quinta-feira, 17 de abril de 2008

“E o fruto da justiça será a paz"!


“E o fruto da justiça será a paz! A prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras.” (Is 32,17)


“Até que sobre nós se derrame o espírito que vem do alto. Aí, então, o que era deserto virá a ser um bosque e o que era um bosque será uma floresta.” Assim começa o trecho que contém a Palavra de Vida deste mês. Na segunda metade do século VIII antes de Cristo, o profeta Isaías anuncia um futuro de esperança para a humanidade, de certo modo uma nova criação, um novo “bosque” ou “jardim”, onde moram o direito e a justiça, capazes de gerar paz e segurança.


Essa nova era de paz (shalom) será obra do Espírito divino, força vital capaz de renovar a criação; e, ao mesmo tempo, será fruto do respeito pela Aliança, pelo pacto entre Deus e o seu povo e entre os componentes do próprio povo, uma vez que a comunhão com Deus e a comunidade dos homens são realidades inseparáveis.

“E o fruto da justiça será a paz! A prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras.” (Is 32,17)

As palavras de Isaías recordam a necessidade de um esforço responsável e sério em respeitar as normas comuns da convivência civil, que impedem o individualismo egoísta e o arbítrio cego, favorecem a coexistência harmoniosa e o trabalho a serviço do bem comum.
Mas, será possível viver segundo a justiça e praticar o direito? Sim, com a condição de que se reconheçam todas as outras pessoas como irmãos e irmãs e se veja a humanidade como uma família, no espírito da fraternidade universal.

E como é possível enxergá-la assim, sem a presença de um Pai para todos? Ele, por assim dizer, já gravou a fraternidade universal no DNA de cada pessoa. Com efeito, a primeira vontade de um pai é que os filhos se tratem como irmãos e irmãs, que se queiram bem, que se amem.
Por isso o “Filho” por excelência, o Irmão de cada homem, veio e nos deixou como norma da vida social o amor mútuo. E o respeito pelas regras da convivência e o cumprimento do próprio dever são expressões do amor.

O amor é a norma suprema de toda ação; norma essa que promove a verdadeira justiça e traz a paz. As nações precisam de leis cada vez mais correspondentes às necessidades da vida social e internacional, mas sobretudo precisam de homens e mulheres que no seu íntimo saibam “ordenar” a caridade. Essa “ordem” é justiça, e só nessa ordem as leis têm valor.

“E o fruto da justiça será a paz! A prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras.”

Como viveremos, então, a Palavra de Vida durante este mês?
Empenhando-nos ainda mais nos deveres profissionais, na ética, na honestidade, na legalidade.
Reconhecendo os outros como pessoas da mesma família que esperam de nós atenção, respeito, proximidade solidária.

Se você colocar a caridade mútua e contínua (que precede todas as coisas) na base da sua vida, nos seus relacionamentos com o próximo, como a mais completa expressão do seu amor para com Deus, então a sua justiça será realmente agradável a Deus.

“E o fruto da justiça será a paz! A prática da justiça resultará em tranqüilidade e segurança duradouras.”

No sul da Itália, um guarda civil com sua família decidiu morar, por opção de solidariedade para com as pessoas menos privilegiadas da cidade, num dos bairros novos que estavam surgindo: ruas sem asfalto, ausência de iluminação pública, de rede de água e de esgoto; serviços de assistência social e transporte público, nem pensar.

“Procuramos criar com todas as famílias e cada habitante do bairro uma relação de conhecimento e de diálogo”, diz ele, “tentando sanar a fratura existente entre os cidadãos e a administração pública. Aos poucos, os cerca de 3.000 habitantes do bairro se tornaram agentes ativos no relacionamento com as instituições públicas, por meio de um comitê criado com esse objetivo.

Chegaram a conseguir da administração regional a aprovação de uma verba significativa para a recuperação do bairro, que agora é um bairro-modelo, tendo criado até atividades de formação para representantes de todos os comitês de bairro da cidade”.

Chiara Lubich


domingo, 30 de março de 2008

Por que procurais o Vivente entre os mortos?

Devemos procurar o Cristo vivo, como as mulheres que, na manha da Páscoa, foram ao seu túmulo. Também a nós os anjos dizem: "Por que procurais o Vivente entre os mortos?" (Lc 24,5). Não, não procurem a Vida entre os mortos, entre os que não possuem amor e estão enterrados no túmulo do próprio egoísmo. O ser humano só pode viver pelo amor. E toda injustiça na Terra, toda miséria, todo medo e todo terror, toda perseguição e opressão, toda guerra e todo crime só existem por falta de amor. Pois, qualquer plano insidioso que os tiranos e ditadores dos nossos tempos possam forjar tem sempre sua causa nos mortos.

Por que procurais o Vivente entre os mortos? Entre aqueles que só vivem para si mesmos, para o seu dinheiro, os seus bens e o seu prazer?

Deixem Cristo ressuscitado governar em vocês, para que sua força transformadora os torne homens novos. Não procurem a vida entre os mortos, entre os egoístas. Sigam as palavras de Jesus: "Um mandamento novo eu vos dou: amai-vos uns aos outros" (Jo 13,34).

Assim se tornarão homens novos, como Pedro, João, as mulheres, os discípulos de Emaús. Eles não tinham mais medo, eles deram seu testemunho, eles possuíam o amor.

Somente quando vocês tiverem o amor, Cristo poderá vir ao seu encontro e dizer: "A paz esteja convosco!" Onde não há amor, a paz também é impossível. Não há outra saída a não ser o amor.

A Lei dum Amor Misericordioso

«O cristão não tem outra Lei senão Cristo. Sua “Lei” é a vida nova que lhe foi conferida em Cristo. A nossa Lei não está escrita em livros, e sim nas profundezas do nosso coração; não pela mão de seres humanos, mas pelo dedo de Deus. O nosso dever agora não é apenas obedecer, e sim viver. Não temos de nos salvar, somos salvos por Cristo. Devemos viver para Deus em Cristo, não só como quem procura a salvação, mas como quem está salvo.

Mas agora, com a ressurreição de Cristo, o poder da Páscoa irrompeu sobre nós. Agora, encontramos em nós uma força que não é nossa e que nos é dada livremente sempre que dela necessitamos, elevando-nos acima da Lei, dando-nos uma nova Lei que se acha escondida em Cristo: a lei do Seu amor misericordioso por nós.» - Thomas Merton

sábado, 29 de março de 2008

Este domingo é a Festa da Divina Misericórdia


"Desejo a confiança. Espero de ti obras de misericórdia, que devem nascer do teu amor por Mim. Importa que ao próximo manifestes misericórdia sempre e em qualquer lugar. Não te podes furtar a isto, tentando arranjar desculpas ou justificares-te.
E indico-te três maneiras de exerceres a misericórdia para com o próximo: a primeira pela acção; a segunda pela palavra; e a terceira pela oração. Nestes três graus assenta a plenitude da Misericórdia, pois constituem uma prova irrefutável do amor por Mim. Mesmo a fé mais forte nada vale sem as obras".

