentes no coração por aqueles que amas, mas não cedas.
Cristo chamou-te a Si de um modo especial, e agora chegou o momento em que a tua doação total exige que deixes o pai e a mãe, ou talvez que renuncies à namorada.
Faz a tua escolha.
Sem combate, não há vitória.

«Se alguém vem ter Comigo e não Me prefere a seu pai, mãe, esposa, filhos, irmãos, irmãs, e até à própria vida, não pode ser Meu discípulo».

«… e até à própria vida».
Vives num lugar de perseguição e o facto de te expores por Cristo põe em perigo a tua vida? Coragem. Às vezes a nossa fé pode pedir também isto. Na Igreja, a época dos mártires nunca acabou completamente.

Cada um de nós, ao longo da sua vida, há-de ter que escolher entre Cristo e tudo o resto, para permanecer um cristão autêntico. Portanto, também para ti há-de chegar esse momento.
Não tenhas medo. Não receies perder a vida, porque mais vale perdê-la por Deus do que nunca mais a encontrar. A outra Vida é uma realidade.

E não te aflijas com os teus familiares. Deus ama-os. Se tu O souberes preferir a eles, chegará o dia em que Deus há-de passar por eles para os chamar com as palavras fortes do Seu Amor. E tu poderás então ajudá-los a tornarem-se, também, verdadeiros discípulos de Cristo.


Chiara Lubich.

Palavra de Vida, Outubro de 1978, publicada em Essere la Tua Parola. Chiara Lubich e cristiani di tutto il mondo, vol. I, Roma 1980, pp. 111-113

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Centenário de nascimento do Dom da Paz


No próximo dia 7 de fevereiro, sábado, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Lyrio Rocha, presidirá a missa solene em Recife (PE) em homenagem ao centenário de nascimento do arcebispo emérito de Olinda e Recife (PE), dom Helder Câmara. A missa acontece às 16h, em frente à Igreja das Fronteiras, e será concelebrada por dezenas de bispos e padres. A expectativa é que cerca de duas mil pessoas de várias partes do Nordeste e de todo Brasil participem das comemoraçõesAntes do início da celebração, os Correios entregarão a autoridades e representantes de movimentos criados por dom Helder, um selo que homenageia o seu centenário.

O estampilho foi criado pela artista, Silvania Branco, por meio de um concurso dos Correios, ela venceu ao retratar a imagem do bispo, a silhueta da Igreja das Fronteiras ao fundo e dos pobres que sempre estavam por ali esperando a palavra e a ajuda do bispo da justiça”. Ainda no sábado, 7, as igrejas de Olinda e Recife tocarão seus sinos às 6h, 12h e 18h para homenagear dom Helder, e logo após a missa, será inaugurada no pátio das fronteiras, uma escultura do bispo.

Os eventos do centenário são organizados pelo Regional Nordeste 2 (Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Pernambuco) da CNBB, Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Arquidiocese de Olinda e Recife, Instituto Dom Helder Câmara (IDHEC), Governo do estado e Prefeitura do Recife, além de outras entidades.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Conversão de Paulo

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo
e pregai o Evangelho a toda criatura.”

(Mc 16, 15)

Comemoramos ontem a conversão de S. Paulo. Paulo foi perseguidor da Igreja, levando os cristãos à prisão e aprovando o assassinato deles como no caso de S. Estevão. Fazia tudo isto motivado pelo zelo ao judaísmo, porque julgava que Jesus abolira a Lei, e seus seguidores, assim como Ele, eram subversivos. Mas o encontro pessoal que teve com Jesus na entrada de Damasco fez com que se convertesse e se tornasse apóstolo e missionário anunciando a mensagem de Cristo até aos confins do mundo.

O nosso mundo padece do mesmo mal de Paulo. Desconhece o Cristo ou possue uma visão destorcida de quem é Ele, o que gera certo receio em perder o que se tem, mas Cristo não tira nada, aliás, Ele nos dá tudo, nos dá a vida. Tiremos as escamas dos olhos que nos impede de ver a Luz. Tenhamos este encontro pessoal com Cristo. Nossa vida, como a de Paulo, não será mais a mesma.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Invasão de amor

O mundo está cheio de insatisfeitos, porque o homem não acertou na fonte de sua felicidade, o astro brilha no céu e a Terra subsiste porque eles se movem; o movimento é a vida do universo, o homem só é plenamente feliz quando aciona e não deixa morrer o motor de sua vida: o amor.

Mesmo quem se julga feliz porque contraiu um bom matrimônio, porque recebeu uma herança, porque vive de luxo, de esporte, de divertimentos, cedo ou tarde sente vazios na alma, infalíveis. Por outro lado, o infeliz, a quem a vida tudo parece negar, se começa a amar, possui mais do que o rico e goza, na terra, a plenitude do Reino dos Céus.

É uma verdade. E uma realidade. A humanidade enlanguesce em busca de paz; espera, constrói para poder usufruir, mas, quando seria o tempo, se entristece com a perspectiva da morte que desejaria jamais chegasse.

Os filhos de Deus são os filhos do amor! Combatem com uma arma que é a vida mesma do homem. A sua luta está em recompor na ordem pessoas e sociedades, para que aquelas brilhem mais do que as estrelas, e estas componham constelações imorredouras, nos paramos eternos do Deus dos vivos.

Se o homem visse como Deus vê os homens, teria uma sensação de horror. Porque até os melhores, os que se elevaram com a arte ou a ciência acima do comum, cultivaram apenas uma parte do espírito, deixando o resto atrofiado.

Só o amor em uma alma, só Deus em uma alma pode nela dilatar o fulgor, com equilíbrio de partes. Uma alma que ama é, no mundo, um pequeno sol que transmite Deus. Uma alma que não ama, vegeta, é pouco da Igreja, nada de Maria, antítese de Cristo. O mundo precisa de uma invasão de amor, e isto depende de cada um. É o homem, o homem na graça de Deus, o depositário desse precioso elemento.