In Diário de Santa Faustina - Palavras de Jesus a Santa Faustina

quinta-feira, 20 de março de 2008

Jesus Misericordioso


Jesus pede-nos para mostrarmos como Ele é Amor e Misericórdia e como está sempre pronto para perdoar. Como Ele disse na Bíblia: "Eu não vim chamar os justos e, sim, os pecadores ao arrependimento" (Mt 9, 13). Por outras palavras, não condena ninguém e quando diz "Isto está errado!" diz logo de seguida "Mas, podes fazer X. Ainda vais a tempo de mudar. Eu ajudo-te. Não te esqueças que Te amo". No fundo quer que digamos "Jesus, eu confio em Ti".

À Sexta-Feira Santa começa a Novena da Divina Misericórdia. É uma novena muito bonita, com uma mensagem muito bonita e muito importante. A seguir a esta novena, no domingo a seguir à Páscoa, temos a Festa da Divina Misericórdia, da qual falava muito João Paulo II.

A novena é feita especialmente nesta altura, mas, claro, pode ser feita em qualquer altura do ano. Já agora vejam a Via Sacra. É linda! :)

Aqui podes ficar a conhecer a novena e a via sacra (na página a seguir).

http://jesus-misericordioso.com/zgrom_ptbra.htm

Neste link podes conhecer um pouco mais sobre a Divina Misericórdia.
http://www.misericordia.org.br/modules.php?name=Content&pa=showpage&pid=9

Uma Santa Páscoa.

sábado, 15 de março de 2008

Despojamento



Deus quer-nos na dependência generosa do amor, no despojamento radical de nós mesmos, num nada que se tornará tudo. (...)

Quanto mais o coração está desocupado de si, tanto mais é ocupado por Deus (...)

Estar livre de si fará sempre parte da nossa aspiração a amar mais. (...) Conformação da nossa vontade à Vontade de Deus. Caminho de despojamento de nós mesmos, desde o início, como Cristo, ao vir a este mundo: «Pai, eis-Me aqui para fazer a tua vontade.» (Hb 10,7) (...)

Caminho de despojamento, de abandono de nós mesmos por uma entrega consciente, livre e voluntária nas maõs de Deus. Despojamento de tudo o que não é digno de Deus em nós, na nossa vida. (...)

Tudo deve ser purificado para tornar-se transparência de Deus. Porque o despojamento só tem sentido se for para nos revestirmos de Cristo (cf. Cl 3,10) e mergulharmos no seu amor

Pe. Constant Tonnelier, em "Quinze dias com São João da Cruz"

domingo, 2 de março de 2008

Vencer-se a si mesmo


O que é "vencer-se a si mesmo"? François Varillon disse: "Trata-se de nos tornarmos homens livres". O que Deus quer é a nossa liberdade. A liberdade é o esquecimento de nós mesmos, ou seja, uma outra forma de designar o amor. Mas adquiri-la não é espontâneo, nem automático. É preciso vencer-se. Antes de dizer: «Esqueci-me de mim» tenho que dizer a mim próprio: «Preciso sair de mim mesmo». Em termos um pouco técnicos: o êxodo precede necessariamente o êxtase, isto é, não posso continuar centrado em mim mesmo, tenho que viver fora de mim, voltado para o outro.(...)

Não poderei entrar em Deus enquanto o mais pequenino átomo de auto-contemplação, de olhar voltado para mim mesmo, não for queimado."

François Varillon S. J. , em "Viver o Evangelho"

Vencer-se a si mesmo

O que é "vencer-se a si mesmo" ? François Varillon disse: "Trata-se de nos tornarmos homens livres. O que Deus quer é a nossa liberdade. A liberdade é o esquecimento de nós mesmos, ou seja, uma outra forma de designar o amor. Mas adquiri-la não é espontâneo, nem automático. É preciso vencer-se. Antes de dizer: «Esqueci-me de mim» tenho que dizer a mim próprio: «Preciso de sair de mim mesmo». Em termos um pouco técnicos: o êxodo precede necessariamente o êxtase, isto é, não posso continuar centrado em mim mesmo, tenho que viver fora de mim, voltado para o outro.(...)

Não poderei entrar em Deus enquanto o mais pequenino átomo de auto-contemplação, de olhar voltado para mim mesmo, não for queimado."

François Varillon S. J. , em "Viver o Evangelho"

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Pensemos nisto....


Não são preciso muitas palavras para dizer o mais importante. Deixo apenas estas duas questões...

Quantas vezes dizemos a Jesus que O amamos?

Quantas vezes Lhe agradecemos por nos amar, apesar das nossas imperfeições?

sábado, 12 de janeiro de 2008

Orai continuamente


“Orai continuamente.”
(1Ts 5,17)

Este ano a “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos” comemora o seu centenário. O “Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos” foi celebrado pela primeira vez de 18 a 25 de janeiro1 de 1908. Sessenta anos mais tarde, em 1968, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos foi preparada em conjunto pela Comissão Fé e Constituição (do Conselho Mundial de Igrejas) e pelo Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (da Igreja Católica). Assim, desde então, todos os anos, cristãos católicos e de diversas outras Igrejas se reúnem para preparar um pequeno livro com sugestões para a celebração da Semana de Oração.

A Palavra escolhida este ano, por um amplo grupo ecumênico dos Estados Unidos, vem da Primeira Carta de são Paulo aos cristãos de Tessalônica, na Grécia. Era uma comunidade pequena, jovem, e Paulo sentia a necessidade de que a unidade entre seus membros fosse cada vez mais firme. Por isso, convidava-os a “conservar a paz”, a ser pacientes para com todos, a não retribuir o mal com o mal, mas a procurar sempre o bem entre eles e para com todos, e também a “orar continuamente”, como que salientando que a vida de unidade na comunidade cristã só é possível quando existe uma vida de oração. O próprio Jesus orou ao Pai pela unidade dos seus: “Que todos sejam um”2.


“Orai continuamente.”

Por que “orar continuamente”? Porque a oração é essencial para a pessoa enquanto ser humano. Fomos criados segundo a imagem de Deus, como interlocutores, como um “tu” de Deus, capazes de estar numa relação de comunhão com Ele. Portanto, a relação de amizade, o diálogo espontâneo, simples e verdadeiro com Ele – isso é oração – é realidade constitutiva do nosso ser, que tornar possível sermos pessoas autênticas, na plena dignidade de filhos e filhas de Deus.

Tendo sido criados como um “tu” de Deus, podemos viver em constante relação com Ele, com o coração cheio de amor derramado pelo Espírito Santo e com aquela confiança que se tem diante do próprio Pai: aquela confiança que nos leva a falar freqüentemente com Ele, a expor-lhe todas as nossas coisas, as nossas preocupações, os nossos projetos; confiança que nos faz esperar com impaciência o momento dedicado à oração – entrecortada durante o dia por outros compromissos de trabalho, de família –, para nos colocarmos em contato profundo com Aquele que nos ama.

Precisamos “orar sempre”, não somente pelas nossas necessidades, mas também para colaborarmos na edificação do Corpo de Cristo e para contribuirmos com a plena e visível comunhão na Igreja de Cristo. Este é um mistério que podemos de certo modo intuir quando pensamos nos vasos comunicantes: ao acrescentarmos água num deles, o nível do líquido sobe em todos eles. O mesmo acontece quando alguém ora. A oração é uma elevação da alma a Deus para adorá-lo e agradecer-lhe. Analogamente, quando uma pessoa se eleva, elevam-se também as outras.


“Orai continuamente.”

Como podemos “orar continuamente”, sobretudo quando nos encontramos no corre-corre da vida de cada dia?
“Orar continuamente” não significa multiplicar os atos de oração, mas orientar a alma e a vida para Deus, viver cumprindo a sua vontade: estudar, trabalhar, sofrer, repousar e até morrer por Ele. A tal ponto que não mais conseguimos viver no dia-a-dia sem termos antes nos colocado de acordo com Ele.
Então, a nossa vida se transforma numa ação sagrada, e o nosso dia se torna uma oração.
Pode nos ajudar o fato de oferecer a Deus cada ação realizada, dizendo: “Por ti, Jesus!”; ou então, nas dificuldades: “O que importa? Amar-te importa!”. Assim, transformaremos tudo num ato de amor.
E a oração será contínua, porque contínuo será o amor.


Chiara Lubich

1) No Hemisfério Norte, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é celebrada de 18 a 25 de janeiro. No Brasil é celebrada entre a Ascensão e Pentecostes (neste ano será de 4 a 11 de maio); 2) Jo 17,21.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Epifania : Manifestação de Deus aos homens


"Vimos e Viemos"

Celebramos hoje a festa da EPIFANIA. É a conclusão do tempo litúrgico do Natal, lembrando a adoração de Jesus pelos Magos, representantes das pessoas do mundo inteiro

A palavra "Epifania" significa: Manifestação de Deus aos homens. A Liturgia desse domingo leva-nos à manifestação de Jesus.

Ele é uma "Luz", que se acende na noite do mundo, ilumina os caminhos dos homens e os conduz ao encontro da Salvação.

A 1ª Leitura anuncia a chegada da Luz salvadora do Senhor, que transfigurará Jerusalém e atrairá a ela todos os povos. (Is 60,1-6) Esta Jerusalém nova representa a Igreja, comunidade dos que aderiram a Jesus e acolheram a Luz salvadora.

A 2ª Leitura apresenta o projeto salvador de Deus, que vai atingir toda a humanidade, juntando judeus e pagãos, numa mesma comunidade de irmãos, a comunidade de Jesus. (Ef 3,2-3a.5-6)

No Evangelho, vemos a concretização da promessa da 1ª leitura. (Mt 2,1-12) Guiados pela Estrela, os Magos vêm ao encontro de Jesus. Representam todos os povos da terra, que atentos aos sinais, procuram com esperança o Messias até encontrar.

A narrativa não é uma reportagem jornalística, mas uma CATEQUESE sobre Jesus e sua Missão.

A ESTRELA inventada por São Mateus, não é um astro no céu, mas a pessoa de Jesus. Ele é a "Luz" anunciada pelos profetas.

Os MAGOS representam todos os povos, que vão ao encontro de Jesus e se deixam guiar pela sua mensagem de paz e de amor.

A Intenção de Mateus era apresentar Jesus como o NOVO MOISÉS...

O ungido de Deus, recusado pelos judeus e aceito pelos pagãos, que formarão o novo Israel, o novo povo de Deus: a Igreja.

S. Mateus resume: "Vimos e Viemos"

ATITUDES diante da estrela:

- ADORAÇÃO: os Magos viram a "estrela", deixaram tudo e puseram-se a caminho. Diante dele, reconheceram a Luz do mundo, se ajoelharam e o adoraram.

- INDIFERENÇA: Os Sacerdotes o conheciam bem nas Escrituras. Sabiam até o lugar onde deveria nascer, mas não perceberam o sinal da chegada, nem se preocuparam de ir ao seu encontro. Estavam muito seguros de sua sabedoria... e por isso não tiveram a alegria de encontrar e adorar o Salvador.

- REJEIÇÃO: Herodes tentou até apagar esta Luz. Isto simboliza os grandes”, que temem a sua chegada. Poderia roubar-lhe o trono. Todos viram: um menino recém-nascido,mas as opções foram diferentes...

Com quem nos assemelhamos?

- Com os MAGOS, atentos aos sinais, capazes de ler os acontecimentos da vida e do mundo à luz de Deus?

- Com os SACERDOTES, orgulhosos do saber, mas acomodados?

- Com HERODES, que procura matar o menino?

O itinerário seguido pelos magos reflete o processo que os pagãos seguiram para encontrar Jesus:

- Estão atentos aos sinais (estrela);

- percebem que Jesus traz a Salvação;

- põem-se a caminho para o encontrar;

- perguntam aos judeus, que conhecem as Escrituras, o que fazer;

- encontram Jesus e o adoram...

Um caminho a seguir à procura de Deus...

Nesse relato, descobrimos as etapas do nosso caminho à procura de Jesus:

- Sensibilidade em distinguir os sinais de Deus…

- Generosidade de aceitar...


"Os magos viram a estrela e vieram adorá-lo".

Os magos não perderam a esperança:

- na incompreensão dos contemporâneos…

- nas dificuldades da longa caminhada…

- na maldade de Herodes…

- no ambiente rústico do presépio do Rei dos judeus...

Se olharmos o mundo e os homens com os olhos da fé… tudo será uma perene EPIFANIA...

Os magos não vão de mãos vazias!

Ofereceram as suas riquezas: ouro, incenso e mirra...

- O que temos nós a oferecer?


Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa CS
06.01.2008

domingo, 30 de dezembro de 2007

Sagrada Família


Ainda no clima do Natal a liturgia nos apresenta a FAMÍLIA SAGRADA onde essa criança cresceu e viveu como exemplo e modelo para todas as famílias.

As leituras bíblicas fornecem indicações práticas para nos ajudar a construir famílias felizes que sejam espaços de encontro, de partilha, de fraternidade, de amor verdadeiro.


A 1ª Leitura, desenvolve e explica o 4º Mandamento. Lembra os deveres dos filhos para com os pais. Essa observância é desejada e abençoada por Deus (Eclo 3,3-7.14-17a).

A 2ª Leitura, mostra o espírito que deve reinar numa família: "Revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, mansidão e paciência, suportando-vos e perdoando-vos mutuamente." (Cl 3,12-21) E acrescenta um recado às Esposas, aos Maridos, aos Filhos e aos Pais.

O Evangelho nos apresenta a FAMÍLIA SAGRADA em três momentos da Infância de Jesus: Belém, Egito, Nazaré. (Mt 2,13-15.19-23)

Nessas migrações, JESUS é conduzido por Deus e protegido pelos seus Pais.

A FAMÍLIA DE NAZARÉ é uma família como qualquer família de ontem, de hoje ou de amanhã, que se defronta com crises, dificuldades e contrariedade, no entanto É uma família unida e solidária. Nela existe verdadeiro Amor e solidariedade. Não hesita enfrentar os perigos do deserto e o desconforto do exílio, quando um de seus membros corre risco.