Morre todo dia um número incontável de homens: inclusive os grandes, e deles pouco resta. Passa um santo para a Vida eterna — despertando, quando o Senhor o chama, para a idêntica vida de antes, transformada — e dele todos falam. Sua memória passa de geração em geração e seu exemplo é seguido por muitíssima gente. Diante daquele leito onde jaz um corpo e não mais uma pessoa, ninguém consegue entender a morte; mas, ao contrário, todos sentem o que é a Vida. O amor não morre e, porque serve, faz ser rei.

Chiara Lubich

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A pequena semente

Nunca viste numa estrada abandonada, mas acariciada pela primavera, despontar a tenra erva e reflorescer, sem cessar, a vida?

Assim acontece com a humanidade que te circunda, se deixas de enxergá-la com o olhar da terra e a revigoras com o raio divino da caridade.

O amor sobrenatural em tua alma é um sol, que não admite trégua ao reflorescer da vida.
É uma vida, que é a pedra angular no teu ângulo de vida. Nada mais é preciso para soerguer o mundo, para restitui-lo a Deus.

O dom da palavra, a fineza do trato, o lampejo da arte, o cabedal de cultura, a experiência dos anos, são dotes, certamente, que não se devem descurar. Mas, para o Reino eterno vale o que tem mais vida.

É linda, e boa, e saborosa, e colorida, a fatia perfumada da maçã, mas, enterrada, morre e não deixa traço.

A pequena semente, que não agrada ao paladar, insípida e insulsa, enterrada, produz novas maçãs.

Assim a vida em Deus, a vida do cristão, o caminho incandescente da Igreja. Ela, alta e solene, apóia-se em colunas que os séculos disseram insensatas, idiotas, loucas...; sobre as quais investiu a fúria do príncipe do mundo, para destruir até o último rebento. Resistiram.
O Pai as podou para que, presas à videira, dessem frutos abundantes; e as exaltou, gloriosas, no Reino da vida.

Tu, eu, o leiteiro, o agricultor, o porteiro, o pescador, o operário, o camelô... E os outros todos, idealistas desiludidos, mães carregadas de pesos, noivos em vésperas de núpcias, velhinhas sem brilho à espera da morte, jovens vibrantes, todos... Todos são matéria-prima para a sociedade de Deus. Basta que haja neles um coração que mantenha alta, ereta, direcionada a Deus, a chama do amor.


Chiara Lubich

domingo, 11 de janeiro de 2009

Batismo do Senhor

É no batismo que recebe de João Batista que Jesus inicia Sua vida pública. Sendo o Filho, como foi testificado por Deus Pai, e, com Ele e o Espírito Santo que aparece em forma de pomba, são um, Jesus não tinha pecado e, portanto, não tinha nada a se arrepender para que recebesse o batismo. Mas, no batismo, Jesus demonstra que Sua missão é colocar-Se entre os pecadores, assumir seus pecados.

Assumindo nossa carne, Jesus vem em nosso socorro, Se faz um de nós, exceto no pecado e sendo Deus, pode nos resgatar em Seu sacrifício perfeito. O batismo de Jesus que começa no Jordão se consumará na cruz, onde Jesus será batizado no Seu sangue e assim nos redimirá. Da cruz brota o sacramento do batismo, o batismo no Espírito Santo que João diz, pois por meio dele somos justificados, lavados dos nossos pecados em Seu sangue, simbolizado pela água.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Muitos membros, um só corpo


Você já visitou alguma vez uma comunidade viva de cristãos realmente autênticos? Já participou de um encontro entre eles, ou conheceu mais de perto a vida de uma comunidade assim?
Se isso aconteceu, você terá percebido que as pessoas que a compõem desempenham funções diferentes; por exemplo: há quem tem o dom de falar e lhe comunica realidades espirituais que penetram profundamente na alma; há quem tem o dom de ajudar, de atender às necessidades dos outros e deixa você maravilhado diante dos sucessos alcançados em benefício daqueles que sofrem.

Há também quem ensina com tamanha sabedoria, a ponto de reforçar a fé que você já possui, ou ainda quem tem o dom de organizar ou de governar; há quem sabe entender todo próximo que encontra e é distribuidor de consolações aos necessitados.
É verdade, tudo isso você poderá experimentar; porém, aquilo que mais impressiona numa comunidade tão viva é o único espírito que a todos anima e que se tem a impressão de sentir pairar. Espírito esse que faz da comunidade uma única realidade, um só corpo.

“Há muitos membros e, no entanto, um só corpo.”

Também Paulo – e ele de um modo todo especial – se encontrou diante de comunidades cristãs vivíssimas, que nasceram justamente por causa da sua extraordinária palavra.
Uma dessas – ainda jovem – era a de Corinto, na qual o Espírito Santo tinha sido generoso em distribuir os seus dons, ou melhor, os carismas, como são chamados. Por sinal, naquele tempo se manifestavam carismas extraordinários, devido à vocação especial da Igreja nascente.

Aconteceu, porém, que depois de ter feito a maravilhosa experiência da diversidade de dons distribuídos pelo Espírito Santo, essa comunidade conheceu também rivalidades ou desordens, justamente entre aqueles que tinham sido beneficiados por esses dons.
Foi necessário, então, dirigir-se a Paulo, que estava em Éfeso, para pedir esclarecimentos.

Paulo não hesita e responde numa das suas importantes cartas, explicando como devem ser usadas essas graças especiais.
Ele explica que existe diversidade de carismas, diversidade de ministérios, como o dos apóstolos ou o dos profetas ou ainda o dos mestres, mas que um só é o Senhor do qual eles provêm. Diz ainda que, na comunidade, existem operadores de milagres e de curas, pessoas com o dom excepcional para o atendimento aos necessitados, outras para o governo, como também há quem sabe falar línguas e quem sabe interpretá-las. Mas acrescenta que um só é Deus, onde têm origem esses dons.