É uma família que escuta a Palavra de Deus e nessa escuta consegue vencer as contrariedades, superar os riscos e descobrir os caminhos para assegurar a seus membros a vida e o futuro.

JOSÉ aparece atento às indicações de Deus, e aceita a sua vontade. Tudo sacrifica em defesa da vida daquele menino, que Deus lhe confiou.

É uma família que obedece a Deus! Diante das indicações de Deus, não discute nem argumenta; mas cumpre à risca os desígnios de Deus. E é, precisamente, no cumprimento obediente dos projetos de Deus que assegura a esta família um futuro de vida, de tranqüilidade e de paz.

A Sagrada Família, modelo da família cristã. Costuma-se dizer que a Sagrada Família é modelo da família cristã, não tanto em seu contexto sócio cultural e histórico, mas quanto em seus valores fundamentais, especialmente o Amor, que lhe deram coesão, significado e missão de salvação nos planos de Deus.

"a família é a fonte da vida e o berço da fé."
João Paulo II

Família, instituição em crise ou em mudanças? A família está em crise, ou é um modelo já superado? Sem dúvida a família é a célula base da Igreja e da sociedade, mas está passando por uma transformação profunda.

Na Família do Passado, primava a relação vertical: uma instituição fechada, de cunho patriarcal. O PAI detinha a autoridade e era responsável na parte econômica; A MÃE atendia aos afazeres domésticos e cuidava dos Filhos; os filhos submetidos à autoridade paterna. Dava-se muito valor à AUTORIDADE.

A Família Atual, prima as relações horizontais dentro da família. Dá-se preferência ao DIÁLOGO, à co-responsabilidade, à igualdade, ao companheirismo e à amizade entre marido e esposa, entre pais e filhos. Contudo a família sofre hoje muitas influências negativas e muitos fatores de desagregação...

Quais os valores permanentes na família? Comunhão inter-pessoal de Amor e de Vida. O Amor fiel, único, exclusivo e para sempre. Os Filhos não são vistos como propriedade ou bens adquiridos, mas como vida e prolongamento vital de um amor pessoal, que educa e orienta para a liberdade responsável.

Comunidade aberta aos valores do mundo de hoje: A solidariedade, a responsabilidade, a fraternidade e o compromisso com os direitos humanos...

Igreja doméstica: Só assim a família cristã testemunhará a fé, a esperança e a caridade. Uma igreja doméstica que contribui para a santificação do mundo.

E a Nossa Família, como vai? À moda antiga ou atual?


Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa

30.12.2007

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Santos Inocentes

"Os meninos inocentes foram mortos por causa do Cristo. Eles seguem o Cordeiro sem mancha, e cantam: Glória a ti, Senhor"!

Somente a monstruosidade de uma mente assassina, cruel e desumana, poderia conceber o plano executado pelo sanguinário rei Herodes: eliminar todas os meninos nascidos no mesmo período do nascimento de Jesus, para evitar que vivesse o Rei dos judeus. Pois foi isso que esse tirano arquitetou e fez.

Impossível calcular o número de crianças arrancadas dos braços maternos e depois trucidadas. Todos esses pequeninos se tornaram os "Santos Inocentes", cultuados e venerados pelo povo de Deus. Eles tiveram seu sangue derramado em nome de Cristo, sem nem mesmo poderem "confessar" sua crença. Quem narrou para a História foi o Apóstolo Mateus, em seu Evangelho. Os reis magos procuraram Herodes, perguntando onde poderiam encontrar o recém-nascido Rei dos judeus para saudá-lo. O rei consultou então os sacerdotes e sábios do reino, obtendo a resposta de que o Ele teria nascido em Belém de Judá, Palestina.

Herodes, fingindo apoiar os magos em sua missão, pediu-lhes que depois de encontrarem o "tal Rei dos judeus", voltassem e lhe dessem notícias confirmando o fato e o local onde poderia ser encontrado, pois "também queria adorá-lo". Claro que os reis do Oriente não traíram Jesus. Depois de visitá-lo na manjedoura, um Anjo os visitou em sonho avisando que o Menino-Deus corria perigo de vida e que deveriam voltar para suas terras por outro caminho. O encontro com o rei Herodes devia ser evitado.

Eles ouviram e obedeceram. Mas o tirano ao perceber que havia sido enganado, decretou a morte de todos os meninos com menos de dois anos de idade nascidos na região. O decreto foi executado à risca pelos soldados do seu exército.

A festa aos Santos Inocentes acontece desde o século IV. O culto foi confirmado pelo Papa Pio V, agora Santo, para marcar o cumprimento de uma das mais antigas profecias, revelada pelo profeta Jeremias: a de que "Raquel choraria a morte de seus filhos" quando o Messias chegasse. Esses pequeninos inocentes de tenra idade, de alma pura, escreveram a primeira página do álbum de ouro dos mártires cristãos e mereceram a glória eterna segundo a promessa de Jesus. A Igreja preferiu indicar a festa dos Santos Inocentes para o dia 28 de dezembro por ser uma data próxima à Natividade de Jesus, uma vez que tudo aconteceu após visita dos reis magos. A escolha foi proposital, pois quis que os Santinhos Inocentes alegrassem com sua presença a manjedoura do Menino Jesus.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Bem-aventurada Aquela que acreditou

"Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre"

Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor”. (Lucas 1,39-45)


“Bem-aventurada Aquela que acreditou”:

Maria é bem-aventurada, como lhe diz sua prima Isabel, não apenas porque Deus a olhou, mas porque acreditou. A sua fé é o mais belo produto da bondade divina. Mas foi necessário que a arte inefável do Espírito Santo poisasse sobre Ela, para que tanta grandeza de alma se unisse a tanta humildade no segredo do seu coração virginal. A humildade e a grandeza de alma de Maria são, como a sua virgindade e a sua fecundidade, semelhantes a duas estrelas que se iluminam mutuamente, porque em Maria a profundidade da humildade em nada prejudica a generosidade da alma, e reciprocamente. Julgando-se a si mesma de forma tão humilde, Maria nem por isso foi menos generosa na sua fé na promessa que lhe tinha sido feita pelo anjo. Ela que apenas se considerava uma pobre serva, não duvidou de que tivesse sido chamada a este mistério incompreensível, a esta união prodigiosa, a este segredo insondável. E acreditou imediatamente que se tornaria de facto a Mãe de Deus encarnado.

É a graça de Deus que produz esta maravilha no coração dos eleitos; a humildade não os torna receosos e timoratos, como a generosidade de alma os não torna orgulhosos. Pelo contrário, nos santos, estas duas virtudes reforçam-se uma à outra. A grandeza de alma, não só não abre a porta ao orgulho, como é sobretudo ela que permite avançar no mistério da humildade. Com efeito, os mais generosos ao serviço de Deus são também os mais penetrados pelo temor do Senhor e os mais reconhecidos pelos dons recebidos. Reciprocamente, quando está em jogo a humildade, cobardia alguma se insinua na alma. Quanto menos tem o hábito de presumir das suas próprias forças, mesmo nas coisas mais pequenas, mais a pessoa se confia ao poder de Deus, mesmo nas maiores
.

Sermão para a oitava da Assunção, sobre as doze prerrogativas de Maria São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja

sábado, 15 de dezembro de 2007

Jesus lhes falava de João Batista

"O destino cruel reservado ao Batista revelou a leviandade dos esquemas religiosos e políticos de seu tempo".

Ao descerem do monte, os discípulos perguntaram a Jesus: "Por que os mestres da lei dizem que Elias deve vir primeiro?" Jesus respondeu: "Elias vem e colocará tudo em ordem. Ora, eu vos digo: Elias já veio, mas eles não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles". Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista. Palavra do Senhor! (Mt 17, 10-13)

Questionando uma doutrina

Os mestres da Lei prenunciavam a vinda de Elias como sinal de realização das esperanças messiânicas. Esta doutrina fundava-se na crença de que haveria uma restauração gloriosa de Israel, por obra do Messias. Este triunfalismo foi questionado por Jesus.

A tarefa atribuída ao profeta Elias - "colocar tudo em ordem" - fora desempenhada por João Batista. Sua vida humilde e ascética impediu que os triunfalistas o reconhecessem. Só os simples foram capazes de perceber a importância da pregação do Precursor, e se deixaram batizar por ele, confessando seus pecados, dispostos a se converterem.

O destino cruel reservado ao Batista revelou a leviandade dos esquemas religiosos e políticos de seu tempo. Esperando uma manifestação espalhafatosa de Deus, que a eximisse da responsabilidade de estar sempre vigilante e em discernimento, a liderança religiosa fez-se surda aos apelos de quem exigia dela uma decisão responsável e livre. Desta forma, ela desprezou a oportunidade oferecida por Deus.

O caminho trilhado por Jesus foi idêntico ao do Batista. Despojado de qualquer pretensão mundana, fez-se solidário com os pobres e marginalizados, os deserdados deste mundo. Por isso, quem cultivava a mesma mentalidade triunfalista dos adversários do Batista jamais poderia confessá-lo como Messias. Só quem entendia que a obra de Deus acontece na contramão da mentalidade humana estava em condições de tornar-se discípulo.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Vigia e Orai...


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra. Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do homem". Palavra da Salvação! (Lc 21, 34-36)

VIGIAI E ORAI

O grande perigo das pessoas em relação à escatologia é a dissipação do coração. Os atrativos e prazeres da vida, o acúmulo exagerado de bens materiais, a liberação dos instintos egoístas são todos elementos que corrompem o coração humano, impedindo-o de se preparar para o encontro com o Senhor.

Jesus recomenda vigilância e oração como as formas melhores de nos colocarmos em clima de espera. Vigiar é ser capaz de detectar tudo quanto possa desviar nossa atenção do fim almejado, acabando por nos afastar dos caminhos de Deus. São muitas as formas com que o mau espírito procura atuar, para alcançar o seu fim. Quem cochila, acaba caindo na armadilha para pegar os incautos. Só os vigilantes conseguem safar-se das investidas do maligno.

A oração, por sua vez, coloca-nos em contínua ligação com Deus, de quem recebemos luz e força para permanecer em pé, vigilante à espera do Senhor. Ela predispõe-nos para escutar os apelos divinos e deixar-nos guiar por eles. Sensibiliza-nos para realizar o projeto de Deus. Mantém-nos sempre atentos à prática do bem, como faz o Pai em benefício da humanidade.

Portanto, perseverar na espera requer uma atitude de atenção à história e de comunhão profunda com Deus.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Solenidade de Cristo Rei


Na solenidade de Cristo Rei*, precisamos trazer presente na consciência a convicção de que cabe a nós construir o reino de Cristo - já aqui e agora em nossa existência passageira - para vivê-lo na plenitude da eternidade.

Nos tempos em que estamos vivendo, muitas vezes parecemos experimentar um sentimento de total desesperança tanto nas estruturas como nos homens e mulheres. Muitos de nós temos a impressão de que o ser humano tem a tendência para o mal. Assim, podemos chegar a pensar que nada adianta lutar contra o mal e contra as estruturas injustas e opressoras de nosso tempo. Afinal, dizem alguns, elas sempre vencem: a maldade sempre vencerá a bondade; a injustiça sempre triunfará sobra a justiça. E a paz, ora a paz! Esta está cada vez mais longe.

A liturgia da Solenidade de Cristo Rei, entretanto, aponta para esperança. Cristo venceu o mal e a morte e nos introduziu em seu reino de justiça e paz. O ser humano pode, se deixado a si mesmo, tender para o pecado e para a morte. Mas o Cristo da fé nos fala de seu reino e, em toda a prática da sua vida, nos aponta as formas de torná-lo realidade. O reino de Deus não tem os mesmos valores do reino dos homens - a ganância, o lucro, a violência, a opressão, a corrupção e a guerra. Ao contrário, o reino do qual Cristo é o Rei tem os valores que pulsam no profundo do nosso ser. Nós ansiamos pela paz, pela justiça, pela fraternidade, pela igualdade; nós ansiamos viver num mundo de amor. Sonhamos com um mundo assim!

Na solenidade de Cristo Rei, precisamos trazer presente na consciência a convicção de que cabe a nós construir o reino de Cristo - já aqui e agora em nossa existência passageira - para vivê-lo na plenitude da eternidade. E aos leigos e leigas, cuja festa comemoramos, cabe, por sua vocação batismal, a vivência nas estruturas da sociedade - a começar de sua família, de seu trabalho, até a vida pública, aí incluindo a ação política. A paz e a justiça não são ideais distantes. Ao contrário, podem e devem ser realidade, se todos os cristãos e cristãs - e principlmente os leigos e leigas - fizerem delas o objetivo de sua vida.

Carlos Signorelli
Presidente do CNL

Leigos e leigas são chamados - vocacionados - a viver no tecido humano da sociedade e lá tornar realizade os sinais do reino de Deus.

*Domingo, 25/11/2007, a Igreja encerrou o seu ano litúrgico comemorando a Solenidade de Cristo Rei e o dia dos leigos e leigas.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

A morte, um mistério

A morte permanece para o homem um mistério profundo. Mistério cercado de respeito também pelos que não crêem. Ser cristão muda alguma coisa no modo de considerar e enfrentar a morte? Qual a atitude do cristão diante da pergunta sobre o sentido último da existência humana, que a morte nos põe continuamente? A resposta se encontra na profundeza da nossa fé. Para o cristão, a morte não é o resultado de uma luta trágica que se deva afrontar com frieza e cinismo. A morte do cristão segue as pegadas da morte de Cristo: um cálice amargo, porque fruto do pecado, a beber até o fim, porque é a vontade do Pai, que nos espera de braços abertos do outro lado do limiar; morte que é uma vitória com aparência de derrota; morte que é essencialmente não-morte: vida, glória, ressurreição.

Como se dará tudo isso precisamente não podemos saber; não cabe ao homem medir a imensidade do dom e das promessas de Deus. A despedida dos fiéis é acompanhada da celebração eucarística, memória da morte de Jesus na cruz e penhor da sua ressurreição. O prefácio tem um tom de humana suavidade e divina certeza: "Nele refulge para nós a esperança da feliz ressurreição. E aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Ó Pai, para os que crêem em vós, a vida não é tirada, mas transformada, e desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível".