Portanto, como os diversos dons são expressões do mesmo Espírito Santo, que os distribui livremente, não podem deixar de estar em harmonia entre si, não podem deixar de ser complementares. Esses dons não servem para uma simples realização pessoal, não podem ser motivo de vanglória, ou de afirmação de si, mas foram dados para uma finalidade comum: construir a comunidade. A finalidade deles é o serviço. Por isso, não podem causar rivalidades ou confusão.

Paulo, mesmo pensando em dons particulares que diziam respeito diretamente à vida da comunidade, é do parecer que cada membro dessa comunidade tem a sua capacidade, o seu talento, que deve ser usado para o bem de todos, e que cada um deve ficar satisfeito com aquilo que tem.
Ele apresenta a comunidade como um corpo, e se pergunta: “Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se fosse todo ouvido, onde estaria o olfato? Realmente, Deus dispôs os membros, e cada um deles, no corpo, conforme quis. Se houvesse apenas um membro, onde estaria o corpo?” (cf. 1Cor 12,17-19) Mas, de fato,

“Há muitos membros e, no entanto, um só corpo.”

Se cada um é diferente dos outros, cada um pode então ser um dom para os outros; sendo, portanto, aquilo que deve ser e realizar o desígnio que Deus tem para ele em função dos outros.
Paulo vê na comunidade, onde os diversos dons funcionam, uma realidade à qual dá um nome esplêndido: Cristo. E com razão, pois este corpo tão original, composto pelos membros da comunidade, é realmente o Corpo de Cristo. Com efeito, Cristo continua a viver na sua Igreja, e a Igreja é o seu corpo. De fato, no batismo o Espírito Santo incorpora o batizando em Cristo, tornando-o assim membro da comunidade. Nela, todos foram transformados em Cristo, toda divisão é cancelada, toda discriminação é superada.

“Há muitos membros e, no entanto, um só corpo.”

Se o corpo é um só, os membros da comunidade cristã só atuam bem esse novo modo de viver se realizarem a unidade entre si; unidade que supõe a diversidade, o pluralismo. A comunidade não é como um bloco de matéria inerte, mas como um organismo vivo, composto por vários membros.
Para os cristãos, portanto, provocar divisões é o contrário do que devem fazer.

“Há muitos membros e, no entanto, um só corpo.”

Como, então, você viverá essa nova Palavra que a Escritura lhe propõe?
É necessário que você tenha um grande respeito pelas diversas funções, pelos dons e talentos da comunidade cristã.

Você deve abrir o seu coração para acolher toda a rica variedade da Igreja, e não só da pequena Igreja que você freqüenta e bem conhece, como a comunidade paroquial ou a associação cristã da qual participa, ou ainda o movimento eclesial do qual você é membro, mas de toda a Igreja universal, nas suas múltiplas formas e expressões.

Deve sentir que tudo lhe pertence, pois você faz parte desse único corpo.
E da mesma forma como você cuida de cada membro do seu corpo físico e o protege, deve cuidar e proteger cada membro do corpo espiritual. (...) Você deve estimar a todos e também fazer tudo o que está ao seu alcance para que possam tornar-se úteis à Igreja do melhor modo possível. (...)
Você não deve desprezar aquilo que Deus lhe pede, no lugar em que você se encontra – por mais que o trabalho cotidiano possa lhe parecer monótono e sem grande sentido –, pois pertencemos todos a um mesmo corpo e, como membro dele, cada um participa da atividade de todo o corpo permanecendo no lugar que Deus escolheu para ele.

Além disso, o essencial é que você tenha aquele carisma – como anuncia Paulo – que supera todos os outros: o amor. O amor para com toda pessoa que você encontra, o amor para com todos os homens da terra. Somente com o amor, com o amor recíproco, é que os muitos membros podem ser um só corpo.

Chiara Lubich

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Epifania: A manifestação do Senhor.


"Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor".
(Isaías 60, 1-6)


Hoje comemoramos a Epifania do Senhor, isto é, a manifestação do Salvador para o mundo todo representado pelos três magos. A Tradição diz que eram reis; a Bíblia apenas afirma que eram magos, ou seja, estudiosos da natureza, observadores do céu. Assim como, seguindo a tradição das anunciações, os anjos apareceram aos pastores, que representavam os judeus, para anunciar o nascimento do Cristo Salvador, os magos, representantes dos gentios, pressentiram o fato através da observação da natureza, pois é assim que, aqueles que não conhecem o Deus verdadeiro podem reconhecer Sua existência. Não ficaram parados naquele astro. Puseram-se a caminho, foram ao encontro Daquele que é a plenitude da revelação divina e sem O qual ninguém pode se salvar, seja judeu ou gentio. Jesus põe fim a divisão dos povos chamando todos a Sua Igreja.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O Senhor é meu Pastor

"Talvez seja essa a dificuldade na vida de muitas pessoas hoje em dia. Conhecem a Palavra do Senhor, mas não conhecem o Senhor da Palavra Vivem uma vida cristã superficial e pobre de experiências com Cristo".

"Numa reunião festiva apresentou-se um jovem declamador, o qual elevou todos os presentes declamando com muita beleza e muito entusiasmo o Salmo 23 (22).
Ao terminar foi longamente aplaudido por todos, o que demonstrou que ele havia feito uma bela apresentação.

Outras partes se seguiram e, no final do programa, um Padre idoso que se encontrava presente, solicitou ao dirigente que lhe permitisse dizer algo, no que foi prontamente atendido.

Chegando à frente contemplou o grande auditório com olhar sereno. Houve um completo silêncio e ele, com voz pausada e firme, declamou com muita emoção o Salmo 23.

Ao terminar ninguém o aplaudiu, pois todos estavam emocionados e muitos choravam.