Face a face com Cristo

A morte do cristão não é um momento no fim do seu caminho terreno, um ponto isolado do resto da vida. A vida terrena é preparação para a do céu, nela estamos como criancinhas no seio materno: nossa vida na terra é um período de formação, de luta, de primeiras opções. Ao morrer, o homem se encontrará diante de tudo o que constituiu o objeto das suas aspirações mais profundas: encontrar-se-á diante de Cristo e será a opção definitiva, construída por todas as opções parciais desta terra.

Cristo espera eternamente com os braços abertos; o homem que optou contra Cristo, será queimado eternamente por aquele mesmo amor que repeliu. O homem que se decide por Cristo encontrará no mesmo amor a plena e infinita alegria.

"Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno"

Podemos fazer alguma coisa pelos mortos? Eles não estão longe de nós; pertencem todos - os mortos no abraço de Deus - à comunidade dos homens e à comunidade da Igreja.

A oração pelos defuntos é uma tradição da Igreja. De fato, subsiste no homem, também quando morre em estado de graça, muita imperfeição, muita coisa a ser mudada, purificada do antigo egoísmo! Tudo isto acontece na morte. Morrer significa morrer também ao mal. Éo batismo de morte com Cristo, no qual encontra acabamento o batismo de água. Esta morte vista pelo outro lado - assim crê a Igreja - pode ser uma purificação, a definitiva e total volta à luz de Deus. Quanto tempo durará? Isto está fora do nosso tempo. Não podemos determinar tempo nem lugar. Mas, partindo do nosso ponto de vista humano, há um tempo durante o qual consideramos alguém como "morto" e o ajudamos com nossa oração. De quantos meses ou anos se trata, ninguém pode dizê-lo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Jesus, eu confio em Vós

Jesus, Eu Confio em Vós



Muitos de vocês já devem conhecer a devoção à Divina Misericórdia. Para quem não conhece, trata-se de uma devoção pedida por Jesus a Santa Faustina e que apela à Confiança em Cristo em todos os momentos e à conversão das pessoas. Jesus veio chamar os pecadores arrependidos, já o diz a Bíblia, e está sempre à nossa espera de braços abertos.



Jesus pediu também a Santa Faustina que pintasse esta imagem para não esquecermos que Ele está sempre com a Sua mão levantada para nos abençoar e para não esquecermos que os dois raios lembram a água e o sangue de purificação e redenção que saíram do tronco de Jesus na sua morte na cruz. Pediu ainda para se rezar o Terço da Divina Misericórdia, de preferência à Hora da Misericórdia (15h), a Novena e a Festa da Misericórdia a seguir à Páscoa. Podem ver mais pormenores em http://espaco-de-paz.awardspace.com/misericordia_divina.html .



Quando falo disto, há quem olhe para mim com aquela cara:"Sim, mais uma devoção. Para quê?" Pois, para muita coisa. Não é apenas uma questão de rezarmos o terço, por exemplo, e ficarmos com menos um peso na consciência. Não! Se rezamos deve ser por Amor a Deus. Mas, a devoção da Divina Misericórdia tem-me trazido, sobretudo, uma maior confiança em Cristo. Sinto mais a Sua Presença, entendo melhor o sofrimento, enfrento melhor as agruras da vida, tenho mais esperança e mais Amor por Cristo.



E porquê? Porque o principal desta devoção é isso: aumentar a nossa confiança, fé, esperança e actos de amor. É, acima de tudo, compreender melhor o sacrifício na cruz de Jesus. Porque uma das coisas que Jesus nos pede ao rezar o terço, a novena, etc, é pensarmos na Sua Dolorosa Paixão. Pensarmos no Seu Amor por nós que para nos defender e nos mostrar que Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida, carregou a cruz até ao Calvário. E ao percebermos e interiorizarmos melhor esta entrega, estamos também a amar Cristo e a consolá-Lo pelas atrocidades que vão sendo cometidas por não sabermos usar a liberdade que nos deu da melhor maneira.

Já agora, ao olharem para a imagem
o que é que vos marca mais?
O que é que vos faz lembrar?

segunda-feira, 15 de outubro de 2007


Uma Hora porDARFUR

Dia 24 de Novembro às 21.30h, o grupo Fé e Missão dos Missionários Combonianos, em comunhão com outros grupos de jovens, organiza uma hora pelo Darfur em VN Famalicão, Coimbra e Santarém.

É uma hora de informação, reflexão e oração para recordar o Drama humanitário que se vive no Darfur. Queres fazer parte desta HORA? Associa-te a nós, onde estiveres!

O que te propomos de fazer nesse dia, nessa hora (ou outro dia e outra hora): -
Passa uma hora (ou só um momento) de oraçãopelo Darfur, no teu quarto, na rua, com os amigos;

- Com o teu grupo de jovens organiza uma hora por Darfurna tua paróquia e convida todas as pessoas a participarem;

O que te podemos oferecer (se o desejares e pedires):
· Esquema de HORA (a modificar ao vosso gosto).
· Material a utilizar (vídeo, PPT, textos explicativos, …)

Entra nesta onda!
OLHA A HORA!
Está na hora de agir!
Basta uma HORA!

Além desta iniciativa, eis outras em que podes participar:
Imprimir e assinar E DAR A ASSINAR (frente e verso)www.pordarfur.org/htmls/EElyypFpZEixFpxrrw.shtml

Assinar on line: Petição à presidência da União Europeiawww.ipetitions.com/petition/porDarfur/

Escrever uma carta:Uma carta apelando por Darfur,apelando à presidência da união Europeia

Ajudar numa escola no Darfur:www.pordarfur.org/htmls/EElAAFVEAyrhsxTJdj.shtmlhttp://www.combonianos.pt/formdonativos.shtmlComo vês há muita coisa a fazer.

É preciso é pôr mãos à obra.
Não feches os olhos! … Vê!
Não cales a voz! … Grita!
Não cruzes os braços! … Age!
Divulga estas iniciativas aos teus contactos e participa!

Para todas as informações e pedidos:Leonel Claro / CVJ – Missionários CombonianosAreeiro - 3030-168CoimbraTel: 239701172 / Mail: jovemissio@gmail.com
E visita:PorDarfurJovens e Missão

PS: Regularmente vamos actualisando a lista dos grupos (ou indivíduos) que aderirem a esta iniciativa na página Uma Hora porDARFUR.

Iniciativa promovida por - Jovens e Missão - .

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Uma SMS pelos cuidados paliativos!




De 6 a 13 de Outubro é a Semana Nacional dos Cuidados Paliativos.

Como forma de angariar fundos para a formação de técnicos, a Associação Nacional de Cuidados Paliativos (http://www.apcp.com.pt/) pede-nos para enviarmos uma SMS para o 4222 a dizer Cuidados Paliativos Sim. O custo da chamada é de 0,60 € e uma parte reverte para a associação.
Como vêem a quantia não é muita, por isso quantos mais SMS, melhor. Divulguem!

Para quem não sabe, os cuidados paliativos são essenciais em doenças terminais ou crónicas e degenerativas. Com estes cuidados, os doentes têm um acompanhamento personalizado, o que ajuda a diminuir o sofrimento físico, mas também psicológico.

Não custa nada. É só uma mensagem e divulgar pelos nossos amigos e familiares.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Ir caminhando...

Caminha com simplicidade pela estrada do Senhor e não atormentes o teu espírito. É preciso que odeies os teus defeitos, mas com um ódio tranquilo e nunca aborrecido e inquieto.
Padre Pio, in O Grande Amor de Deus - 365 Dias Com Padre Pio

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Lembram-se da criança de quatro meses que precisa de transplante de medula?Pois... Jesus chamou-a ontem à noite. Já não está entre nós, fisicamente. Rezemos pelos pais. Neste momento precisam de todo o apoio.
E... não deixemos de ser dadores, se pudermos. Há sempre pessoas a precisarem da nossa ajuda.

domingo, 7 de outubro de 2007

O Amor de Jesus

Jesus ama-nos como somos e não como deveríamos ser, já que nenhum de nós é como deveria ser.
A vida do Apóstolo Paulo está ancorada na sua amizade íntima com Jesus. "Para mim o viver é Cristo" (Filipenses 1, 21). Diariamente, Paulo entrega a sua vida a Jesus, confia Nele, louva-O, pede-Lhe aquilo de que precisa, encontra Nele a sua razão de ser e com gratidão aceita o seu amor, sabendo que ele não conhece sombra de mudança.Ele "amou-me e entregou a si mesmo por mim (Gálatas 2, 20). Nunca deixe que estas palavras sejam interpretadas como mera intelectualização de Paulo. O amor de Jesus Cristo era uma realidade ardente e divina para ele, e a sua vida é incompreensível excepto em termos dele. Paulo teria sido soterrado na história como um zelote desconhecido, não fosse o seu amor imenso e intransigente pela pessoa de Jesus. Se algum de nós abordasse Paulo e quisesse discutir a reforma paroquial ou a adoração contemporânea, ele responderia: "Não tenho nenhuma compreensão de igreja ou de religião excepto em termos do homem sagrado, Jesus, que me amou e entregou-se por mim."

Brennan Manning -"A assinatura de Jesus"

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Para que o Carlinhos possa viver!

A Elsa do http://eu-estou-aki.blogspot.com/ deixa-nos este apelo.


Olá, eu sou o Carlos Miguel
e tenho só 4 meses de idade.
Preciso urgentemente da tua ajuda,
pois tenho que fazer umtransplante
de Medula Ósseapara poder viver.

O Carlinhos trava neste momento uma luta com a vida...
encontra-se no Hospital Pediátrico de Coimbra,
é natural da Sertã, Concelho de Proença-a-Nova,
e necessita urgentemente de um transplante de medula óssea.
Todos somos chamados a defender a vida,
por isso aqui fica o apelo:

Vamos todos ajudar o pequenino Carlos!
E para ajudar basta ter entre 18 e 45 anos!
Os pais e amigos estão a apelar à solidariedade de todos,
para que se mobilizem com vista a uma recolha de sangue
para encontrar um dador de medula óssea compativel.

A Câmara Municipal de Proença-a-Nova
está empenhada na divulgação e recolha
de inscrições para dadores.

As inscrições podem ser feitas em:
Câmara Municipal de Proença-a-Nova
Bombeiros Voluntários de Proença-a-Nova
Café Ponto de Encontro (Proença)
Oculista Jacinto ( Sertã)
Creche Jardim Escola S. Casa Misericórdia ( Sertã)
Agrupamento de Escolas (Sertã e Proença-a-Nova)
Casa do Benfica de Proença-a-Nova
Pronto a vestir Texano
E todos os que puderem ajudaresta criança que luta pela vida,
podem fazê-lo enviando mail para:pelavidadocarlinhos@gmail.com
Outras informações, podem contactar - Paulo - 96 706 82 01

segunda-feira, 1 de outubro de 2007




Hoje é o dia da Padroeira das Missões, Santa Teresinha do Menino Jesus. Aqui deixo um poema escrito por ela.





Quereria percorrer a terra

E pregar o Teu nome, Jesus,

Ser Apóstolo em solo infiel

E plantar gloriosa a Tua cruz.


Só o Amor faz agir a Igreja,

Mas se o Amor se viesse a extinguir

Os Apóstolos não anunciariam

Nem os mártires a vida dariam.


Compreendi que o Amor encerra,

Em si mesmo, todas as vocações.

Compreendi que o Amor é tudo,

Que abarca os tempos e os lugares.


Encontrei finalmente o meu lugar

Fostes Vós, ó meu Deus, que mo destes:

No coração da Igreja, miha mãe,

Eu serei Amor!

E assim serei tudo!

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Por Amor ... Uma Carta!

Sim, eu sei que já falei muito do Darfur! Mas, se o faço é porque estamos perante uma tragédia humana que precisa de ter um fim.


Por iniciativa do - Jovens e Missão - e do - Eu estou aki - , convidamo-vos a escrever uma carta pelo Darfur. Esta carta será entregue à Presidência da União Europeia, tal como a petição que está e curso. O lema é "Por Amor... Uma Carta!".


Podem enviar por correio ou por mail. Aqui ficam os contactos.


CVJ – Missionários Combonianos Areeiro3030-168 Coimbra


Mais informações em - http://www.pordarfur.org/

Este povo merece! E precisa muito da nossa ajuda! Vamos escrever?

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Festa da Exaltação da Santa Cruz

14 de setembro, A Igreja celebra a festa da exaltação da Santa Cruz

João, capítulo 3 versículos de 13 a 17.

“Assim como Moisés - diz Jesus - levantou a serpente no deserto, é preciso que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que o contemplar, seja salvo”.

Todos os judeus imaginaram um Messias exaltado, sonharam com um messias que levaria o seu povo aos píncaros da exaltação!

O messias foi realmente exaltado! Ele foi elevado, como Moisés outrora levantou a serpente no deserto, mas, de maneira irônica que só Deus podia inventar.

Foi levantado ao ser pregado numa cruz. Bem alto, à vista de todos, para que todos o pudessem contemplar.

Nos primeiros anos do cristianismo, não era de bom tom falar em cruz ou em crucifixão e os primeiros cristãos não usaram como símbolo o crucifixo. Usaram o peixe ou então a imagem do bom pastor.

Apenas mais tarde em 335 da nossa era, quando Constantino e sua mãe Helena construíram a grande basílica da Anástasis, isto é da ressurreição em Jerusalém, no local do calvário e do Santo Sepulcro, a cruz de instrumento infame, se transformou em instrumento de Glória.

Começou então a aparecer nas coroas e cedros dos reis e imperadores.

Jesus pregado na cruz, é a resposta de Deus a todos os nossos anseios, Jesus pregado na cruz quer ser o sinal sacramento de que Deus nos ama.

É preciso que toquemos com as mãos e de maneira bem concreta a profundidade do amor de Deus para com cada um de nós. Este toque, cada um de nós pode realizar colocando suas mãos hoje no crucificado.