Terminada a sessão o jovem foi procurar o Padre e perguntou-lhe:
- Porque me aplaudiram tanto quando eu declamei o Salmo 23 e choraram e se emocionaram quando o senhor declamou o mesmo Salmo? Onde está a diferença?

O Padre com a mesma serenidade, respondeu-lhe:

- A diferença é muito simples, meu caro jovem.

Tu conheces o Salmo do Bom Pastor e eu conheço o Bom Pastor do Salmo. Talvez seja essa a dificuldade na vida de muitas pessoas hoje em dia. Conhecem a Palavra do Senhor, mas não conhecem o Senhor da Palavra. Falta-lhes intimidade e comunhão com o Senhor.

Vivem uma vida cristã superficial e pobre de experiências com Cristo. Cultivemos de tal maneira a nossa comunhão com Ele, de modo que possamos afirmar, como resultado de uma profunda e real experiência:

O Senhor é meu Pastor; e nada me faltará

Fonte: Eu estou Aki

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Oitava de Natal


Estamos no período da Oitava do Natal, período este que se inicia em 25 de dezembro e se prolonga até o dia 01 de janeiro. Porém o Natal é uma festa que não tem data para terminar. Devemos fazer com que ele se estenda durante todo o ano, que não seja apenas uma simples festa de confraternização entre colegas de trabalho, amigos e familiares, mas uma festa no verdadeiro sentido que esta palavra encerra: o dia do Nascimento de Jesus Cristo, Senhor nosso.

Mas é isso que sempre acontece todo ano. O Natal não é apenas uma época de confraternização universal, mas a data que mais impulsiona os negócios no mundo inteiro. Por trás das comemorações, há uma grande cadeia produtiva e comercial que movimenta praticamente todos os setores da economia.

É uma época em que as pessoas gastam dinheiro, e decorar suas casas, trocar presentes, está se tornando mais e mais importante, relegando em segundo plano o grande protagonista da festa. Até em países sem histórico religioso, os habitantes estão começando a ver o Natal como uma festa familiar bonita e interessante e se sentem estimulados a fazer dele uma festa do consumismo. A tradição de enfeitar a casa, reunir a família para a ceia e a troca de presentes, se mantém mesmo em tempos de crise, e os consumidores não abrem mão disso.

Mas em meio a toda essa onda de consumismo desenfreado ainda há uma preocupação em se proporcionar um Natal digno às pessoas mais carentes. Graças a esse "espírito" do Natal, elas podem receber a atenção merecida daqueles que durante o ano ignoraram as suas existências. Não fosse as instituições não-governamentais, a Igreja e pessoas de boa vontade que durante todo ano deram-lhes a devida assistência, passariam despercebidas pela grande maioria que nesta época tentam diminuir o peso de suas consciências, presenteando-as.

Que todos nós possamos fazer de nossas vidas um perene Natal. Que em 2009 possamos ser melhores do que fomos em 2008. Que Ele, o aniversariante, nasça e renasça em nós todos os dias.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Onde e quando nasceu Jesus?


Perguntemos a Maria de Madalena, onde e quando nasceu Jesus. E ela nos responderá: - Jesus nasceu em Betânia. Foi certa vez, que a sua voz, tão cheia de pureza e santidade, despertou em mim a sensação de uma vida nova com a qual até então jamais sonhara.

Perguntemos a Pedro quando se deu o nascimento de Jesus. Ele nos responderá: - Jesus nasceu no pátio do palácio de Caifás, na noite em que o galo cantou pela terceira vez, no momento em que eu o havia negado. Foi nesse instante que acordou minha consciência para a verdadeira vida.

Perguntemos a Paulo de Tarso, quando se deu o nascimento de Jesus. Ele nos responderá: - Jesus nasceu na Estrada de Damasco quando, envolvido por intensa luz que me deixou cego, pude ver a figura nobre e serena que me perguntava: "Saulo, Saulo porque tu me persegues?" E na cegueira passei a enxergar um mundo novo quando eu lhe disse: " Senhor, o que queres que eu faça?!"

Perguntemos a Francisco de Assis o que ele sabe sobre o nascimento de Jesus. Ele nos responderá: - Ele nasceu no dia em que, na praça de Assis entreguei minha bolsa, minhas roupas e até meu nome para segui-lo incondicionalmente, pois sabia que somente ele é a fonte inesgotável de amor.

Perguntemos a Joana de Cusa onde e quando nasceu Jesus. E ela nos responderá: - Jesus nasceu no dia em que, amarrada ao poste do circo em Roma, eu ouvi o povo gritar: "Negue! Negue!" E o soldado com a tocha acesa dizendo: "Este teu Cristo ensinou-lhe apenas a morrer?" Foi neste instante que, sentindo o fogo subir pelo meu corpo, pude com toda certeza e sinceridade dizer: "Não me ensinou só isso, Jesus ensinou-me também a amá-lo."

"Perguntemos, a Maria de Nazaré onde e quando nasceu Jesus. E ela nos responderá: - Jesus nasceu em Belém. Foi quando O segurei em meus braços e senti se cumprir a promessa através daquele Menino que Deus enviara ao mundo, para ensinar aos homens o amor".

E você?...Não sabe ainda?.... Tens dúvidas e questionamentos?... Peça então em oração e ele nascerá para você.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Como viver o Evangelho no momento presente?


Se a Escritura ensina a fazer bem as pequenas coisas, esta é exatamente a característica de quem nada mais faz, com todo o coração, senão o que Deus lhe pede no presente.

Se alguém vive no presente Deus vive nele e se Deus está nele, nele está a caridade. Quem vive o presente é paciente, perseverante, manso, é pobre de tudo, é puro, misericordioso, porque possui o amor na sua expressão mais alta e genuína; ama a Deus verdadeiramente, com todo o coração, a alma e as forças; é iluminado interiormente, é guiado pelo Espírito Santo e portanto não julga, não pensa mal, ama o próximo como a si mesmo, tem a força da loucura evangélica de apresentar a outra face, e caminhar por duas milhas...