Lá está Jesus permanentemente olhando para nós. De braços abertos, não rejeita ninguém, nem mesmo pessoas inoportunas. Não rejeita nenhum pecador.

A todos quer mostrar o quanto Deus nos ama. A todos quer trazer a salvação de Deus. É isto que nós hoje celebramos na liturgia da festa da exaltação da cruz. Festa do amor incomensurável de Jesus, festa da profundidade de seu mistério para conosco e festa de nossa salvação.
Padre Fernando J. C. Cardoso

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

AIS - Meditação



"Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, por teres ocultado isso aos sábios e aos inteligentes e por tê-lo revelado aos pequenos" (Mt 11,25).

Os "pequenos" são os mesmos "pobres de espírito" que o Senhor chamou de bem-aventurados. Sua pobreza não é considerada do ponto de vista econômico, mas no sentido de que são "pobres" do espírito deste mundo. Eles se recolheram junto de Deus. Estão livres do mundano e abertos ao Reino de Deus. Para eles se abrem os portões da riqueza da alma. Apesar de sua pequenez, são grandes por dentro. Do mirante de Deus, eles contemplam os acontecimentos da Terra, pois Deus lhes revelou o que escondeu dos soberbos. Eles realmente sabem do que se trata. São as sentinelas silenciosas, com uma visão que abraça o mundo inteiro. Por meio de claras decisões espirituais, não deixam apagar suas luzinhas, ainda que em meio à escuridão progressiva dos nossos tempos. Constituem um rebanho pequeno, facilmente despercebido. Seu empenho silencioso na oração e na penitência é quase nada comparado à atividade ruidosa na Igreja e no mundo. Mas Deus não está no barulho e sim, no silêncio.

Peçamos que Deus dê à sua Igreja mais pequenos e pobres de espírito, mais pessoas de oração e penitência, mais humildade, mais silêncio.

Padre Werenfried van Straaten
Fundador da Ajuda à Igreja que Sofre

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Concentração pela Paz no Darfur

Voltando a falar-vos do Darfur... Este domingo celebra-se o Dia Internacional do Darfur.Como forma de se chamar a atenção para o drama humanitário que se vive na região, vai haver concentrações na rua em vários países.

Aqui em Portugal, vai haver uma concentração a pedir a Paz pelo Darfur, no domingo, às 18h, no Largo Camões, Baixa-Chiado, Lisboa.

Tragam uma fita ou tira de pano preto. Têm mais informações em http://www.pordarfur.org/htmls/EElluAyykFYoVPNzcE.shtml . O simbolismo desta “venda” preta é o silêncio da comunidade internacional perante uma situação que já é considerada genocídio pela ONU.

Se puderem apareçam!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Gestos de amor pelo Darfur


A campanha pelo e com o Darfur tem dado bons frutos, graças a Deus. São várias as pessoas que se têm empenhado para tirarem do silêncio o sofrimento deste povo.

Este fim-de-semana vai haver duas iniciativas:
- Vigília organizada pelo grupo de jovens da paróquia de Porto Salvo
Na Igreja da Cartuxa (Caxias - Lisboa), no dia 8 de Setembro de 2007, às 21h.

- Campanha da iniciativa da Elsa do blog Eu Estou Aki ( http://eu-estou-aki.blogspot.com/)
No Retaxo, Castelo Branco, nas Festas em honra de Nossa Senhora da Guia.

Muito obrigado a todos os que estão por esta causa. Se alguém quiser realizar alguma actividade de sensibilização, mande-me um mail para mariajoaogracia@hotmail.com.

No final deste post, deixo-vos com um comentário do Padre Feliz da Costa, o missionário comboniano que se encontra no Darfur com os refugiados. Dá que pensar...
"Sei, de teologia certa, que ninguém pode culpar Deus por esta situação... A culpa desta guerra e dos males que se lhe seguem, não haja dúvida, é só nossa, dos interesses políticos e mesquinhos dos homens. E sei também, de teologia ainda mais certa, que «Deus é amor» e não pode senão amar estes seus filhos e filhas".
Padre Feliz da Costa, missionário comboniano em Nyala, no Darfur

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Palavra de Vida


“Procura antes a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a constância, a mansidão.” (1 Tm 6,11)


O que fazer para viver todas essas virtudes no nosso dia-a-dia?

Talvez possa parecer difícil colocá-las em prática, uma por uma. Então, por que não viver o momento presente com o radicalismo do amor? Se alguém vive o presente na vontade de Deus, Deus vive nele; e se Deus está nele, nele está a caridade.
De acordo com as circunstâncias, quem vive o presente é paciente, ou perseverante, manso, pobre de tudo, puro, misericordioso, porque possui o amor na sua expressão mais alta e genuína; ama realmente a Deus com todo o coração, toda a alma, todas as forças; é iluminado interiormente, é guiado pelo Espírito Santo e, portanto, não julga, não pensa mal dos outros, ama o próximo como a si mesmo, tem a força da loucura evangélica de “oferecer a outra face”, de “caminhar por dois quilômetros…”1.


“Procura antes a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a constância, a mansidão.”

Essa exortação é dirigida a Timóteo, fiel colaborador de Paulo, seu companheiro de viagem e amigo, tão confidente que chega a ser como um filho. “Tu, porém, ó homem de Deus” – escreve-lhe o apóstolo depois de ter denunciado a malícia do orgulho, das invejas, das brigas, do amor ao dinheiro – “foge destas coisas”; e o convida a procurar uma vida na qual resplandeçam as virtudes humanas e cristãs.
Nessas palavras ressoa o empenho, assumido no momento do batismo, de renunciar ao mal (“foge...”) e de aderir ao bem (“procura...”). É do Espírito Santo que vem a transformação radical, bem como a capacidade e a força para atuar a exortação de Paulo:


“Procura antes a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a constância, a mansidão.”

A experiência vivida com o primeiro grupo de jovens que, em 1944, originou o Movimento dos Focolares em Trento (Itália), dá uma idéia de como se pode viver a Palavra de Vida; sobretudo a caridade, a paciência, a mansidão.
Principalmente nos primeiros tempos do Movimento não era fácil viver as exigências radicais do amor. Até mesmo entre nós, nos nossos relacionamentos, podia se acumular uma certa poeira, e a unidade podia se enfraquecer. Isso acontecia, por exemplo, quando notávamos os defeitos, as imperfeições dos outros e começávamos a julgar, fazendo com que a corrente de amor mútuo esfriasse.
Para reagir a essa situação, um dia tivemos a idéia de fazer um “pacto” entre nós, e o chamamos de “pacto de misericórdia”.
Todas as manhãs decidimos ver o próximo que iríamos encontrar – no Focolare, na escola, no trabalho etc. – novo, novíssimo, não nos lembrando absolutamente mais dos seus defeitos, mas cobrindo tudo com o amor. Era encontrar cada pessoa com essa anistia completa no nosso coração, com esse perdão universal.
Era um compromisso sério, tomado por todas nós juntas, que nos ajudava a ser, da melhor maneira possível, sempre as primeiras no amor, à semelhança de Deus misericordioso, que perdoa e esquece.

Chiara Lubich

1) Cf. Mt 5,41.