Muitas vezes encontra-se na posição de dar a César o que é de César, porque em muitos momentos deverá viver plenamente a sua vida como cidadão... e assim por diante.

Quem vive o presente está em Cristo Verdade.

E isto sacia a alma, que sempre anseia possuir tudo, em cada instante da sua vida.

(de Essere tua Parola, Città Nuova Editrice - 2008 p. 51)

domingo, 14 de dezembro de 2008

Descer para subir

«Jesus veio para reunir, para curar, para criar laços, para reconciliar.
Ele partilhou a nossa angústia para que, através dela, fôssemos capazes de reencontrar o caminho para Deus.
Jesus desceu para subir. "Esvaziou-se de si mesmo... rebaixou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo e lhe concedeu o nome que está acima de todo o nome..." (Fl 2, 7-9).

Tudo em mim quer subir. A mobilidade descendente com Jesus choca radicalmente contra as minhas inclinações, contra os conselhos do mundo que me rodeia e contra a cultura da qual faço parte. Para onde quer que me vire sou confrontado com a minha forte resistência a seguir Jesus no seu caminho para o calvário, e com os meus incontáveis modos de evitar a pobreza, quer material, quer intelectual, quer emocional.
Só Jesus, no qual reside a plenitude de Deus, poderia escolher livremente ser inteiramente pobre

(Henri Nouwen, em "A Caminho de Daybreak")

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O Paraíso em nós e entre nós


Jesus dirigindo aos apóstolos garantiu-lhes, entre outras coisas, que haveriam de vê-lo novamente, porque ele se manifestaria àqueles que o amam.

Porém Ele explica que a sua manifestação não se daria de modo espetacular e externo. Seria uma simples, mas extraordinária “vinda” da Trindade ao coração do fiel, vinda que se realiza lá onde existe fé e amor.

A sua presença, portanto, pode acontecer desde já nos cristãos e no meio da comunidade; não é necessário esperar o futuro. O templo que acolhe essa presença não é tanto um templo feito de paredes, mas o próprio coração do cristão, que se torna, assim, o novo tabernáculo, a morada viva da Trindade.

Mas como pode o cristão chegar a isso? Como conter em si o próprio Deus? Qual o caminho para entrar nesta profunda comunhão com Ele?

É o amor para com Jesus.

Um amor que não é mero sentimentalismo, mas que se traduz em vida concreta e, mais precisamente, na observância da sua Palavra.

É a este amor do cristão, comprovado pelos fatos, que Deus responde com o seu amor. E a Trindade vem morar nele.

E quais são as palavras que o cristão é chamado a guardar?

No Evangelho de João, a expressão “as minhas palavras” é quase sempre sinônimo de “os meus mandamentos”. O cristão, portanto, é chamado a observar os mandamentos de Jesus. Estes, porém, não devem ser entendidos como um compêndio de leis. Pelo contrário; é preciso vê-los todos sintetizados naquilo que Jesus ilustrou com o lava-pés; o mandamento do amor recíproco. Deus ordena que cada cristão ame o outro até a doação total de si mesmo, como Jesus ensinou e fez.

E como poderemos viver bem esta Palavra? Como chegar ao ponto em que o próprio Pai nos amará e a Trindade virá habitar em nós?

Atuando com todo o nosso coração, com radicalidade e perseverança, o amor recíproco entre nós.

É principalmente nisto que o cristão encontra também o caminho daquela profunda ascese cristã que o Crucificado exige de nós. É justamente o amor recíproco que faz florescer no seu coração todas as virtudes e é nesse amor que se coloca à prova, com segurança, a própria santificação.


É, enfim, no amor recíproco que Jesus está presente, como Ressuscitado, no coração dos cristãos e no meio deles.


Chiara Lubich









quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Não seja feita a minha vontade, mas a tua.


Você se lembra? É a oração que Jesus dirige ao Pai no Horto das Oliveiras e que dá sentido à sua paixão, depois da qual veio a ressurreição. Essa frase exprime em toda a sua intensidade o drama que se passa no íntimo de Jesus. Revela a ferida interior provocada pela repugnância profunda da sua natureza humana diante da morte que o Pai quis para ele.

Mas Cristo não esperou esse dia para adequar a sua vontade à vontade de Deus. Ele fez isso durante toda a vida. Se foi essa a conduta de Cristo, essa deve ser a atitude de cada cristão. Também você deve repetir na sua vida:

“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!”

Talvez você ainda não tenha pensado nisso, mesmo sendo batizado, mesmo sendo filho da Igreja. Talvez você tenha reduzido essa frase a uma mera expressão de resignação, que se pronuncia quando não se pode fazer mais nada. Mas essa não é a sua verdadeira interpretação. Veja bem. Na vida você pode escolher uma destas duas direções: fazer a própria vontade ou optar livremente por fazer a vontade de Deus.

Então você terá diante de si duas possibilidades: a primeira, que será logo decepcionante, porque você vai querer escalar a montanha da vida com suas idéias limitadas, com seus próprios recursos, com seus pobres sonhos, somente com as suas forças.

A partir daí, mais cedo ou mais tarde, virá a experiência da rotina de uma existência marcada pelo tédio, pela mediocridade, pelo pessimismo e, às vezes, pelo desespero.
A partir daí virá a experiência de uma vida monótona – apesar dos seus esforços para torná-la interessante – que nunca chegará a satisfazer suas exigências mais profundas. Isso você tem que admitir, não pode negar. A partir daí, no final de tudo, ainda virá uma morte que não deixará rastro algum, mas apenas algumas lágrimas e depois o esquecimento inexorável, total e universal. A segunda possibilidade é aquela em que também você repete:

“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!”

Veja bem: Deus é como o sol. Do sol partem muitos raios que atingem cada homem: representam a vontade de Deus para cada um. Na vida, o cristão, e também todo homem de boa vontade, é chamado a caminhar rumo ao sol, na luz do seu próprio raio, diferente e distinto de todos os outros. Assim realizará o projeto maravilhoso, pessoal, que Deus preparou para ele.
Se também você agir assim, vai se sentir envolvido numa divina aventura, nunca sonhada. Você será ao mesmo tempo ator e espectador de algo grandioso que Deus realiza em você e, por meio de você, na humanidade.

Tudo o que lhe acontecer, como sofrimentos e alegrias, graças e desgraças, fatos de relevo (como sucessos e sorte, acidentes ou mortes de entes queridos), fatos corriqueiros (como o trabalho do dia-a-dia em casa, no escritório ou na escola), tudo, tudo vai adquirir um significado novo porque lhe será oferecido pelas mãos de Deus que é Amor. Tudo o que ele quer, ou permite, é para o seu bem. E se, de início, você acreditar nisso somente com a fé, depois enxergará com os olhos da alma como que um fio de ouro a ligar acontecimentos e coisas, a tecer um magnífico bordado, que é o projeto que Deus preparou para você.

Talvez você se sinta atraído por esse modo de ver as coisas, talvez queira sinceramente dar à sua vida o sentido mais profundo. Então ouça. Antes de tudo vou lhe dizer quando você deve fazer a vontade de Deus. Pense um pouco: o passado já se foi e você não pode mais alcançá-lo; só lhe resta colocá-lo na misericórdia de Deus. O futuro ainda não chegou; você vai vivê-lo quando ele se tornar atual. Apenas o momento presente está em suas mãos. É justamente nele que você deve procurar viver a frase:

“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!”

Quando você viaja – e também a vida é uma viagem –, permanece sentado tranqüilamente em seu lugar. Nem lhe passa pela cabeça a idéia de ficar caminhando para frente e para trás no ônibus ou no vagão do trem.

Essa atitude seria de quem quisesse viver a vida sonhando com um futuro ainda inexistente, ou pensando no passado que jamais voltará. Não, o tempo caminha por si mesmo. É preciso concentrar-se no presente; então chegaremos à plena realização de nossa vida terrena.

Você me perguntará: mas como posso distinguir entre a vontade de Deus e a minha?
No presente não é difícil saber qual é a vontade de Deus. Vou lhe indicar um caminho: preste atenção à voz do seu íntimo, uma voz sutil, que talvez você tenha sufocado muitas e muitas vezes, e que se tornou quase imperceptível. Mas, procure ouvi-la bem – é voz de Deus (Jo 18,37; Ap 3,20).

Ela lhe diz que este é o momento de estudar, ou de amar algum necessitado, ou de trabalhar, ou de vencer uma tentação, ou de cumprir um dever de cristão ou outro dever de cidadão. Ela o convida a dar ouvidos a alguém que lhe fala em nome de Deus, ou a enfrentar corajosamente situações difíceis...

Ouça, ouça. Não sufoque essa voz. É o tesouro mais precioso que você possui. Siga-a. E, então, você construirá momento por momento a sua história, que é ao mesmo tempo história humana e divina, porque feita por você em colaboração com Deus. E você verá maravilhas. Verá o que Deus pode realizar numa pessoa que diz com toda a sua vida:

“Não seja feita a minha vontade, mas a tua!”


Chiara Lubich
Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em agosto de 1978.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O Segredo do Perdão

"O perdão é divino, é o segredo mais profundo de Jesus,
é o coração do Evangelho,
é o dom que Jesus nos quer dar
para que nos tornemos agentes de unidade, artíficies da paz.
Uma comunidade, uma família não pode existir se não está fundada no perdão.
E o perdão começa pelo reconhecimento de que cada um tem o seu lugar,
o seu dom a exercer."

(Jean Vanier, em "A Fonte das Lágrimas")

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

DEIXAR-SE AMAR

«O amor gratuito não espera dividendos nas suas actuações e investe o seu capital sem juros...

Qual será o prémio de quem corresponde ao amor gratuito de Deus senão a de ser amado por Ele e a de compartilhar com Ele a vida eterna que Ele dá como herança, de forma condicionada no presente (o cem vezes mais) e de forma plena no futuro?

Na presença do nosso Deus revelado, ninguém tem o direito de dizer: «não posso rezar porque não sei amar». Precisa, sim, de se deixar amar como a criança e pôr-se na escola do amor.

Henri Caffarel conta uma história passada em Itália em fins do séc. XVIII, num convento em construção na encosta dos Apeninos: o prior do convento chamou o arquitecto e mandou-lhe construir uma cela isolada sem janelas, com frinchas que apenas deixassem entrar alguns raios de sol; nada mais dentro da cela a não ser uma inscrição com estas palavras: «Amo-te exactamente como és».
Nessa cela, ia ser proibido qualquer pensamento ou tema de meditação para além deste: «Deus ama-me infinitamente, ternamente, Deus ama-me exactamente como sou».
A cela destinava-se a algum monge que andasse triste ou ansioso a perguntar-se «como é que o Senhor pode amar alguém como eu?». (1)

Quem não sabe amar a Deus entre na cela do monge e deixe-se lá ficar; veja a inscrição na parede e não pense em mais nada. «Deus que te ama gratuitamente, te ensinará a amar».

Luís Rocha e Melo, em "Se tu soubesses o dom de Deus"

(1) Caffarek, H., L´oraison de pauvreté, p. 6-8

domingo, 16 de novembro de 2008

Negue-se a si mesmo...

«Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-Me» (Lc 9, 23)

Não pensemos que, por estarmos neste mundo, podemos viver ao seu sabor como um peixe na água. Não pensemos que, pelo fato de o mundo nos entrar em casa através de certos programas de rádio ou da televisão, nos seja permitido ouvir todos os programas e ver todas as transmissões que fazem. Não pensemos que, por andarmos pelas estradas do mundo, podemos olhar impunemente para todos os cartazes e comprar no quiosque ou na livraria, indiscriminadamente, qualquer tipo de publicação. Não pensemos que, por estarmos no meio do mundo, podemos imitar e assumir os modos de viver do mundo: experiências fáceis, imoralidade, aborto, divórcio, ódio, violência, roubo. Não, não. Nós estamos no mundo. E isso é evidente. Mas não somos do mundo (2).

E isso implica uma grande diferença. Classifica-nos entre aqueles que não se alimentam das coisas mundanas e superficiais, mas das que nos são expressas, dentro de nós, pela voz de Deus que está no coração de cada pessoa. Se a escutarmos, faz-nos penetrar num reino que não é deste mundo. Um reino onde se vive o amor verdadeiro, a justiça, a pureza, a mansidão, a pobreza. Onde vigora o domínio de si mesmo.

Porque é que muitos jovens fogem para o Oriente, para a Índia, por exemplo? É porque tentam encontrar ali um pouco de silêncio e aprender o segredo de algumas figuras importantes, grandes na espiritualidade, que, pela profunda mortificação do seu “eu” inferior, deixam transparecer um amor (…) que impressiona todos os que deles se aproximam. É a reação natural à confusão do mundo, ao barulho que reina fora e dentro de nós, que já não dá espaço para o silêncio, para se ouvir Deus.

Coitados de nós! Mas será mesmo preciso ir à Índia, quando há dois mil anos Cristo nos disse: «nega-te a ti mesmo… nega-te a ti mesmo…»?

A vida cômoda e tranqüila não é para o cristão. Se quisermos seguir Cristo, ele não pediu nem nos pede menos do que isto.

O mundo invade-nos como um rio na época das cheias, e nós temos que ir contra a corrente. O mundo para o cristão é um matagal cerrado, e é preciso ver onde se põem os pés. E onde é que devemos pôr os nossos pés? Sobre aquelas pegadas que o próprio Cristo, ao passar nesta Terra, nos deixou assinaladas: são as Suas Palavras. Hoje, Ele diz-nos de novo:

«Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo…».

Por causa disso, talvez se venha a ser alvo de desprezo, de incompreensão, de zombarias, de calúnias. Podemos ter que nos isolar, que aceitar a desconsideração, que abandonar um cristianismo de fachadas.
Mas Jesus continua:

«Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-Me».

Quer queiramos, quer não, o sofrimento amargura a nossa existência. Também a tua. E, todos os dias, chegam-nos pequenos ou grandes sofrimentos. Gostarias de te livrar deles? Revoltas-te? Dão-te vontade de te lamentares? Então, não és cristão.

O cristão ama a cruz, ama o sofrimento, mesmo entre lágrimas, porque sabe que tem valor. Não foi em vão que, entre os muitos meios de que Deus dispunha para salvar a humanidade, escolheu o sofrimento. Mas Ele – lembra-te –, depois de ter levado a cruz e de ser nela crucificado, ressuscitou.

A ressurreição é também o nosso destino (3). Se aceitarmos com amor – em vez de o desprezarmos – o sofrimento que nos vem da nossa coerência cristã e todos os outros que a vida nos traz, havemos de experimentar, então, que a cruz é o caminho, já nesta Terra, para uma alegria nunca antes experimentada. A vida da nossa alma começará a crescer. O reino de Deus em nós adquirirá consistência. E lá fora, pouco a pouco, o mundo vai desaparecendo aos nossos olhos e parecer-nos-á de cartão. E já não vamos ter inveja de ninguém.
Nessa altura já nos podemos considerar discípulos de Cristo:

«Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-Me».

E, como Cristo a quem seguimos, seremos luz e amor para as chagas sem número que dilaceram a humanidade de hoje.
Chiara Lubich

Palavra de Vida, Julho de 1978. Publicada em Essere la tua Parola, Chiara Lubich e cristiani di tutto il mondo, Roma 1980, pp. 67-69;

2) cf. Jo 17, 14;

3) cf. Jo 6, 40.

sábado, 15 de novembro de 2008

SER INTEIRAMENTE AMOR

"Se não houvesse mais do que contemplar a Deus eternamente, como um bonito espectáculo ou uma linda obra de arte, uma purificação tão completa, tão total, queimando até à raiz do egoísmo, talvez não fosse absolutamente necesária.

Mas, dado que o Deus vivo não é senão Amor, dado que a nossa vocação de homem é entrar n´Ele para viver para sempre a Sua Vida e ser capaz de amar como Ele ama, temos de admitir que nem um átomo de egoísmo pode subsistir aí, onde não há senão amor.

É por isso que a alegria mais sublime, o que faz com que sejamos cristãos - não ser senão eternamente um com o amor infinito - leva necessariamente consigo a mais sublime exigência: ser eu mesmo inteiramente amor, ser puramente, isto é, unicamente amor, sem nenhuma atenção nem olhar nem encerramento sobre mim." (François Varillon, em "Alegria de Crer e Viver")

sábado, 1 de novembro de 2008

VERDADEIRA FELICIDADE

«... nós sonhamos com uma felicidade de saldo, feita de alegrias fáceis. É este sonho que Jesus vem condenar, e o que Ele propõe (é esta a palavra essencial) é que o nosso apetite de felicidade seja ele próprio transformado.

Felizes, bem-aventurados aqueles cuja alma é suficientemente elevada para que o seu desejo essencial seja o de viver como filhos do Pai que está nos céus!(...) a verdadeira festa humana, a única afinal , é saber-se filho de Deus. Jesus trá-la aos homens. é preciso acolhê-la, isto é, fazer a experiência da filiação divina: viver, e não só pensar, como filhos que têm um Pai.» -(François Varillon, em "Alegria de Crer e de Viver")

domingo, 26 de outubro de 2008

Uma Palavra de Cristo

"Gostava de descobrir em cada manhã de quarta-feira as caras ensonadas das crianças a quem dava catecismo. Durante dois anos, contei-lhes histórias dos evangelhos. A seguir dizia-lhes para copiarem uma palavra de Cristo num caderno, e era uma coisa tão bela como convidar uma pequena assembleia de pintarroxos a escrever uma frase que falasse do sol." - Christian Bobin, em "Ressuscitar"

domingo, 19 de outubro de 2008

Seguir Jesus


"A decisão de seguir o Senhor não é exactamente como assinar um documento ou como pronunciar um juramento; é antes o contínuo sacrifício quotidiano de levar por diante esta decisão, para toda a vida.
Para te fazeres santo não é necessário que sejas culto nem que tenhas um talento extraordinário. Basta-te a graça de Deus e a tua determinação pessoal. São poucos aqueles que se tornam santos, pois é mais fácil adquirir cultura do que alcançar a santidade, mudando completamente a própria vida." Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, "O Caminha da Esperança"

domingo, 12 de outubro de 2008

O «Uniforme» do Amor


«O Senhor exortou os apóstolos a vestir apenas um «uniforme», simples mas difícil de encontrar: «Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 12, 35). Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, em "O Caminho da Esperança"

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Dai e vos será dado...

“Dai e vos será dado. Uma medida boa, socada, sacudida e transbordante será colocada na dobra da vossa veste”.
(Lc 6,38)

Nunca aconteceu a você receber um presente de um amigo e sentir a necessidade de retribuir não tanto para ficar sem dever nada, mas para expressar um amor verdadeiro, cheio de gratidão? Provavelmente sim.

Se isso acontece com você, imagine então com Deus, com Deus que é Amor. Ele retribui sempre todo bem que fazemos ao nosso próximo em nome dele. É uma experiência que os verdadeiros cristãos fazem constantemente. E cada vez é uma surpresa. Nunca nos acostumamos com a fantasia de Deus. Eu poderia citar mil, dez mil exemplos; eu poderia escrever um livro a esse respeito. Então você perceberia como é verdadeira esta imagem: “Uma medida boa, socada, sacudida e transbordante será colocada na dobra da vossa veste”, que significa a abundância com que Deus retribui, significa a sua magnanimidade.

“Já anoitecera na cidade de Roma. E num apartamento, um pequeno grupo de moças que queriam viver o Evangelho preparava-se para dormir. Mas a campainha soou. Quem seria àquela hora? Era um senhor em pânico, desesperado: no dia seguinte seria despejado de casa com toda a família, porque não tinha como pagar o aluguel. As jovens se entreolharam e, de comum acordo, abriram a gaveta onde guardavam, em diferentes envelopes, o que tinha sobrado de seus ordenados e uma reserva para pagar as contas de gás, telefone e luz. Deram tudo àquele senhor, sem raciocinar. Naquela noite dormiram felizes. Alguém haveria de pensar nelas.

O dia nem tinha clareado, e o telefone tocou. ‘Vou tomar um táxi, logo mais estarei aí’ – era a voz daquele senhor. Surpresas com o fato de ele vir de táxi, as jovens ficaram à sua espera. O rosto dele dizia que alguma coisa tinha acontecido: ‘Ontem à noite, logo que cheguei em casa, me entregaram uma pequena herança que nunca imaginaria receber. Meu coração diz que devo dividi-la ao meio com vocês’. A importância correspondia exatamente ao dobro do que generosamente haviam dado”.

“Dai e vos será dado. Uma medida boa, socada, sacudida e transbordante será colocada na dobra da vossa veste”.

Também você já fez essa experiência? Se ainda não, lembre-se de que é preciso dar desinteressadamente, sem esperar nada em troca, a quem quer que lhe peça.
Experimente. Mas não para ver o resultado, e sim para amar a Deus.
Você me dirá: “Mas eu não tenho nada”.
Não é verdade. Se quisermos, temos tesouros inesgotáveis: nosso tempo livre, nosso coração, nosso sorriso, nosso conselho, nossa cultura, nossa paz, nossa palavra capaz de convencer aquele que tem para dar a quem não tem...

Você me dirá ainda: “Mas não sei a quem dar”.
Olhe ao seu redor: lembra-se daquele doente no hospital, da senhora viúva sempre só, daquele amigo desanimado e sem rumo, daquele jovem desempregado sempre triste, do irmãozinho que precisa de ajuda, daquele amigo na prisão, daquele aprendiz hesitante? É neles que Cristo espera você.

Assuma o comportamento novo do cristão – que permeia todo o Evangelho – que é o não-fechamento e a não-preocupação. Renuncie a depositar a sua segurança nos bens terrenos e apóie-se em Deus. É nisso que se demonstrará sua fé nele, que logo será confirmada pela dádiva que receberá em troca.

É lógico que Deus não se comporta assim para enriquecer você ou nos enriquecer. Ele age assim para que outros – muitos outros – vendo os pequenos milagres que o nosso doar desencadeia, façam o mesmo.

Ele age assim para que, quanto mais tivermos, mais possamos dar; para que – como verdadeiros administradores dos bens de Deus – façamos circular tudo na comunidade ao nosso redor, a fim de que se possa dizer dela o que se dizia da primeira comunidade de Jerusalém: “Não havia necessitados entre eles.” (At 4,34)

Não sente que, agindo dessa forma, você ajuda a dar um espírito seguro à revolução social que o mundo espera?

“Dai e vos será dado”.

Certamente Jesus pensava, acima de tudo, na recompensa que teremos no Paraíso. Mas o que acontece na Terra já é prelúdio e garantia disso.

Chiara Lubich

Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em junho de 1978.